Vou dizer-te uma coisa que nunca te disse. Nas reuniões, quando estás sentado do outro lado da mesa a falar de números e prazos, eu não te ouço. Não uma palavra. Estou a olhar para as tuas mãos — para aqueles dedos longos que sabem exactamente onde tocar-me — e a lembrar-me do que fizeste com eles n…
terça-feira, 15 de setembro de 2015
O QUE PENSO DE TI QUANDO NINGUÉM VÊ
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
O QUE SINTO NO MOMENTO EM QUE SOU TUA
Sou tua neste instante. Deitada debaixo de ti, com o teu peso a esmagar-me deliciosamente contra o colchão, com as tuas mãos a prenderem-me os pulsos sobre a cabeça — sou tua de uma forma que nenhuma palavra decente consegue descrever. O lençol está por baixo de nós, mas nós estamos noutro sítio. Est…
sábado, 5 de setembro de 2015
A MANHÃ QUE NUNCA ACABA [ 1 ]
O dia rompe devagar... A luz entra pela persiana e cai-nos em cima dos corpos ainda sujos de ontem... Mal abrimos os olhos... enredados no lençol amarrotado da tua cama... O que despejaste dentro de mim há poucas horas ainda me escorre por entre as coxas... quente... teimoso... As minhas pernas ainda …
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
PISCINA À MEIA NOITE
O hotel dormia. Descia as escadas para a piscina descalça, com uma toalha ao ombro e o biquíni preto por baixo do roupão. Era meia-noite e vinte, o corredor deserto, a única luz vinha dos apliques baixos que desenhavam sombras compridas no chão de pedra. A piscina era exterior — rectangular, longa, i…
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
O DESEJO POR TI QUANDO NÃO ESTÁS
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015
A VARANDA
Fazia trinta e dois graus à meia-noite. O calor que não deixa dormir, que faz o corpo pedir vinho gelado, janelas abertas e roupa nenhuma. Estávamos os dois na varanda do meu quinto andar — ele de calções, sem camisa, eu com uma camisa larga dele por cima da pele nua e nada por baixo. O prédio da fre…
domingo, 16 de agosto de 2015
QUARTO 47
Vi-o ao balcão do bar do hotel. Estava sozinha em Lisboa, numa viagem de trabalho que já tinha acabado, com um voo às sete da manhã e uma cama de hotel que não me apetecia nada. Desci ao bar por causa do tédio. E ali estava ele — de fato escuro, gravata desapertada, um whisky à frente e um livro que…
terça-feira, 11 de agosto de 2015
ESTRADA À NOITE
Encostámos o carro num caminho de terra, longe de tudo. Nem eu sabia porquê ali. Ele tinha-me dito *"quero mostrar-te uma coisa"* e eu tinha entrado no carro sem perguntar, porque a esta altura já sabia que qualquer coisa dele era desculpa para o mesmo — para isto, para nós, para esta fome…
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A BIBLIOTECA
Descobri-o na secção de poesia francesa. Eram nove da noite de uma quinta-feira, a biblioteca da faculdade quase deserta, e eu procurava um Baudelaire que já não estava onde devia estar. Encontrei-o nas mãos dele. — *Desculpa* — disse eu. — *Estava à procura desse livro há uma semana.* Ele levantou os…
sábado, 1 de agosto de 2015
NOITE DE TEMPESTADE
O trovão chegou antes da chuva. Estava sozinha em casa quando as luzes piscaram uma vez, duas, e apagaram-se de vez. Andei até à janela do quarto às apalpadelas. Lá fora, o mundo era uma coisa preta e violenta — árvores curvadas ao vento, faixas de chuva a atravessarem os postes de luz. Um relâmpago…
segunda-feira, 27 de julho de 2015
O ELEVADOR
Ele entrou no elevador no oitavo andar. Eu já estava lá dentro — a descer sozinha, depois de mais uma reunião interminável, os saltos a matarem-me e o vestido preto colado ao corpo por causa do calor de Julho. Quando as portas se abriram e o vi, senti o estômago dar aquele salto ridículo que já não …