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domingo, 16 de agosto de 2015

QUARTO 47




Vi-o ao balcão do bar do hotel.

Estava sozinha em Lisboa, numa viagem de trabalho que já tinha acabado, com um voo às sete da manhã e uma cama de hotel que não me apetecia nada. Desci ao bar por causa do tédio. E ali estava ele — de fato escuro, gravata desapertada, um whisky à frente e um livro que fingia ler.
Sentei-me dois bancos ao lado. Pedi um gin.
Ele olhou-me pelo canto do olho. Sorriu meio de lado.

— *Também não consegues dormir?*
— *Não tentei.*
— *Boa política.*

Sorri. Bebemos em silêncio uns segundos. Ele olhava-me no espelho atrás do balcão — os olhos escuros, o queixo áspero de fim de dia, o tipo de homem que não pergunta nome à primeira porque sabe que nome não interessa.

— *Estou no 47* — disse, sem se virar. — *Se te apetecer subir.*

Não respondi. Terminei o gin. Levantei-me. E fui até ao elevador sem olhar para trás — mas sabia que ele vinha atrás, ouvia-lhe os passos no mármore, e o corpo inteiro já me formigava antes de o elevador se abrir.
Entrámos. As portas fecharam.
Ele não me tocou logo. Ficou encostado à parede oposta, a olhar-me de cima a baixo com uma lentidão que me fez arrepiar. Como se me estivesse a despir com os olhos antes de o fazer com as mãos.

— *Como te chamas?* — perguntei.
— *Interessa?*
— *Não.*
Sorriu. Chegámos ao quarto andar.

Entrámos no 47. Ele fechou a porta com o pé e nesse mesmo segundo empurrou-me contra ela. A boca dele encontrou a minha com uma fome de estranho — sem carinho, sem história, só fome — e eu abri-a de imediato, deixei-o entrar, mordi-o de volta.
As mãos dele arrancaram-me o vestido pelos ombros. Caiu-me até à cintura. Ele afastou-se um segundo só para olhar — os meus seios nus, o soutien preto ainda meio subido — e o olhar dele fez-me arder mais do que qualquer toque.

— *Uiuiuiui* — murmurou.

Voltou. A boca dele caiu-me no seio, chupou-me com uma força que me fez gemer alto, e a mão dele subiu-me por baixo do vestido até encontrar a renda. Não a tirou — rasgou-a. Ouvi o tecido a ceder e o meu ventre apertou-se todo.

— *Vais pagar-me isso* — sussurrei.
— *Pago tudo o que quiseres.*

Empurrou-me até à cama. Caí de costas. Ele arrancou a gravata, a camisa, o cinto, tudo numa pressa que me fez rir e gemer ao mesmo tempo. Quando ficou nu, ajoelhou-se aos pés da cama e puxou-me pelas ancas até me ter à beira do colchão.

Abriu-me as pernas com as mãos.
E a boca dele encontrou-me — quente, molhada, sem paciência nenhuma. A língua dele traçou-me devagar, depois rápido, depois fundo, alternando ritmos até eu não saber mais o que fazer com o corpo. Enterrei-lhe os dedos no cabelo. Puxei. Ele gemeu contra mim e a vibração fez-me arquear a coluna toda para fora do colchão.

— *Espera* — arfei. — *Espera, quero-te dentro.*

Subiu por cima de mim. Ainda com o meu gosto na boca, beijou-me — obsceno, molhado — e entrou em mim de uma só vez, fundo, até ao fim.
Gritei.
Não me importei. Não conhecia ninguém neste hotel, não conhecia ninguém nesta cidade, não conhecia sequer o nome do homem que estava dentro de mim.

Ele começou a mover-se — devagar primeiro, deixando-me sentir cada centímetro, e depois cada vez mais rápido, cada vez mais fundo. Levantou-me uma perna, pô-la sobre o ombro dele, e o ângulo mudou tudo. Senti-o tocar-me num sítio que me fez ver preto por trás dos olhos.

— *Assim* — gemi. — *Assim, não pares.*

Não parou. Uma mão dele encontrou-me entre os corpos, o polegar a esfregar-me no ritmo exacto em que se movia, e eu senti a onda a subir depressa, imparável, brutal.

— *Vou vir.*
— *Vem para mim.*
Vim.

Vim a arranhar-lhe as costas, a apertar-me à volta dele em espasmos que me fizeram gemer sem parar, e ele gemeu contra o meu pescoço — um gemido rouco, animal — e empurrou-se três, quatro vezes mais fundo antes de tremer inteiro sobre mim e vir com um palavrão sussurrado ao meu ouvido.
Ficámos ali, ofegantes, colados pela transpiração.
Beijou-me a curva do ombro. Um beijo estranhamente doce para dois estranhos.

— *Ficas?* — perguntou.
Olhei o relógio. Cinco horas até ao voo.
— *Fico até ao segundo round.*
Riu contra a minha pele.
— *Isso dá para três.*
E deu.

De manhã, saí sem o acordar. Não deixei bilhete. Não perguntei o nome.
Algumas noites são só isto — e é perfeito assim.




Cléia Fialho

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