Ela tentou virar-se de costas, o corpo a pedir tréguas, mas as mãos dele fecharam-se-lhe nos ombros e impediram o movimento. Os dedos calejados cravaram-se na pele macia, mantendo-a de bruços contra o colchão. Ele inclinou-se, o hálito quente a roçar-lhe a nuca, a barba por fazer a arranhar-lhe a orelha.
A voz saiu rouca, um comando que lhe vibrou na espinha. Ela arqueou-se, instintiva, as ancas a empinarem-se como se o corpo soubesse o que vinha antes da mente ceder. Ele agarrou-lhe o queixo, virou-lhe o rosto e tomou-lhe a boca com uma fome de seis meses represada. Língua a invadir, saliva misturada, dentes a morder o lábio inferior. Ela gemeu para dentro dele, rendida. As mãos dele desceram, agarraram a roupa, puxaram com força até o tecido ceder e as ancas dela ficarem nuas e erguidas sob os dedos que já se abriam para as tomar.
O movimento foi brusco. As mãos calejadas viraram-na de bruços antes que ela pudesse protestar, o rosto afundado no colchão, o cabelo escuro espalhado. Ele agarrou-lhe as ancas com ambas as mãos, os dedos a afundarem-se na carne macia, e ergueu-as.
Afastou-lhe as pernas com o joelho, abrindo-a. Abaixou a boca. A língua percorreu a curva da anca, mordeu a nádega, desceu até à fenda. Lambeu do clitóris à entrada, a saliva a escorrer. Ela gemeu, involuntária, as ancas a tremerem contra a boca dele. Os polegares espalharam-lhe as nádegas, abriram os lábios da concha. A língua penetrou, funda, e as ancas erguidas imploraram, pingando saliva e excitação.
A boca ainda lhe escorria da concha quando ele se ergueu atrás dela. Os joelhos afundaram no colchão, as mãos calejadas a agarrarem-lhe as ancas erguidas com força de quem não pede licença. O pau estava duro, pesado, a latejar contra a nádega dela enquanto ele se posicionava.
A glande roçou os lábios molhados, a fenda aberta e a pingar da saliva e do líquido que ela já não controlava. Ele não avisou. Uma mão no quadril, a outra na base do pau, e empurrou. Uma estocada só, até ao fundo, a concha a abrir-se de repente para o receber inteiro.
Ela gritou contra o colchão, os dedos a agarrarem os lençóis. O corpo arqueou-se, as ancas erguidas a recuarem instintivamente para ele, e ele gemeu — um som rouco, gutural, que lhe saiu do peito como se tivesse acabado de matar a sede depois de seis meses no deserto. A concha apertou-o, quente, molhada, e ele não esperou que ela se adaptasse. Recuou as ancas e voltou a entrar, brutal, o som molhado do sexo a encher o quarto abafado.
— Assim — rosnou ele, a voz a tremer de prazer contido. — Assim, de quatro, como eu queria.
As estocadas começaram rápidas, fundas, o ritmo a construir-se em segundos. As ancas dele batiam contra as nádegas dela com um estalo seco e repetido, a pele suada a colar-se e a soltar-se a cada embate. O líquido vaginal escorria pelo pau, pelas coxas dela, e o som era obsceno — molhado, viscoso, a cada investida.
Ele agarrou-lhe o cabelo escuro com uma mão, enrolou os dedos na raiz e puxou para trás. A cabeça dela ergueu-se, a coluna arqueou, e as ancas erguidas empinaram-se ainda mais, oferecendo a concha num ângulo que o fez entrar ainda mais fundo.
Ela gemia a cada estocada, sons entrecortados que saíam involuntários, a voz a falhar quando a glande batia no fundo. Ele largou-lhe o cabelo e agarrou-lhe as ancas com as duas mãos, os polegares a afundarem-se na carne macia, e fodeu-a com um ritmo que já não era controlado — era necessidade, fome, seis meses a saírem do corpo em cada investida. O suor escorria-lhe pelas costas, os testículos a baterem contra o clitóris dela a cada embate.
— Vai-te — ordenou ele, a voz rouca e tensa. — Vai-te agora.
E ela foi. O orgasmo rebentou num grito que lhe saiu da garganta como um soluço, a concha a apertar o pau em espasmos violentos, as paredes a contraírem-se e a puxarem-no para dentro. Ele gemeu, sentiu o aperto, e continuou a foder através do orgasmo dela, as estocadas agora erráticas, brutais.
O líquido dela escorreu pelas coxas, pelo pau, e ele rugiu quando o próprio orgasmo o atingiu — um jorro quente e espesso que lhe encheu a concha em espasmos, a pulsar dentro dela enquanto as ancas dele batiam uma última vez contra as nádegas e paravam, enterrado até ao fundo.
Ela caiu de bruços, o corpo a tremer, a concha ainda a apertá-lo em espasmos fracos. Ele saiu devagar, o pau a escorregar da fenda molhada, e o esperma começou a escorrer — branco, espesso, a descer pelos lábios da concha e pelas coxas trémulas enquanto ela respirava ofegante, de bruços, rendida.
Ele deixou-se cair sobre as costas dela, o peito colado à pele suada, o peso do corpo a cobri-la por inteiro. As respirações de ambos acertaram o compasso, lentas, pesadas, o ar quente a sair-lhes das bocas em sincronia. A mão calejada subiu até à nuca dela e os lábios pousaram ali, um beijo lento, sem pressa, a urgência finalmente dissipada.
Ela virou a cabeça de lado, os olhos fundos a encará-lo, rendidos, exaustos, sem uma palavra. Ele acariciou-lhe as ancas com toques leves, a ponta dos dedos a deslizar sobre a pele húmida, o esperma ainda a escorrer entre as coxas dela, morno e espesso. A mão pousou nas ancas erguidas, imóvel. Os dois ficaram quietos na escuridão.
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Cléia Fialho
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