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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A MESA DO CENTRO




Levantou-se da cadeira com um movimento brusco, o estalido da madeira contra o chão a ecoar pelas paredes finas da casa. Os olhos escuros cravaram-se nela, e antes que pudesse recuar, empurrou-a para dentro. As costas dela bateram na parede com um baque surdo, a respiração suspensa. 

Arrastou-a pelo pulso até à mesa, a superfície de madeira fria a brilhar sob a luz baça. Deitou-a de costas, o corpo esguio a estremecer contra a dureza da mesa. Com uma mão, agarrou-lhe os pulsos e prendeu-os acima da cabeça. Ela gemeu, as pernas nuas a envolverem-lhe a cintura, os calcanhares cravados nas costas dele. Ele forçou-lhe as coxas abertas sobre a mesa.

Com uma das mãos, agarrou-lhe os pulsos e prendeu-os acima da cabeça. Ela gemeu, as pernas nuas a envolverem-lhe a cintura, os calcanhares cravados nas costas dele. Ele forçou-lhe as coxas abertas sobre a mesa. As mãos dele desceram-lhe pelas ancas, os polegares a cravar-se na carne macia da parte interna das coxas. 

Afastou-lhe as pernas até os joelhos dela ficarem completamente abertos, exposta sobre a madeira fria, os pés a balançar no ar. Ela tentou fechar as coxas por instinto, o pudor a travar o corpo, mas ele segurou-lhe os joelhos com força e abriu-a de vez. A mesa rangeu sob o peso dos dois.

— Assim. — A voz dele saiu rouca, imperativa, os maxilares cerrados. — Quero-te toda aberta.

Ela arqueou as costas, os lábios entreabertos, os olhos vidrados. Ele posicionou-se entre as pernas nuas dela, o pau duro a roçar-lhe a entrada da cona já molhada. Uma pausa. O silêncio da casa a pesar sobre os dois. As paredes finas que nunca guardaram segredo algum. Ele sabia. Ela sabia. E naquele instante, nenhum dos dois se importou.

Entrou nela com uma estocada seca, funda, até à base.

O pau abriu-lhe a cona no exacto centro, a cabeça a forçar a passagem, a carne a ceder de uma só vez. Ela soltou um gemido agudo e involuntário, tão alto que ecoou pelas paredes finas, pela casa inteira. O som ricocheteou no teto, desceu pelo corredor, atravessou as divisões vazias. Qualquer pessoa ali dentro teria ouvido. Qualquer pessoa ali dentro saberia exatamente o que estava a acontecer sobre a mesa.

Ele não lhe deu tempo para se recompor. Começou a bombear dentro dela com um ritmo implacável, as bolas a baterem contra o cu dela a cada estocada. A madeira da mesa a ranger num compasso frenético, o corpo esguio dela a ricochetear contra a superfície dura. Ele cravou-lhe os dedos nas ancas e puxou-a contra si, o pau a entrar mais fundo, a raspar contra as paredes da cona, a alargá-la a cada investida.

— Mais fundo... — A súplica dela saiu em voz alta, as palavras a quebrarem-se num gemido. — Por favor, mais fundo...

Os fluidos da cona dela escorriam pelo pau dele, a poçar na madeira da mesa, uma mancha escura a alastrar sob o corpo dela. O cheiro a sexo encheu a divisão. Ele olhou para baixo, para o ponto onde os corpos se uniam, o pau a desaparecer dentro dela, a sair coberto de brilho, a entrar de novo. O vaivém molhado produzia um som obsceno, um chupar líquido que se somava aos gemidos dela.

Ela agarrou-se à borda da mesa com as duas mãos, os nós dos dedos brancos. A cabeça tombou para trás, a garganta exposta, e da boca escapou um grito. Não um gemido. Um grito. As súplicas dela ecoaram pela casa inteira, as paredes finas a tremerem com o som. Ele sentiu a cona dela apertar-lhe o pau em espasmos, o corpo a tremer, os calcanhares a cravar-se-lhe nas costas. Ela veio-se a gritar, as palavras a desfazerem-se em sons quebrados, a voz a falhar.

Ele estocou três vezes mais fundo. Quatro. Cinco. O pau a enterrar-se até à base, a cabeça a bater contra o fundo do útero. E então libertou-se. O leite quente jorrou dentro dela, a encher-lhe a cona, a escorrer para a mesa quando ele se retirou devagar. O líquido branco a poçar na madeira, a misturar-se com os fluidos dela.

O silêncio voltou à casa. Apenas a respiração de ambos, pesada, irregular, a preencher o vazio que os gritos deixaram.

Ele recuou devagar, o pau a sair da cona dela com um som húmido, um estalar molhado que ecoou na sala silenciosa. O corpo dele ainda tremia, a respiração pesada a raspar-lhe a garganta. A Mulher permaneceu deitada na mesa, as pernas nuas abertas, os joelhos caídos para os lados. 

O leite branco escorria da cona aberta, um fio grosso a descer pela pele da coxa, a gotejar para a madeira escura da mesa. O líquido poçava na superfície, a misturar-se com os fluidos dela, uma mancha que se espalhava devagar.

Ele olhou para as paredes finas da casa. O silêncio agora era diferente — não vazio, mas carregado. Cada centímetro daquelas paredes tinha absorvido as súplicas dela, os gritos quebrados, o som do corpo a ceder. A casa inteira ouvira. E no silêncio, o que ficava não era vergonha. Era a certeza do que tinham feito.

A Mulher rolou a cabeça para o lado, os lábios ainda entreabertos, a respiração a acalmar. As súplicas tinham-se desfeito num sorriso exausto, os olhos semicerrados a encontrarem os dele. Estendeu a mão trémula e puxou-o para um beijo lento, os dedos a agarrarem-lhe a nuca. As súplicas dela já não eram segredo na casa.







Cléia Fialho

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