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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A PELE SOB A CAMISA




Os dedos dele encontraram os ombros dela primeiro — firmes, quentes, cravando-se no tecido leve da camisa. Puxou o corpo dela contra o seu num só movimento, a respiração já curta, os olhos escuros fixos nos botões que o separavam da pele. O primeiro cedeu com um estalo seco. Os dedos tremiam — a urgência a trair o controlo que ele queria manter. O segundo botão abriu-se com menos resistência, o tecido a afastar-se, revelando a alça rendada do sutiã.

A boca dele desceu. Lábios entreabertos traçaram a curva do pescoço dela, a língua a provar o sal da pele, os dentes a mordiscar de leve o ponto onde o pulso batia acelerado. Ela inclinou a cabeça para trás, a garganta exposta, um suspiro entrecortado a escapar-lhe dos lábios. As mãos dela agarraram os ombros dele, unhas cravadas no tecido da camisa, as costas a arquear-se num convite involuntário.

O terceiro botão cedeu. Depois o quarto. A camisa aberta pendia-lhe dos cotovelos, o sutiã exposto sob a luz dourada do abajur.

A mão desceu do pescoço dela, os dedos a arrastarem-se pela clavícula exposta, pelo esterno, pela curva do peito ainda coberto pela renda. A palma espalmou-se sobre o ventre dela — firme, quente, a carne a contrair-se sob o toque. Ele sentiu o músculo estremecer, a respiração dela suspensa.

Os dedos agarraram a barra da saia leve e ergueram o tecido até à cintura. As coxas apareceram, a pele iluminada pelo abajur, e entre elas o algodão da calcinha escurecido pela humidade. A saia molhada nas escamas denunciava tudo — o cheiro, o calor, a evidência que não precisava de palavras.

Ela gemeu quando os dedos dele pressionaram a calcinha encharcada, o som abafado contra os dentes que mordiam o lábio. Os quadris arquearam-se, empurrando a vulva contra a mão dele, um movimento involuntário, desesperado. Os dedos afastaram a calcinha molhada para o lado, a pele nua da vulva exposta ao ar.

Os dedos ainda estavam molhados da calcinha dela quando ele a agarrou pelas coxas e a ergueu do chão. As costas dela bateram contra a parede com um baque surdo, o quadro a tremer, o abajur a oscilar no criado-mudo. A camisa aberta dele pendia dos ombros, os botões restantes a tilintarem contra o peito nu. A saia dela continuava enrolada na cintura, o tecido encharcado a colar-se à pele.

Ela envolveu as pernas na cintura dele, os calcanhares a cravar-se nas costas nuas, as coxas a apertarem-lhe os flancos. Ele não esperou. A mão desceu ao pau duro, guiou a glande até à entrada molhada dela e empurrou. Um golpe só, seco, até ao fundo. A buceta apertada engoliu-o inteiro, as paredes a contraírem-se num espasmo quente. Ela gritou — um som agudo que lhe rasgou a garganta e morreu contra o pescoço dele.

A umidade escorreu pela base do pau, pelas coxas dela, um fio quente que desceu até aos joelhos. Ele não deu pausa. Os quadris recuaram e avançaram outra vez, o pau a sair quase todo e a entrar de novo, o som de carne molhada a bater a encher o quarto. Rápido. Brutal. Os testículos batiam contra a bunda dela a cada estocada, o ritmo acelerado, sem trégua.

As unhas dela cravaram-se nas costas dele, arranhando a pele nua, deixando marcas vermelhas que ardiam com o suor. As costas dela arqueavam-se a cada investida, os seios ainda presos na renda do sutiã a roçarem o peito dele. Ele mordeu-lhe o pescoço — dentes na carne, língua no sulco entre o ombro e a orelha, o gosto salgado do suor dela na boca. O gemido dela saiu-lhe entrecortado, um som que se partia a cada estocada.

Os quadris dele empurravam com força, estocadas curtas e profundas, o pau enterrado até ao fundo. A saia molhada colava-se à barriga dele, o tecido a esfregar-se na pele a cada movimento. O cheiro a sexo subia, quente e denso, misturado com o suor dos dois corpos grudados.

Ela veio primeiro. A buceta apertou o pau dele em espasmos, contrações rápidas que o sugaram ainda mais fundo. Um líquido quente jorrou sobre a glande e escorreu pelas coxas dos dois. O gemido dela transformou-se num grito longo que lhe rasgou a garganta. Ele sentiu o orgasmo dela a pulsar à volta do pau e deixou-se ir — os jatos de porra quente a encherem-na por dentro, o pau a pulsar a cada jato, enterrado até à base. Um gemido rouco escapou-lhe contra a orelha dela.

A porra escorre pelas coxas dela quando ele finalmente para de se mover, os dois ofegantes contra a parede.

Os joelhos cederam ao mesmo tempo. Ele envolveu-a nos braços e deixou-se escorregar pela parede até ao chão, as costas nuas contra a tinta fria, ela aninhada contra o peito dele, o pau ainda enterrado, mole e quente. A respiração dos dois acalmou num ritmo único, os peitos a subir e descer colados. 

Ela afastou o cabelo escuro da testa com os dedos trémulos e ergueu o rosto para ele. Não disse nada. A mão pousou no peito dele, a palma aberta sobre o coração, sentindo cada batida a abrandar. A porra morna escorria-lhe entre as coxas, um fio lento que lhe descia pela pele e pingava no tapete. 

A saia, ainda enrolada na cintura, mantinha a humidade escura do tecido colada às ancas. Ao lado deles, a camisa jazia no chão, os botões espalhados como pequenas contas no tapete. Os dedos dela encontraram um e fecharam-se à volta dele, um sorriso cansado nos lábios.






Cléia Fialho

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