🐾 "TOCA DA LEOA" 🐾 SENSUALIDADE & EROTISMO À FLOR DA POEISA 🐾
🌶️ CONTEÚDO ERÓTICO 🌶️ +18 🔞 🌶️

🐾 Sou Uma Mulher De Espírito Livre Como Uma Leoa No cio 🐾 Porque Parte De Mim Tem Sede 🐾

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PISCINA À MEIA NOITE




O hotel dormia.

Descia as escadas para a piscina descalça, com uma toalha ao ombro e o biquíni preto por baixo do roupão. Era meia-noite e vinte, o corredor deserto, a única luz vinha dos apliques baixos que desenhavam sombras compridas no chão de pedra.
A piscina era exterior — rectangular, longa, iluminada por baixo com aquele azul-turquesa que faz a água parecer líquida demais para ser verdade. Não havia ninguém. Só o cheiro a cloro, a jasmim, e o zumbido baixo dos filtros.
Deixei o roupão cair.
Estava a entrar pela escada quando o vi.

Estava no fundo da piscina — no lado profundo, encostado à parede, apenas a cabeça de fora. O cabelo escuro colado ao rosto, os olhos a brilharem à luz azul. Não sei quanto tempo levava ali. Não sei se me estava a ver descer as escadas ou se só me viu agora.

Ficámos os dois parados. A olhar-nos.
— *Desculpa* — disse ele, com um sorriso lento. — *Pensei que estava sozinho.*
— *Eu também.*

Não saí. Ele também não. Nadei devagar até ao meio da piscina, sentindo a água fria fechar-se à volta das minhas coxas, do meu ventre, dos meus seios por cima do biquíni. Ele deslizou pela parede e veio na minha direcção, também devagar, como um animal que não quer assustar a presa.

Parou a um braço de distância.
— *Como te chamas?*
— *Não interessa.*
Sorriu. Reconheceu a regra.

A água entre nós baloiçava em círculos preguiçosos. Ele estava tão perto que eu sentia o calor do corpo dele apesar da água fria. E o olhar dele — Deus, o olhar dele a descer-me pelo pescoço, pela clavícula molhada, pelo decote do biquíni onde a água me pingava.
Deu mais um passo. A mão dele encontrou-me a cintura debaixo de água.
Não me afastei.
A boca dele desceu sobre a minha — molhada, salgada de cloro — e beijou-me devagar, provando-me sem pressa nenhuma. As minhas mãos subiram-lhe pelo peito nu. Duro. Quente apesar da água.

Empurrou-me com gentileza até que as minhas costas encontraram a parede da piscina. O rebordo de pedra fria contra os meus ombros, a água a lamber-me o pescoço, e o corpo dele contra o meu à frente, quente e sólido.
As mãos dele subiram-me pelas costas. Encontraram o fecho do biquíni. Desapertaram-no com uma facilidade que me fez rir baixinho contra a boca dele. A parte de cima flutuou-nos entre os corpos e ele afastou-a com uma mão, atirou-a para a borda da piscina — e a boca dele desceu-me imediatamente sobre o seio molhado.

Gemi. O som ecoou no pátio deserto.
Ele chupou-me devagar, mordeu-me com cuidado, e a mão dele desceu-me pela barriga por baixo da água, encontrou o elástico do fio da parte de baixo, puxou-o para o lado. Os dedos encontraram-me.

— *AFF* — murmurou contra o meu peito. — *E ainda te queixas do frio da água.*

Ri baixinho, mas o riso morreu-me na garganta quando dois dedos dele deslizaram para dentro de mim. Debaixo de água, o toque era estranho, mais lento, mais amortecido — e ao mesmo tempo mais obsceno, porque ele mexia-se dentro de mim com uma calma cruel enquanto olhava para a minha cara.

— *Alguém pode aparecer* — sussurrei.
— *Que apareça.*

Puxou-me a parte de baixo do biquíni pelas pernas. Atirou-a para junto da parte de cima. Estava nua no meio da piscina de um hotel, iluminada por baixo pela luz azul-turquesa, e ele levantou-me pelas coxas contra a parede. As minhas pernas envolveram-lhe a cintura.
Baixou o calção sem sair de mim.
E entrou.
Fundo. Debaixo de água, a sensação era diferente — a água ajudava-nos a mover, tornava tudo mais leve e mais lento e infinitamente mais erótico. Eu segurava-me à borda da piscina atrás de mim, ele segurava-me as ancas, e movia-se dentro de mim num ritmo que fazia pequenas ondas espalharem-se à nossa volta.

Beijou-me para me calar os gemidos. A minha boca engoliu-lhe os dele. Sabia a cloro, a vinho, a homem.
Movia-se mais rápido. A água agitava-se. Uma das mãos dele soltou-me a anca e desceu entre os nossos corpos, encontrou-me outra vez, esfregou-me no ritmo exacto em que se enterrava em mim.
Foi demais.
Vim contra a boca dele, tremendo debaixo de água, apertando-me à volta dele em espasmos que a água amplificava. Ele gemeu contra os meus lábios e veio logo a seguir, empurrando-se fundo uma última vez, os dedos cravados na minha pele por baixo da água.
Ficámos ali. Encostados. A respirar. A luz azul a desenhar-nos ondulações no rosto.

Beijou-me a têmpora.
— *Que quarto?* — perguntou.
Sorri.
— *408.*
— *Vou lá ter em dez minutos.*
Saí primeiro. Deixei o biquíni onde estava. Subi enrolada na toalha, com a pele a arder debaixo do algodão.
Dez minutos depois, bateram-me à porta.
E não dormi.



Cléia Fialho

Nenhum comentário:

Postar um comentário

🐾 OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
🐾 É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
🐾 FIQUE À VONTADE PARA COMENTAR OU FAZER UMA INTERAÇÃO NAS POESIAS
🐾 SERÁ UM IMENSO PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
🐾 VOLTE SEMPRE!

AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
🐾