TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SEIS MESES



Ela tentou virar-se de costas, o corpo a pedir tréguas, mas as mãos dele fecharam-se-lhe nos ombros e impediram o movimento. Os dedos calejados cravaram-se na pele macia, mantendo-a de bruços contra o colchão. Ele inclinou-se, o hálito quente a roçar-lhe a nuca, a barba por fazer a arranhar-lhe a orelha.

― Não te deixo descansar. Não hoje. Não agora.

A voz saiu rouca, um comando que lhe vibrou na espinha. Ela arqueou-se, instintiva, as ancas a empinarem-se como se o corpo soubesse o que vinha antes da mente ceder. Ele agarrou-lhe o queixo, virou-lhe o rosto e tomou-lhe a boca com uma fome de seis meses represada. Língua a invadir, saliva misturada, dentes a morder o lábio inferior. Ela gemeu para dentro dele, rendida. As mãos dele desceram, agarraram a roupa, puxaram com força até o tecido ceder e as ancas dela ficarem nuas e erguidas sob os dedos que já se abriam para as tomar.

O movimento foi brusco. As mãos calejadas viraram-na de bruços antes que ela pudesse protestar, o rosto afundado no colchão, o cabelo escuro espalhado. Ele agarrou-lhe as ancas com ambas as mãos, os dedos a afundarem-se na carne macia, e ergueu-as. 

Afastou-lhe as pernas com o joelho, abrindo-a. Abaixou a boca. A língua percorreu a curva da anca, mordeu a nádega, desceu até à fenda. Lambeu do clitóris à entrada, a saliva a escorrer. Ela gemeu, involuntária, as ancas a tremerem contra a boca dele. Os polegares espalharam-lhe as nádegas, abriram os lábios da concha. A língua penetrou, funda, e as ancas erguidas imploraram, pingando saliva e excitação.

A boca ainda lhe escorria da concha quando ele se ergueu atrás dela. Os joelhos afundaram no colchão, as mãos calejadas a agarrarem-lhe as ancas erguidas com força de quem não pede licença. O pau estava duro, pesado, a latejar contra a nádega dela enquanto ele se posicionava. 

A glande roçou os lábios molhados, a fenda aberta e a pingar da saliva e do líquido que ela já não controlava. Ele não avisou. Uma mão no quadril, a outra na base do pau, e empurrou. Uma estocada só, até ao fundo, a concha a abrir-se de repente para o receber inteiro.

Ela gritou contra o colchão, os dedos a agarrarem os lençóis. O corpo arqueou-se, as ancas erguidas a recuarem instintivamente para ele, e ele gemeu — um som rouco, gutural, que lhe saiu do peito como se tivesse acabado de matar a sede depois de seis meses no deserto. A concha apertou-o, quente, molhada, e ele não esperou que ela se adaptasse. Recuou as ancas e voltou a entrar, brutal, o som molhado do sexo a encher o quarto abafado.

— Assim — rosnou ele, a voz a tremer de prazer contido. — Assim, de quatro, como eu queria.

As estocadas começaram rápidas, fundas, o ritmo a construir-se em segundos. As ancas dele batiam contra as nádegas dela com um estalo seco e repetido, a pele suada a colar-se e a soltar-se a cada embate. O líquido vaginal escorria pelo pau, pelas coxas dela, e o som era obsceno — molhado, viscoso, a cada investida. 

Ele agarrou-lhe o cabelo escuro com uma mão, enrolou os dedos na raiz e puxou para trás. A cabeça dela ergueu-se, a coluna arqueou, e as ancas erguidas empinaram-se ainda mais, oferecendo a concha num ângulo que o fez entrar ainda mais fundo.

Ela gemia a cada estocada, sons entrecortados que saíam involuntários, a voz a falhar quando a glande batia no fundo. Ele largou-lhe o cabelo e agarrou-lhe as ancas com as duas mãos, os polegares a afundarem-se na carne macia, e fodeu-a com um ritmo que já não era controlado — era necessidade, fome, seis meses a saírem do corpo em cada investida. O suor escorria-lhe pelas costas, os testículos a baterem contra o clitóris dela a cada embate.

— Vai-te — ordenou ele, a voz rouca e tensa. — Vai-te agora.

E ela foi. O orgasmo rebentou num grito que lhe saiu da garganta como um soluço, a concha a apertar o pau em espasmos violentos, as paredes a contraírem-se e a puxarem-no para dentro. Ele gemeu, sentiu o aperto, e continuou a foder através do orgasmo dela, as estocadas agora erráticas, brutais. 

O líquido dela escorreu pelas coxas, pelo pau, e ele rugiu quando o próprio orgasmo o atingiu — um jorro quente e espesso que lhe encheu a concha em espasmos, a pulsar dentro dela enquanto as ancas dele batiam uma última vez contra as nádegas e paravam, enterrado até ao fundo.

Ela caiu de bruços, o corpo a tremer, a concha ainda a apertá-lo em espasmos fracos. Ele saiu devagar, o pau a escorregar da fenda molhada, e o esperma começou a escorrer — branco, espesso, a descer pelos lábios da concha e pelas coxas trémulas enquanto ela respirava ofegante, de bruços, rendida.

Ele deixou-se cair sobre as costas dela, o peito colado à pele suada, o peso do corpo a cobri-la por inteiro. As respirações de ambos acertaram o compasso, lentas, pesadas, o ar quente a sair-lhes das bocas em sincronia. A mão calejada subiu até à nuca dela e os lábios pousaram ali, um beijo lento, sem pressa, a urgência finalmente dissipada. 

Ela virou a cabeça de lado, os olhos fundos a encará-lo, rendidos, exaustos, sem uma palavra. Ele acariciou-lhe as ancas com toques leves, a ponta dos dedos a deslizar sobre a pele húmida, o esperma ainda a escorrer entre as coxas dela, morno e espesso. A mão pousou nas ancas erguidas, imóvel. Os dois ficaram quietos na escuridão.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A PROMESSA DO TEU CORPO



Os dedos dele entrelaçam-se nos dela e cravam os pulsos contra o colchão encharcado. O suor escorre entre as palmas, os polegares marcam a pele fina dos pulsos dela, e ele não desvia o olhar. O peito sobe e desce contra o dela, o peso do corpo a prendê-la inteira.

Ela arqueia as ancas devagar, a bacia a subir para o encontro da glande que roça os grandes lábios. O primeiro líquido escorre — a água escondida que ela ainda tenta reter — e espalma-se pela fenda quando a ponta do pau desliza, húmida, sem entrar.

Um gemido escapa-se-lhe. O primeiro verso ao ar, curto e entrecortado, ainda preso entre os dentes.

Ele sorri contra o pescoço dela, os lábios colados à pele quente, e empurra as ancas só um pouco. A glande abre a entrada molhada. Um centímetro. Ela solta um som que já não é gemido — é verso partido.

Ele não espera mais. As ancas recuam só o suficiente para a glande sair quase toda — só a ponta ainda dentro, a sentir o anel de músculo a apertar — e depois enterra até à base numa estocada seca que arranca um grito a ela e um grunhido a ele.

A cona aperta-o de imediato. As paredes quentes e molhadas contraem-se à volta do pau como se o corpo dela recusasse deixá-lo sair. Ele fica ali, enterrado até aos ovos, a sentir cada espasmo, cada pulsação minúscula que lhe sobe pela verga e lhe aperta a base.

— Assim… — ela geme, e a palavra sai partida, sílaba a sílaba, um verso ao ar que ainda não encontra a rima.

Ele começa a mover-se. As estocadas saem duras, ritmadas, os ovos a bater contra o períneo dela com um som húmido e pesado que se repete a cada investida. O lençol já não absorve mais nada — a água escondida dela escorre pela base do pau, desce pelos testículos, pinga para o colchão numa mancha escura que se alastra.

O prepúcio rasga para trás a cada entrada. A glande, exposta e inchada, esfrega o ponto G dela com batidas secas e repetidas, e a cada toque ela solta um som novo — um verso desordenado, rouco, que já não obedece a métrica nenhuma.

— Mais… mais fundo…

Ele obedece. As mãos descem para as ancas dela e cravam-se na carne, os dedos a deixar marcas vermelhas que hão de ficar roxas de manhã. Puxa-a contra cada estocada, acelera o ritmo até ser brutal e descompassado, o som de carne húmida a chocar a encher o quarto. O cu dela levanta do colchão a cada investida, engolindo o pau até aos ovos, e ele sente o líquido dela a jorrar em espasmos pela fenda, a encharcar-lhe os pêlos púbicos, a escorrer pelo rego do cu até ao lençol.

Ela crava as unhas nas costas dele. Arranha até sangrar, riscos finos que ardem com o suor, e as coxas tremem e fecham-se à volta dos rins dele como se o corpo inteiro dela fosse um nó a apertar.

O aperto da cona aumenta. As paredes contraem-se em espasmos involuntários, um ritmo que já não é o dele — é o dela, o corpo a tomar o controlo, a leitá-lo com cada convulsão molhada.

— Quase… — ele grunhe contra o pescoço dela. — Quase a chegar…

Ela solta um grito agudo — o último verso ao ar, alto e rouco, uma poesia que não precisa de palavras — e a cona aperta em convulsões molhadas que o puxam para dentro, que o seguram, que o ordenam.

O pau dele pulsa dentro dela e o primeiro jacto de leite quente bate no fundo da cona enquanto ela grita o seu nome.

O peso dele desaba sobre ela, o peito a achatar-lhe os seios, o coração a martelar contra as costelas como se ainda não tivesse percebido que o corpo já parou. O pau ainda enterrado, mole mas latejante, e cada pulsação ecoa nas paredes da cona que continuam a apertar — espasmos fracos, já sem força, mas teimosos, como se o corpo dela se recusasse a deixá-lo ir. Cada contração espreme o que resta dele lá dentro, um último fio de leite que escorre da glande e se perde na água escondida que ainda a inunda.

Ela afasta o cabelo húmido do rosto dele com dedos que tremem. Os fios escuros colam-se à testa suada, e ela beija-o ali, devagar, os lábios a pousar na pele quente como se fosse o único lugar do mundo onde ainda existe chão. O corpo dela treme — um cansaço que vem do fundo dos ossos, das coxas que arderam abertas, do ventre que ainda se contrai em ondas cada vez mais espaçadas.

Ele sente a mistura a escorrer pelos ovos. Leite branco e o líquido transparente dela, morno e espesso, a descer pelo saco até manchar o lençol. O pau escorrega para fora da cona — devagar, sem resistência, seguido por um fio grosso que liga a glande à fenda e se parte, pingando na mancha escura que já se alastra no tecido. As coxas dela tremem uma última vez, um espasmo que lhe sacode o corpo inteiro, e a água escondida e o leite escorrem pelo rego do cu até ao lençol encharcado.

Os dedos dela entrelaçam-se nos dele sobre o lençol molhado, e ele sussurra contra a testa suada que a promessa está cumprida.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A PELE SOB A CAMISA



Os dedos dele encontraram os ombros dela primeiro — firmes, quentes, cravando-se no tecido leve da camisa. Puxou o corpo dela contra o seu num só movimento, a respiração já curta, os olhos escuros fixos nos botões que o separavam da pele. O primeiro cedeu com um estalo seco. Os dedos tremiam — a urgência a trair o controlo que ele queria manter. O segundo botão abriu-se com menos resistência, o tecido a afastar-se, revelando a alça rendada do sutiã.

A boca dele desceu. Lábios entreabertos traçaram a curva do pescoço dela, a língua a provar o sal da pele, os dentes a mordiscar de leve o ponto onde o pulso batia acelerado. Ela inclinou a cabeça para trás, a garganta exposta, um suspiro entrecortado a escapar-lhe dos lábios. As mãos dela agarraram os ombros dele, unhas cravadas no tecido da camisa, as costas a arquear-se num convite involuntário.

O terceiro botão cedeu. Depois o quarto. A camisa aberta pendia-lhe dos cotovelos, o sutiã exposto sob a luz dourada do abajur.

A mão desceu do pescoço dela, os dedos a arrastarem-se pela clavícula exposta, pelo esterno, pela curva do peito ainda coberto pela renda. A palma espalmou-se sobre o ventre dela — firme, quente, a carne a contrair-se sob o toque. Ele sentiu o músculo estremecer, a respiração dela suspensa.

Os dedos agarraram a barra da saia leve e ergueram o tecido até à cintura. As coxas apareceram, a pele iluminada pelo abajur, e entre elas o algodão da calcinha escurecido pela humidade. A saia molhada nas escamas denunciava tudo — o cheiro, o calor, a evidência que não precisava de palavras.

Ela gemeu quando os dedos dele pressionaram a calcinha encharcada, o som abafado contra os dentes que mordiam o lábio. Os quadris arquearam-se, empurrando a vulva contra a mão dele, um movimento involuntário, desesperado. Os dedos afastaram a calcinha molhada para o lado, a pele nua da vulva exposta ao ar.

Os dedos ainda estavam molhados da calcinha dela quando ele a agarrou pelas coxas e a ergueu do chão. As costas dela bateram contra a parede com um baque surdo, o quadro a tremer, o abajur a oscilar no criado-mudo. A camisa aberta dele pendia dos ombros, os botões restantes a tilintarem contra o peito nu. A saia dela continuava enrolada na cintura, o tecido encharcado a colar-se à pele.

Ela envolveu as pernas na cintura dele, os calcanhares a cravar-se nas costas nuas, as coxas a apertarem-lhe os flancos. Ele não esperou. A mão desceu ao pau duro, guiou a glande até à entrada molhada dela e empurrou. Um golpe só, seco, até ao fundo. A buceta apertada engoliu-o inteiro, as paredes a contraírem-se num espasmo quente. Ela gritou — um som agudo que lhe rasgou a garganta e morreu contra o pescoço dele.

A umidade escorreu pela base do pau, pelas coxas dela, um fio quente que desceu até aos joelhos. Ele não deu pausa. Os quadris recuaram e avançaram outra vez, o pau a sair quase todo e a entrar de novo, o som de carne molhada a bater a encher o quarto. Rápido. Brutal. Os testículos batiam contra a bunda dela a cada estocada, o ritmo acelerado, sem trégua.

As unhas dela cravaram-se nas costas dele, arranhando a pele nua, deixando marcas vermelhas que ardiam com o suor. As costas dela arqueavam-se a cada investida, os seios ainda presos na renda do sutiã a roçarem o peito dele. Ele mordeu-lhe o pescoço — dentes na carne, língua no sulco entre o ombro e a orelha, o gosto salgado do suor dela na boca. O gemido dela saiu-lhe entrecortado, um som que se partia a cada estocada.

Os quadris dele empurravam com força, estocadas curtas e profundas, o pau enterrado até ao fundo. A saia molhada colava-se à barriga dele, o tecido a esfregar-se na pele a cada movimento. O cheiro a sexo subia, quente e denso, misturado com o suor dos dois corpos grudados.

Ela veio primeiro. A buceta apertou o pau dele em espasmos, contrações rápidas que o sugaram ainda mais fundo. Um líquido quente jorrou sobre a glande e escorreu pelas coxas dos dois. O gemido dela transformou-se num grito longo que lhe rasgou a garganta. Ele sentiu o orgasmo dela a pulsar à volta do pau e deixou-se ir — os jatos de porra quente a encherem-na por dentro, o pau a pulsar a cada jato, enterrado até à base. Um gemido rouco escapou-lhe contra a orelha dela.

A porra escorre pelas coxas dela quando ele finalmente para de se mover, os dois ofegantes contra a parede.

Os joelhos cederam ao mesmo tempo. Ele envolveu-a nos braços e deixou-se escorregar pela parede até ao chão, as costas nuas contra a tinta fria, ela aninhada contra o peito dele, o pau ainda enterrado, mole e quente. A respiração dos dois acalmou num ritmo único, os peitos a subir e descer colados. 

Ela afastou o cabelo escuro da testa com os dedos trémulos e ergueu o rosto para ele. Não disse nada. A mão pousou no peito dele, a palma aberta sobre o coração, sentindo cada batida a abrandar. A porra morna escorria-lhe entre as coxas, um fio lento que lhe descia pela pele e pingava no tapete. 

A saia, ainda enrolada na cintura, mantinha a humidade escura do tecido colada às ancas. Ao lado deles, a camisa jazia no chão, os botões espalhados como pequenas contas no tapete. Os dedos dela encontraram um e fecharam-se à volta dele, um sorriso cansado nos lábios.




  Cléia Fialho

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O GOSTO DA SAUDADE



Ela desceu devagar, os joelhos encontrando o chão frio do corredor, as rótulas pressionando a madeira gasta. O peso do corpo repousou ali, ancorado, e as mãos subiram lentas até pousarem nas coxas dele. A palma direita espalmou-se sobre o tecido da calça, sentindo o calor que irradiava do músculo tenso. 

Ele olhou-a de cima, a mão pesando no ombro dela antes de deslizar para a nuca, os dedos enterrando-se no cabelo escuro. Ela encostou a bochecha na coxa dele e sentiu o músculo estremecer sob a pele. Os dedos dele apertaram o cabelo dela e a coxa tremeu sob a bochecha.

Os dedos dela subiram até o cós da calça dele, a ponta do indicador encontrando o botão metálico. Desabotoou-o com uma lentidão que fez o estalo do metal ecoar no silêncio do corredor. O zíper desceu dente por dente, o som áspero preenchendo o espaço entre os corpos. As mãos dela agarraram o tecido nas coxas dele e puxaram para baixo, expondo a pele morena, o elástico da cueca, o osso do quadril saliente sob a carne.

Ela inclinou a cabeça e encostou a boca na linha do quadril. A língua saiu molhada, lenta, lambendo a pele salgada que a saudade guardou. A saliva brilhou sobre o osso, escorreu um fio fino que ela recolheu com a ponta da língua antes de descer. A boca percorreu a virilha, traçando a raiz do pau com a ponta molhada, sentindo a veia pulsar sob a pele quente.

Ele soltou um gemido rouco, involuntário, a glote queimando o nome dela antes de se perder num sopro. A mão esquerda fechou-se no ombro dela, os dedos cravando com força. Ela abriu mais a boca e a ponta da língua tocou a cabeça do pau. A coxa dele tremeu.

A boca desceu. Os lábios se abriram e o pau entrou — a cabeça primeiro, alargando a língua, depois a haste grossa deslizando até o fundo. A garganta se fechou ao redor dele e ela não recuou. Os lábios apertaram na base, a ponta do nariz encostando no osso do púbis, o cheiro dele enchendo os pulmões. A saliva escorreu pelo canto da boca, um fio grosso que pingou na coxa dela e brilhou sob a luz fraca do corredor.

Ela não tinha pressa. A língua massageava a parte de baixo do pau, a veia pulsando contra a ponta molhada enquanto sugava devagar. Subia e descia. Cada sugada arrancava um som diferente dele — um gemido rouco, uma sílaba quebrada, o nome dela mastigado entre os dentes. A glote dele ardia a cada vez que ela engolia o pau até o fundo e ficava lá, parada, a garganta contraindo ao redor da cabeça.

Os quadris dele avançaram. O pau bateu no fundo da garganta e ela engasgou, os olhos se estreitando, mas não tirou a boca. As mãos subiram e agarraram as coxas dele — os dedos cravando na carne morena, as unhas deixando meias-luas na pele. Ela freou o ritmo. Segurou as coxas com força e manteve a boca apertada, a sucção lenta, o vai-e-vem que ela controlava.

— Não aguento — a voz dele saiu rasgada, a glote ardendo, a ordem virada em súplica.

A coxa direita tremeu contra o ombro dela. O músculo saltou sob os dedos, incontrolável, e ela sentiu o tremor se espalhar pelo corpo dele. Ele tentou empurrar de novo e ela cravou mais fundo as unhas, prendendo-o no lugar. A boca acelerou. A língua achatou contra a parte de baixo do pau, a sucção ficou mais forte, os lábios deslizando com a saliva que escorria sem parar.

O gemido que ele soltou ardeu na glote. As cordas vocais rasgaram o som, um urro rouco que ecoou no corredor estreito, e o pau pulsou na boca dela. O primeiro jato de esperma atingiu a língua — quente, salgado, espesso. O segundo foi direto no fundo da garganta. Ela engoliu. 

A garganta contraiu ao redor da cabeça do pau e ele gemeu de novo, mais fraco, a voz destruída. O terceiro jato encheu a boca e ela engoliu outra vez, os lábios ainda apertados na base, os dedos ainda cravados nas coxas dele.

O joelho doía contra o chão frio do corredor. Ela não se moveu. A boca continuou sugando, devagar agora, recolhendo o que restava, a língua limpando a ponta enquanto o pau pulsava vazio. Ele soltou o último gemido rouco e o pau dele pulsou vazio na boca dela.

Ela soltou-o devagar, os lábios descolando da pele com um som molhado. A saliva e o esperma brilhavam na boca entreaberta. Passou o dorso da mão pelos lábios, limpando o que escorria, e o gesto foi lento, quase cerimonioso. Os olhos ainda fixos nele.

O joelho doía contra o chão frio do corredor quando ela se levantou. As pernas tremiam. A dormência subia pela coxa, mas ela não se apoiou em nada. Ficou de pé diante dele, o cabelo escuro caindo solto sobre os ombros, a respiração ainda funda.

Ele a puxou pela cintura. As mãos dele agarraram a curva das ancas com força, como se precisasse de um ponto fixo no mundo. Encostou a testa no ventre dela. A respiração ainda irregular, o peito subindo e descendo contra as coxas dela. O corpo dele tremia, mas agora era um tremor diferente — não de prazer, mas de rendição.

— Meu senhor — ela sussurrou.

E ele, com a testa ainda pressionada contra o ventre dela, sussurrou o nome dela pela primeira vez.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A MESA DO CENTRO



Levantou-se da cadeira com um movimento brusco, o estalido da madeira contra o chão a ecoar pelas paredes finas da casa. Os olhos escuros cravaram-se nela, e antes que pudesse recuar, empurrou-a para dentro. As costas dela bateram na parede com um baque surdo, a respiração suspensa. 

Arrastou-a pelo pulso até à mesa, a superfície de madeira fria a brilhar sob a luz baça. Deitou-a de costas, o corpo esguio a estremecer contra a dureza da mesa. Com uma mão, agarrou-lhe os pulsos e prendeu-os acima da cabeça. Ela gemeu, as pernas nuas a envolverem-lhe a cintura, os calcanhares cravados nas costas dele. Ele forçou-lhe as coxas abertas sobre a mesa.

Com uma das mãos, agarrou-lhe os pulsos e prendeu-os acima da cabeça. Ela gemeu, as pernas nuas a envolverem-lhe a cintura, os calcanhares cravados nas costas dele. Ele forçou-lhe as coxas abertas sobre a mesa. As mãos dele desceram-lhe pelas ancas, os polegares a cravar-se na carne macia da parte interna das coxas. 

Afastou-lhe as pernas até os joelhos dela ficarem completamente abertos, exposta sobre a madeira fria, os pés a balançar no ar. Ela tentou fechar as coxas por instinto, o pudor a travar o corpo, mas ele segurou-lhe os joelhos com força e abriu-a de vez. A mesa rangeu sob o peso dos dois.

— Assim. — A voz dele saiu rouca, imperativa, os maxilares cerrados. — Quero-te toda aberta.

Ela arqueou as costas, os lábios entreabertos, os olhos vidrados. Ele posicionou-se entre as pernas nuas dela, o pau duro a roçar-lhe a entrada da cona já molhada. Uma pausa. O silêncio da casa a pesar sobre os dois. As paredes finas que nunca guardaram segredo algum. Ele sabia. Ela sabia. E naquele instante, nenhum dos dois se importou.

Entrou nela com uma estocada seca, funda, até à base.

O pau abriu-lhe a cona no exacto centro, a cabeça a forçar a passagem, a carne a ceder de uma só vez. Ela soltou um gemido agudo e involuntário, tão alto que ecoou pelas paredes finas, pela casa inteira. O som ricocheteou no teto, desceu pelo corredor, atravessou as divisões vazias. Qualquer pessoa ali dentro teria ouvido. Qualquer pessoa ali dentro saberia exatamente o que estava a acontecer sobre a mesa.

Ele não lhe deu tempo para se recompor. Começou a bombear dentro dela com um ritmo implacável, as bolas a baterem contra o cu dela a cada estocada. A madeira da mesa a ranger num compasso frenético, o corpo esguio dela a ricochetear contra a superfície dura. Ele cravou-lhe os dedos nas ancas e puxou-a contra si, o pau a entrar mais fundo, a raspar contra as paredes da cona, a alargá-la a cada investida.

— Mais fundo... — A súplica dela saiu em voz alta, as palavras a quebrarem-se num gemido. — Por favor, mais fundo...

Os fluidos da cona dela escorriam pelo pau dele, a poçar na madeira da mesa, uma mancha escura a alastrar sob o corpo dela. O cheiro a sexo encheu a divisão. Ele olhou para baixo, para o ponto onde os corpos se uniam, o pau a desaparecer dentro dela, a sair coberto de brilho, a entrar de novo. O vaivém molhado produzia um som obsceno, um chupar líquido que se somava aos gemidos dela.

Ela agarrou-se à borda da mesa com as duas mãos, os nós dos dedos brancos. A cabeça tombou para trás, a garganta exposta, e da boca escapou um grito. Não um gemido. Um grito. As súplicas dela ecoaram pela casa inteira, as paredes finas a tremerem com o som. Ele sentiu a cona dela apertar-lhe o pau em espasmos, o corpo a tremer, os calcanhares a cravar-se-lhe nas costas. Ela veio-se a gritar, as palavras a desfazerem-se em sons quebrados, a voz a falhar.

Ele estocou três vezes mais fundo. Quatro. Cinco. O pau a enterrar-se até à base, a cabeça a bater contra o fundo do útero. E então libertou-se. O leite quente jorrou dentro dela, a encher-lhe a cona, a escorrer para a mesa quando ele se retirou devagar. O líquido branco a poçar na madeira, a misturar-se com os fluidos dela.

O silêncio voltou à casa. Apenas a respiração de ambos, pesada, irregular, a preencher o vazio que os gritos deixaram.

Ele recuou devagar, o pau a sair da cona dela com um som húmido, um estalar molhado que ecoou na sala silenciosa. O corpo dele ainda tremia, a respiração pesada a raspar-lhe a garganta. A Mulher permaneceu deitada na mesa, as pernas nuas abertas, os joelhos caídos para os lados. 

O leite branco escorria da cona aberta, um fio grosso a descer pela pele da coxa, a gotejar para a madeira escura da mesa. O líquido poçava na superfície, a misturar-se com os fluidos dela, uma mancha que se espalhava devagar.

Ele olhou para as paredes finas da casa. O silêncio agora era diferente — não vazio, mas carregado. Cada centímetro daquelas paredes tinha absorvido as súplicas dela, os gritos quebrados, o som do corpo a ceder. A casa inteira ouvira. E no silêncio, o que ficava não era vergonha. Era a certeza do que tinham feito.

A Mulher rolou a cabeça para o lado, os lábios ainda entreabertos, a respiração a acalmar. As súplicas tinham-se desfeito num sorriso exausto, os olhos semicerrados a encontrarem os dele. Estendeu a mão trémula e puxou-o para um beijo lento, os dedos a agarrarem-lhe a nuca. As súplicas dela já não eram segredo na casa.




  Cléia Fialho