O ritmo do meu peito dita a nossa cadência,
uma batida que ecoa em cada entrega.
Repouso sobre ti,
desprovida de qualquer véu,
ida e vinda,
o pêndulo da nossa urgência.
Um movimento de calma,
um compasso que desdobra o desejo.
Sorrio ao recordar o primeiro encontro,
o instante em que tudo começou a ganhar forma.
Minha boca traça mapas no teu rosto,
mordendo pedaços do que é só teu,
enquanto o ar escapa,
revelando o pulsar acelerado
que agora não me pertence mais,
pois é compartilhado.
Tua voz se eleva,
mas teu corpo obedece ao meu querer;
suas mãos,
presas na vontade que eu ditei.
Quando o ápice se aproxima,
o encaixe se faz inteiro:
o toque da pele,
a firmeza da entrega,
a sensibilidade que se traduz em calor.
Toco a mim mesma e te busco,
enquanto o meu nome em teus lábios é faísca.
Sinta o perfume,
a corrente elétrica que me percorre,
a viscosidade que sela a união dos nossos corpos.
Já não há margem para contenção,
o pêndulo quebrou a inércia,
e agora, entregue,
eu me perco em ti.
❦
Cléia Fialho

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