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domingo, 20 de setembro de 2015

A MANHÃ QUE NUNCA ACABA





O dia rompe devagar...
A luz entra pela persiana e cai-nos em cima dos corpos ainda sujos de ontem...
Mal abrimos os olhos... enredados no lençol amarrotado da tua cama...
O que despejaste dentro de mim há poucas horas ainda me escorre por entre as coxas... quente... teimoso... 
As minhas pernas ainda enroladas nas tuas, o cheiro a sexo pegado à pele, os fluidos misturados sem forma de saber onde acabas tu e começo eu...

E no torpor deste início de manhã, o fogo acende-se outra vez... quase sem aviso...
As bocas procuram-se com uma fome que a noite não saciou...
As línguas encontram-se sujas do sono e do gozo de ontem, e nem por isso paramos...
Levas os meus seios à tua boca... chupas com força...
Puxas-me os piercings com os dentes até eu gemer alto e arquear as costas fora do colchão...
A tua mão desce e encontra-me já encharcada — encharcada de ti, de ontem, do agora — e ris baixinho contra o meu peito porque sabes o que me fazes...

O teu sexo duro esfrega-se contra a minha coxa, exigindo entrada...
Abro-me para ti sem me pedires...
Entras de uma só vez, fundo, até ao osso, e eu grito para dentro da tua boca...
O peso do teu corpo esmaga-me contra o colchão e eu não quero outro sítio no mundo...
Começa a nossa dança suja de sempre...
Cadenciada, brutal, funda...
A cama range obscena por baixo de nós... os meus gemidos já nem se disfarçam... os teus rosnados junto ao meu pescoço fazem-me apertar-me toda à volta do teu sexo...

Sinto-me escorrer cada vez mais por ti — pela tua barriga, pelas tuas coxas, pelo lençol que amanhã não terá salvação...
Agarras-me o cabelo à raiz e puxas-me a cabeça para trás...
Minha puta — sussuras-me ao ouvido com a voz rouca. — Diz que és minha.

— Sou tua — gemo. 
— Sou toda tua. Fode-me até eu não conseguir andar.

Ris contra a minha garganta e obedeces...
Ergo-te os meus seios com as minhas mãos, ofereço-tos como se fossem coisa tua para tomares...
Chupas-me os mamilos com força enquanto me entras cada vez mais fundo...
Sinto a onda a subir — vinda das coxas, do ventre, da alma — e mordo-te o ombro para não gritar tão alto que os vizinhos batam à parede outra vez...

O ritmo acelera... o teu sexo incha dentro de mim, pulsa, avisa...

— Onde queres que venha? — arfas-me contra a boca.
— Dentro — digo. — Dentro. Marca-me outra vez.

E vens...
Vens fundo... um jorro quente que me enche por dentro pela segunda vez em poucas horas...
Deixas-me a tua marca no sítio onde ninguém vê, mas onde eu sinto o dia inteiro...
E eu venho contigo, tremendo debaixo do teu corpo, apertada à volta do teu sexo em espasmos que me tiram o ar, o nome, o juízo...
Desfaço-me em mil pedaços...
Fico assim um instante... com as pernas ainda abertas... a tua respiração no meu pescoço... o teu sexo ainda dentro de mim, ainda a pulsar os últimos avisos...

E depois — só depois — enrolo-me no calor do teu abraço.
Não me limpo.
Fico assim.
Suja de ti, marcada de ti, cheirando a ti.
E se em meia hora me quiseres outra vez — meu amor, meu homem, meu tudo — abro-me outra vez.
E outra.
E outra.
Até o dia acabar e a noite recomeçar.




Cléia Fialho

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