TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 30 de junho de 2023

DELÍRIO DA PAIXÃO




Você é a minha perdição

Me fazendo o controle perder
Me levando ao delírio da paixão

Me mostrando as veredas do prazer

Não há nada de errado em te amar
E em sentir o seu toque sedutor

Pois no teu colo estou a encontrar

O ápice da flama e do amor.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 29 de junho de 2023

O PRAZER SE AGIGANTA




Não sou poema, sou o pulso que o poema não ousa.  
Sou o rio que transborda sem pedir licença –  
minha água não é doce, é salgada, é memória,  
é o gosto que fica na boca depois do grito.

No silêncio da noite, eu me despiro das palavras.  
Meus versos não se dizem – eles se contraem,  
se arqueiam, se abrem como flor que aprendeu  
que o sol também se beija com a língua.

Minha cadência não vem do coração,  
vem do chão que treme sob meus joelhos,  
vem da coxa que se fecha e se abre  
como livro que ninguém quer terminar.

Deito no escuro e invento novas rimas:  
o arfar que não cabe na métrica,  
o gemido que estilhaça o refrão,  
o instante em que o corpo esquece o nome  
e vira apenas direção, apenas fenda,  
apenas o ponto onde a mão encontra  
a umidade da madrugada.

Minhas unhas escrevem nas costas do outro  
um alfabeto que arde –  
cada risco é uma letra,  
cada vermelhão é uma vírgula que pede mais,  
mais fundo, mais demorado,  
mais dentro do dentro.

Não há rima que alcance o que meu quadril desenha.  
Não há metáfora que segure  
o que escorre entre minhas pernas –  
é poesia líquida, é verbo feito carne,  
é o instante em que o silêncio  
enche a boca e transborda.

Sou o verso que não se repete,  
o ritmo que desaprendeu o compasso,  
a mulher que se escreve com o corpo alheio  
e se reescreve sozinha,  
no espelho embaçado do prazer.

Me leia com as pontas dos dedos.  
Me decifre com a boca.  
Me traduza com o suor.  
E quando eu me desfizer em estrofes,  
não me recolha –  
me espalhe.

Porque meu poema não quer ser lido.  
Ele quer ser sentido.  
Até o fim.  
E depois do fim.  
Sempre.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 28 de junho de 2023

ENTRE O GEMIDO E A CONSTELAÇÃO




Teu olhar não invade – rasga-me as vestes  
antes que os dedos toquem o meu ombro.  
Pétalas de neon deslizam moles  
onde a minha nuca é um vulcão sombrio.  
Tuas mãos sobem como videiras loucas  
e eu me abro em espiral, 
úmida e nua, cúmplice, assiste  
ao nosso ritual de luas que se estua.  

Teu corpo é a tinta que me escreve inteira  
— cada veia, um rio que se entrega ao teu leito,  
cada osso, uma harpa que vibra quando tocas  
o centro onde o meu nome arde e se desfaz.  
Bailamos sobre o fio de um abismo doce:  
tuas ondas em mim, minhas marés em ti,  
e a cama vira céu, o lençol, um mito  
onde dois astros caem para renascer.  

Ah, mas a alquimia não está nos gestos –  
está no intervalo entre o teu sopro e o meu,  
no instante em que a tua língua traça runas  
no mapa molhado do meu ventre-cru.  
Versos se espalham como sêmen lírico,  
rimas que latejam na curva do quadril,  
e todos os sentidos se confundem:  
cheiro-te a sal, toco-te a anil.  

Somos amantes em concupiscência pura,  
mas não há posse aqui, nem dominação:  
é entrega que se dobra, se desdobra,  
cada espasmo, uma estação.  
Os ais não são de dor – são de memória,  
de um corpo que se lembra antes de ser,  
e no instante exato em que me despedaço,  
gesto um poema que nunca vai morrer.  

Porque o erótico não é o que se mostra –  
é o que se esconde no vazio entre dois dentes,  
no suor que escorre e desenha deltas,  
no nome que eu grito e tu finges ausente.  
E quando a noite cai sobre nossos ombros,  
e as estrelas se apagam por pudor,  
eu sou ainda a fêmea que te chama  
num grito que é verso, oração, flor.




  Cléia Fialho

terça-feira, 27 de junho de 2023

HOMEM-MARÉ




Os dias rodam como folhas secas,  
e nosso amor se arrasta em gesto lento  
— meu peito é um tambor que descompassa,  
minha pele, um poema em desalento.  

Espero, sim. Mas não com mãos vazias:  
teço o fio do desejo em cada veia,  
molho a boca no sal das agonias  
e invento tua forma na areia.  

Dono de mim, de meus mapas e ventos,  
teu corpo é o cais onde o verso naufraga  
— não me peças silêncio nem juramentos,  
que a espera é dança, e a dança, uma chaga.  

Se tens outros mundos, outras rotas,  
eu sou a lua que vira o teu mar,  
e no teu colo – foz de todas as notas –  
aprendi a doer e a cantar.  

Não venhas por hora, nem por promessa:  
vem como o tempo que não se mede,  
despe a agenda, a pressa, a nobreza,  
e deita em mim tua fome de sede.  

Que eu sou o fruto que teu nome chama,  
o sal que lambe tua curva nua,  
e se o dia não cabe em tua cama,  
faz da noite uma fruta crua.  

Porque sem ti, o gozo é uma concha vazia,  
e a vida, um rumor sem profundeza:  
és, em mim, a única rebeldia  
— homem-maré, minha eterna aspereza.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 26 de junho de 2023

OÁSIS DE DESEJO




Deixa em meus lábios
a delicadeza que ficou em ti.

Aproxima-te devagar,
como se conhecesses
os mistérios que escondo
sob a pele inquieta.

Há uma tempestade em mim
pedindo abrigo,
um voo de desejos
rodeando a noite.

Quero sentir tua presença
percorrendo meus sentidos,
despertando essa mulher
que se entrega ao instante
sem pedir ao relógio
permissão para existir.

Que cada beijo seja vertigem,
cada suspiro,
uma promessa silenciosa.

Desvenda meus caminhos
com a calma de quem procura
um lugar sagrado.

E quando tudo em mim
se tornar sede,
faz de teus braços
meu refúgio mais profundo.

Que o mundo permaneça distante
enquanto repouso
na infinita miragem
de querer-te perto.

Pois, se o tempo tentar levar-te,
guardarei em meu corpo
a memória ardente
desta doce perdição.




  Cléia Fialho

domingo, 25 de junho de 2023

sábado, 24 de junho de 2023

BRASAS DO DESEJO




Banhe meus sentidos em seu calor sussurrado,   
acaricie minha pele, traçando histórias não contadas,   
pairando como uma brisa suave no crepúsculo,   
cada respiração, uma faísca acendendo nossas profundezas.  

 Deixe seus dedos dançarem por mares desconhecidos,   
onde a paixão flui como ouro derretido,   
e a noite nos envolve em seu abraço,   
sombras tremeluzem, 
revelando nossos segredos mais selvagens.   

Somos o fogo e o céu da meia-noite,   
perdidos no silêncio do nosso ritmo compartilhado,   
duas almas entrelaçadas, 
buscando para sempre   
a felicidade do devir, para sempre.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 23 de junho de 2023

AFRODISÍACO PRAZER




Deixa em minha boca teu doce sabor,  
E toca-me, como quem já pressente,  
Segredos que dançam no ar como amor,  
Nos temporais dessa ânsia latente.

Permite que minha língua explore teu céu,  
Quero na boca o afrodisíaco prazer,  
Nos beijos despertar o cálice e o mel,  
Que fazem nossos corpos juntos ascender.

Quero teus sentidos em desalinho,  
Ao desbravar tua alma em nua viagem,  
Na trilha dos poros achar o caminho.

Do paraíso, além de qualquer miragem.
Para que o tempo não te afaste de mim,  
Fazendo teu corpo um oásis sem fim.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 22 de junho de 2023

EM ÊXTASE PROVO TEU MEL




Seguro o teu desejo
palmo a palmo te anseio
com a língua te orvalho
docemente ouço teu suspirar.

Teu corpo é o meu salmo
estrelas espalhadas no céu
o luar se banhando no mar
em êxtase provo teu mel.

Beijo tua pele macia
sinto o arrepio correr
recebo a oferenda quente
que estás a oferecer.

Usamos um delicioso artifício
as mãos vão trabalhando
preenchendo os vazios
enquanto vamos nos amando.

Desenho tua pele molhada
com meu toque latente
me chamas de tua amada
te acolho firmemente no peito.

Soltamos a fantasia
sinto forte tua entranha
me chamas de tua vadia
me chamas de tua piranha.

Em movimento ritmado
vais cada vez mais forte
vejo teu olhar extasiado
sussurro feito um corte.

Vou te sentindo gostoso
sinto meu corpo vibrar
rebolo então vigorosa
pra te sentir delirar.

Por trás agora me enlaças
enquanto te olho no espelho
fortemente me abraças
enquanto perco o receio.

Continuamos a sessão
arranhas as minhas costas
te chamo de minha paixão
sei que tanto gostas.

Continuo insana a cavalgar
teu corpo está ardente
teu toque no meu corpo a queimar
ouço meu gemido fremente.

Meus cabelos desalinho
bebo o teu suor
sussurro meu amor baixinho
teus desejos sei de cor.

Te aninho no teu peito
te beijo com carinho e ardor
me acolhes do teu jeito
assim selamos nosso amor.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 21 de junho de 2023

terça-feira, 20 de junho de 2023

EMBATES DIÁRIOS


Desafios como ondas, prontas para se erguer
Nas batalhas da vida, bugalhas, a jornada tecendo
A alma resiliente, no caminho resistente a vencer.
Persistindo a coragem, infletindo e renascendo

Os embates diários, combates vem nos fortalecer.





  Cléia Fialho

O Experimental Quadra Estilizada é uma criação
do Poeta Haley Romario

segunda-feira, 19 de junho de 2023

sábado, 17 de junho de 2023

PENETRADA SEM FREIO




Sinto agitar-me a nuca  
quando vejo o teu olhar-me  
os seios endurecerem depressa  
os bicos levantarem-se duros

Um arrepio enorme me percorre  
e atiro-me em teu peito  
num pequeno voo quente  
busco em ti e aí me acho

Acomodada feito um caramujo  
que houvesse reencontrado a casca  
quero cansar de ser tua  
entre as cobertas da cama

Quero inventar mais gemidos  
para sorver tua alma inteira  
quero ser massa esporrada  
na glande do seu membro

Do teu corpo ardente e forte  
cola teu busto nu nos meus seios  
me abraça, me traça fundo  
faz valer a tua força

Fico entregue, sou doada  
penetrada sem freio  
no teu calor me derreto  
e gozo sendo toda tua.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 16 de junho de 2023

O TOQUE QUE EU DESEJO




Coloca na minha língua o sabor doce  
Que já pressente o toque que eu desejo  
Mistérios voam soltos no vento forte  
Dentro da tempestade do meu anseio.

Minha boca quer descobrir teu paraíso  
Sinto o gozo que embriaga e provoca  
Beijos acordam o néctar escondido  
Fazem a carne inteira se elevar.

Teus nervos ficam todos bagunçados  
Enquanto eu desnudo tua alma em rota  
Pelos poros encontro a trilha certa.

Além de qualquer ilusão distante  
Pra que as horas não te tirem de perto  
Transformando tua pele em fonte eterna.




  Cléia Fialho