🐾 "TOCA DA LEOA" 🐾 SENSUALIDADE & EROTISMO À FLOR DA POEISA 🌶️ 🔞 🌶️

🐾 SE EU FOSSE FALAR EM POESIA E NAS MINHAS VONTADES 🐾 AFRODITE NEM EXISTIRIA E KAMA SUTRA SERIA BOBAGEM 🐾


quinta-feira, 31 de julho de 2014

EU, ELE E OS OUTROS DOIS





O sexo entre nós tem seguido um padrão ultimamente. Um ritual que já conhecemos de cor, como uma dança ensaiada que nunca perde a graça, mesmo quando os passos são sempre os mesmos.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

À QUEIMA-ROUPA — SEM RESPIRAR




Chegas tarde 
— a maçaneta ainda gira,  
o batente range, e eu já te varro contra o reboco,  
teu sobretudo voa, tua nuca estala,  

terça-feira, 29 de julho de 2014

QUANDO TEU CORPO ENCONTRA O MEU




Há algo feroz na sua presença,
algo que me chama para perto
e me deixa sem linguagem.
Teu calor me atravessa como um comando,

segunda-feira, 28 de julho de 2014

EXTREMAMENTE BOM!





A manhã começou diferente. Uma mensagem rápida, um tom de voz cansado ao telefone, e eu soube que ele não estava bem. Uma constipação, talvez. Ou algo parecido. Não pensei duas vezes.

Peguei a bolsa, a chave do carro, e fui.

domingo, 27 de julho de 2014

INVADE O MEU A BISMO




Não te concedo a trégua do repouso,
Pois trago a fome antiga engasgada;
De bruços mudo o rumo da jogada,
Erguendo as ancas num desejo ousado.

sábado, 26 de julho de 2014

O GOZO É CHAMA




No fogo oculto arde a chama acesa,
Que não descansa, exige mais calor,
É sede antiga, é fome, é correnteza,
Que rompe as margens, transborda em furor.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O ATO NO ESCURO




Os dias se arrastam num ciclo vicioso de gritos e silêncios. Quando não estamos berrando um com o outro, simplesmente nos ignoramos. É exaustivo. É desgastante. Não é vida para ninguém.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

TEU GEMIDO ROUCO




Arranco-te a camisa, botão a botão, com vagar,
desço a minha boca faminta pelo teu pescoço em brasa,
sinto o teu ventre firme sob a mão a inquietar,
e a minha saia sobe, molhada, como quem se abrasa.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

FERA EM VERBO




Não te deixo dormir nesta noite cega,
Tenho fome e sede que a carne devora,
Viro-me de bruços, a boca que chega,
Ergo as ancas em gesto que tudo implora.

terça-feira, 22 de julho de 2014

A ÚLTIMA NOITE




Quem acompanha minha história já sabe: a relação com ele chegou ao fim faz tempo. Já não existe o que existia antes, já não somos o que fomos um dia. Mas uma coisa permanece — o sexo ainda é bom. Quando acontece, claro.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

EM PURA COMBUSTÃO




Antes que a aurora venha me vencer,
Teu nome acende a sombra do meu peito;
És chama que me ensina a renascer,
Silêncio transformado em teu efeito.

domingo, 20 de julho de 2014

FRUTO DO PRAZER PASSAGEIRO




Em si mesmo, o poeta se revela,
No leito onde o prazer sua sede sacia,
O corpo é mapa de desejo que bela,
E o ato é poesia que a alma desvia.

sábado, 19 de julho de 2014

A NOITE DOS PRAZERES INFINITOS




... de tudo o que sentimos, de tudo o que vivemos, de todas as vezes que nosso corpo se entregou ao outro naquela noite mágica.

O quarto era perfeito. A cama imensa, com lençóis claros e uma quantidade de almofadas que convidava ao descanso — ou a tudo menos isso.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

TOQUE SUTIL




No silêncio da noite, a chama arde,
Teus olhos, a luz que a sombra dissolve,
No toque sutil, o desejo não tarde,
Por entre os lençóis, a paixão se revolve.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A LINGUAGEM SUFICIENTE




Quando a madrugada enfim se render
e a primeira claridade tocar a janela,
não haverá vencedores,
nem vencidos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ENTREGA TOTAL




O jantar estava quase pronto quando a campainha tocou. Não esperava visita naquela hora — muito menos ele. Ainda vestia a roupa do treino, suada e desalinhada, e nem tinha tomado banho, guardando esse momento para mais tarde, antes de dormir.

terça-feira, 15 de julho de 2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

sábado, 12 de julho de 2014

DESEJO AVASSALADOR




Cru e intenso, o desejo nos consome,
No ritmo selvagem, nossos corpos dançam,
A pele arrepia sob o toque que some,
Em suspiros profundos, as almas se lançam.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

CADA SEGUNDO ROUBADO




O teu fôlego muda de ritmo.
O silêncio deixa de existir.
Há apenas o som grave
das vontades escapando do peito,

quinta-feira, 10 de julho de 2014

SETE DA MANHÃ




O relógio marcava pouco mais das sete.

Da manhã.

Acabara de sair do banho — porque não há melhor despertar do que uma ducha gelada que sacode o corpo e a alma — quando o som da campainha ecoou pela casa. Estranhei. Muito. Quem bateria à porta tão cedo? Uma entrega? Engano? Visita?

quarta-feira, 9 de julho de 2014

ECO NO QUARTO




A saudade, uma sombra que esvai,
Revela segredos que só nós dois conhecemos.
Meus lábios colhem os teus gemidos roucos,
Enquanto tua coxa treme sob meu toque.

terça-feira, 8 de julho de 2014

SÍLABA OBSCENA




Ajoelho-me diante de ti na penumbra estreita do corredor,
antes ainda de fecharmos a porta atrás de nós,
antes ainda das luzes cederem, antes das palavras cansarem.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O JOGO DA SEDUÇÃO




O jogo de sedução já durava algumas semanas. Olhares que se encontravam e desviavam, sorrisos que diziam mais do que palavras, frases com duplo sentido que pairavam no ar como promessas não ditas.

Ambos trazíamos cicatrizes recentes. Ambos procurávamos distração.

domingo, 6 de julho de 2014

SUSSURROS AO VENTO




Em noite escura, onde o desejo aflora,  
Não há descanso, nem um breve alívio,  
A chama arde, dentro de mim agora,  
E em meu peito reside o cativo.

sábado, 5 de julho de 2014

FRENESI DE CORPOS




Teu hálito quente invade minha boca,
Mordidas afiadas em minha carne nua,
Dedos que traçam mapas de desejo, provoca,
Cada suspiro é chama que me insinua.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

MINHA — TODA MINHA




Ele agarrou-lhe os ombros e empurrou-a de bruços contra o colchão, que cedeu sob o peso dos dois com um som abafado. Ela arqueou as costas num reflexo, o cabelo escuro a escorregar para os lados, a nuca exposta como uma oferenda. Ele baixou a boca e mordeu-a ali, os dentes a afundarem na pele até ela soltar um gemido agudo que lhe encheu os ouvidos. «Minha mulher, meu vício, minha sede», rosnou contra a carne quente. As mãos desceram-lhe pelas costas, dedos calejados a agarrar o cós das calças e a puxá-las para baixo. As calças dela desceram até aos joelhos e ele roçou a mão aberta sobre as nádegas nuas.

As calças dela desceram até aos joelhos e ele roçou a mão aberta sobre as nádegas nuas. A pele estava quente, macia, e ele sentiu o corpo inteiro a latejar de fome. Agarrou-lhe as coxas com força e abriu-lhe as pernas, os joelhos a afundarem-se no colchão que cedeu sob o peso dos dois. Ela soltou um gemido abafado contra o lençol, as costas arqueadas, a concha molhada a brilhar na luz fraca do abajur.

Ele desabotoou as calças com um puxão seco. O caralho saltou-lhe para a mão, duro, a glande inchada e a latejar. Não havia paciência. Não havia espera. Só havia a sede. Cuspiu na mão e esfregou a glande contra a fenda dela, a sentir o calor húmido que o chamava para dentro. Ela gemeu e empurrou as ancas para trás, a pedir sem palavras.

Ele agarrou-lhe as ancas com as duas mãos e enterrou-se nela de um empurrão fundo. O caralho abriu caminho pela concha molhada até aos ovos, e o som que saiu da garganta dela foi um grito rouco que lhe encheu o peito de posse. Apertava-o todo, quente, molhada, a puxá-lo para mais fundo. Ele não esperou que ela se habituasse. Puxou as ancas para trás e voltou a enterrar-se, mais fundo, mais seco, mais violento.

O ritmo foi imediato. Estocadas secas, o som de pele molhada a chocar a encher o quarto. Ele puxava-a contra a virilha com cada golpe, os dedos cravados na carne das ancas, a sentir o corpo dela a ceder e a recebê-lo. Ela agarrou o lençol com os nós dos dedos brancos, a gemer alto a cada estocada, o cabelo escuro a saltar sobre os ombros.

«Minha», rosnou ele, a voz rouca e partida. «Toda minha.»

Ela arqueou mais as costas, a concha a apertá-lo, a puxá-lo, a engoli-lo. Ele sentiu o caralho a inchar, a pulsar dentro dela, e o ritmo tornou-se desesperado. As estocadas eram mais rápidas, mais fundas, os ovos a baterem contra a pele molhada dela com um som obsceno. O colchão cedia a cada golpe, a cabeceira da cama a bater contra a parede.

O gozo veio de repente, uma onda que lhe subiu pela espinha e lhe explodiu no ventre. Ele gemeu rouco e enterrou-se até ao fundo, o caralho a pulsar, o esperma quente a jorrar contra o útero dela em jatos grossos. Ela gritou, o corpo a estremecer, a concha a apertá-lo em espasmos que lhe sugaram até à última gota. Ele ficou ali, enterrado, a sentir o esperma a enchê-la, a inundá-la, a escorrer pela fenda enquanto o corpo dela ainda tremia.

O esperma escorre pela fenda dela enquanto ele ainda a mantém aberta, a marca dentro quente.

O peso dele desmoronou-se sobre as costas dela, o peito a achatar-se contra a pele suada, a respiração rouca a abrandar contra a nuca exposta. O caralho ainda estava enterrado, mole agora mas preso dentro da concha encharcada, e ele não fez menção de sair. Queria ficar ali, a sentir o calor húmido que os unia, a pulsação lenta do corpo dela a apertá-lo em espasmos cada vez mais espaçados.

Ela respirava em arrancos, o rosto virado para o lado, a bochecha contra o lençol amarrotado. O corpo tremia ainda, pequenos estremecimentos que lhe percorriam as costas e faziam o caralho dele deslizar um milímetro dentro dela. Ele gemeu baixo, um som rouco e satisfeito, e deixou o peso morto dos ombros afundá-la mais no colchão. O colchão cedeu sob os dois, a espuma a moldar-se à forma dos corpos empilhados, e ele sentiu o esperma quente a escorrer da concha dela, a descer pelo períneo, a pingar contra o tecido do lençol.

O cheiro a sexo enchia o quarto. A luz fraca do abajur desenhava sombras nas costas dele, nos ombros largos que subiam e desciam com a respiração pesada. Lá fora a noite estava fechada, mas ali dentro o tempo parara naquele momento — os dois corpos colados, o esperma a escorrer, o silêncio a crescer.

Ela virou o rosto devagar, o cabelo escuro a arrastar-se contra a almofada. Ele ergueu a cabeça o suficiente para lhe ver o perfil, os lábios entreabertos, os olhos semicerrados. Baixou a boca até à nuca exposta e beijou a marca da mordida — a pele roxa, os dentes ainda impressos, a carne quente sob os lábios. Passou a língua devagar sobre a marca, a roçar a pele sensível, a selar o que já estava selado.

Ela fechou os olhos e um suspiro longo escapou-lhe dos lábios. O corpo rendeu-se mais um pouco, os músculos a relaxarem sob o peso dele, a concha a apertá-lo uma última vez antes de se aquietar.

«Minha», sussurrou ele contra a nuca marcada, a voz rouca e gasta, a palavra a afundar-se na pele roxa como se fosse mais uma mordida.

Ela fechou os olhos, rendida ao que ficou dentro.







Cléia Fialho