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domingo, 9 de fevereiro de 2014

O GOSTO DA SAUDADE




Ela desceu devagar, os joelhos encontrando o chão frio do corredor, as rótulas pressionando a madeira gasta. O peso do corpo repousou ali, ancorado, e as mãos subiram lentas até pousarem nas coxas dele. A palma direita espalmou-se sobre o tecido da calça, sentindo o calor que irradiava do músculo tenso. 

Ele olhou-a de cima, a mão pesando no ombro dela antes de deslizar para a nuca, os dedos enterrando-se no cabelo escuro. Ela encostou a bochecha na coxa dele e sentiu o músculo estremecer sob a pele. Os dedos dele apertaram o cabelo dela e a coxa tremeu sob a bochecha.

Os dedos dela subiram até o cós da calça dele, a ponta do indicador encontrando o botão metálico. Desabotoou-o com uma lentidão que fez o estalo do metal ecoar no silêncio do corredor. O zíper desceu dente por dente, o som áspero preenchendo o espaço entre os corpos. As mãos dela agarraram o tecido nas coxas dele e puxaram para baixo, expondo a pele morena, o elástico da cueca, o osso do quadril saliente sob a carne.

Ela inclinou a cabeça e encostou a boca na linha do quadril. A língua saiu molhada, lenta, lambendo a pele salgada que a saudade guardou. A saliva brilhou sobre o osso, escorreu um fio fino que ela recolheu com a ponta da língua antes de descer. A boca percorreu a virilha, traçando a raiz do pau com a ponta molhada, sentindo a veia pulsar sob a pele quente.

Ele soltou um gemido rouco, involuntário, a glote queimando o nome dela antes de se perder num sopro. A mão esquerda fechou-se no ombro dela, os dedos cravando com força. Ela abriu mais a boca e a ponta da língua tocou a cabeça do pau. A coxa dele tremeu.

A boca desceu. Os lábios se abriram e o pau entrou — a cabeça primeiro, alargando a língua, depois a haste grossa deslizando até o fundo. A garganta se fechou ao redor dele e ela não recuou. Os lábios apertaram na base, a ponta do nariz encostando no osso do púbis, o cheiro dele enchendo os pulmões. A saliva escorreu pelo canto da boca, um fio grosso que pingou na coxa dela e brilhou sob a luz fraca do corredor.

Ela não tinha pressa. A língua massageava a parte de baixo do pau, a veia pulsando contra a ponta molhada enquanto sugava devagar. Subia e descia. Cada sugada arrancava um som diferente dele — um gemido rouco, uma sílaba quebrada, o nome dela mastigado entre os dentes. A glote dele ardia a cada vez que ela engolia o pau até o fundo e ficava lá, parada, a garganta contraindo ao redor da cabeça.

Os quadris dele avançaram. O pau bateu no fundo da garganta e ela engasgou, os olhos se estreitando, mas não tirou a boca. As mãos subiram e agarraram as coxas dele — os dedos cravando na carne morena, as unhas deixando meias-luas na pele. Ela freou o ritmo. Segurou as coxas com força e manteve a boca apertada, a sucção lenta, o vai-e-vem que ela controlava.

— Não aguento — a voz dele saiu rasgada, a glote ardendo, a ordem virada em súplica.

A coxa direita tremeu contra o ombro dela. O músculo saltou sob os dedos, incontrolável, e ela sentiu o tremor se espalhar pelo corpo dele. Ele tentou empurrar de novo e ela cravou mais fundo as unhas, prendendo-o no lugar. A boca acelerou. A língua achatou contra a parte de baixo do pau, a sucção ficou mais forte, os lábios deslizando com a saliva que escorria sem parar.

O gemido que ele soltou ardeu na glote. As cordas vocais rasgaram o som, um urro rouco que ecoou no corredor estreito, e o pau pulsou na boca dela. O primeiro jato de esperma atingiu a língua — quente, salgado, espesso. O segundo foi direto no fundo da garganta. Ela engoliu. 

A garganta contraiu ao redor da cabeça do pau e ele gemeu de novo, mais fraco, a voz destruída. O terceiro jato encheu a boca e ela engoliu outra vez, os lábios ainda apertados na base, os dedos ainda cravados nas coxas dele.

O joelho doía contra o chão frio do corredor. Ela não se moveu. A boca continuou sugando, devagar agora, recolhendo o que restava, a língua limpando a ponta enquanto o pau pulsava vazio. Ele soltou o último gemido rouco e o pau dele pulsou vazio na boca dela.

Ela soltou-o devagar, os lábios descolando da pele com um som molhado. A saliva e o esperma brilhavam na boca entreaberta. Passou o dorso da mão pelos lábios, limpando o que escorria, e o gesto foi lento, quase cerimonioso. Os olhos ainda fixos nele.

O joelho doía contra o chão frio do corredor quando ela se levantou. As pernas tremiam. A dormência subia pela coxa, mas ela não se apoiou em nada. Ficou de pé diante dele, o cabelo escuro caindo solto sobre os ombros, a respiração ainda funda.

Ele a puxou pela cintura. As mãos dele agarraram a curva das ancas com força, como se precisasse de um ponto fixo no mundo. Encostou a testa no ventre dela. A respiração ainda irregular, o peito subindo e descendo contra as coxas dela. O corpo dele tremia, mas agora era um tremor diferente — não de prazer, mas de rendição.

— Meu senhor — ela sussurrou.

E ele, com a testa ainda pressionada contra o ventre dela, sussurrou o nome dela pela primeira vez.







Cléia Fialho

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