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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A PROMESSA DO TEU CORPO




Os dedos dele entrelaçam-se nos dela e cravam os pulsos contra o colchão encharcado. O suor escorre entre as palmas, os polegares marcam a pele fina dos pulsos dela, e ele não desvia o olhar. O peito sobe e desce contra o dela, o peso do corpo a prendê-la inteira.

Ela arqueia as ancas devagar, a bacia a subir para o encontro da glande que roça os grandes lábios. O primeiro líquido escorre — a água escondida que ela ainda tenta reter — e espalma-se pela fenda quando a ponta do pau desliza, húmida, sem entrar.

Um gemido escapa-se-lhe. O primeiro verso ao ar, curto e entrecortado, ainda preso entre os dentes.

Ele sorri contra o pescoço dela, os lábios colados à pele quente, e empurra as ancas só um pouco. A glande abre a entrada molhada. Um centímetro. Ela solta um som que já não é gemido — é verso partido.

Ele não espera mais. As ancas recuam só o suficiente para a glande sair quase toda — só a ponta ainda dentro, a sentir o anel de músculo a apertar — e depois enterra até à base numa estocada seca que arranca um grito a ela e um grunhido a ele.

A cona aperta-o de imediato. As paredes quentes e molhadas contraem-se à volta do pau como se o corpo dela recusasse deixá-lo sair. Ele fica ali, enterrado até aos ovos, a sentir cada espasmo, cada pulsação minúscula que lhe sobe pela verga e lhe aperta a base.

— Assim… — ela geme, e a palavra sai partida, sílaba a sílaba, um verso ao ar que ainda não encontra a rima.

Ele começa a mover-se. As estocadas saem duras, ritmadas, os ovos a bater contra o períneo dela com um som húmido e pesado que se repete a cada investida. O lençol já não absorve mais nada — a água escondida dela escorre pela base do pau, desce pelos testículos, pinga para o colchão numa mancha escura que se alastra.

O prepúcio rasga para trás a cada entrada. A glande, exposta e inchada, esfrega o ponto G dela com batidas secas e repetidas, e a cada toque ela solta um som novo — um verso desordenado, rouco, que já não obedece a métrica nenhuma.

— Mais… mais fundo…

Ele obedece. As mãos descem para as ancas dela e cravam-se na carne, os dedos a deixar marcas vermelhas que hão de ficar roxas de manhã. Puxa-a contra cada estocada, acelera o ritmo até ser brutal e descompassado, o som de carne húmida a chocar a encher o quarto. O cu dela levanta do colchão a cada investida, engolindo o pau até aos ovos, e ele sente o líquido dela a jorrar em espasmos pela fenda, a encharcar-lhe os pêlos púbicos, a escorrer pelo rego do cu até ao lençol.

Ela crava as unhas nas costas dele. Arranha até sangrar, riscos finos que ardem com o suor, e as coxas tremem e fecham-se à volta dos rins dele como se o corpo inteiro dela fosse um nó a apertar.

O aperto da cona aumenta. As paredes contraem-se em espasmos involuntários, um ritmo que já não é o dele — é o dela, o corpo a tomar o controlo, a leitá-lo com cada convulsão molhada.

— Quase… — ele grunhe contra o pescoço dela. — Quase a chegar…

Ela solta um grito agudo — o último verso ao ar, alto e rouco, uma poesia que não precisa de palavras — e a cona aperta em convulsões molhadas que o puxam para dentro, que o seguram, que o ordenam.

O pau dele pulsa dentro dela e o primeiro jacto de leite quente bate no fundo da cona enquanto ela grita o seu nome.

O peso dele desaba sobre ela, o peito a achatar-lhe os seios, o coração a martelar contra as costelas como se ainda não tivesse percebido que o corpo já parou. O pau ainda enterrado, mole mas latejante, e cada pulsação ecoa nas paredes da cona que continuam a apertar — espasmos fracos, já sem força, mas teimosos, como se o corpo dela se recusasse a deixá-lo ir. Cada contração espreme o que resta dele lá dentro, um último fio de leite que escorre da glande e se perde na água escondida que ainda a inunda.

Ela afasta o cabelo húmido do rosto dele com dedos que tremem. Os fios escuros colam-se à testa suada, e ela beija-o ali, devagar, os lábios a pousar na pele quente como se fosse o único lugar do mundo onde ainda existe chão. O corpo dela treme — um cansaço que vem do fundo dos ossos, das coxas que arderam abertas, do ventre que ainda se contrai em ondas cada vez mais espaçadas.

Ele sente a mistura a escorrer pelos ovos. Leite branco e o líquido transparente dela, morno e espesso, a descer pelo saco até manchar o lençol. O pau escorrega para fora da cona — devagar, sem resistência, seguido por um fio grosso que liga a glande à fenda e se parte, pingando na mancha escura que já se alastra no tecido. As coxas dela tremem uma última vez, um espasmo que lhe sacode o corpo inteiro, e a água escondida e o leite escorrem pelo rego do cu até ao lençol encharcado.

Os dedos dela entrelaçam-se nos dele sobre o lençol molhado, e ele sussurra contra a testa suada que a promessa está cumprida.







Cléia Fialho

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