Tolerar certas coisas, às vezes…
é quebrar a forma única do olhar.
Compreender não em linha reta,
onde cada gesto tem outro contorno.
É conviver com o que não me espelha,
sem tentar apagar o que difere.
Opiniões.
Crenças.
Valores.
Tudo fragmentado.
Tudo coexistindo no mesmo espaço.
Como um espelho partido
que ainda assim reflete.
Não uma verdade só.
Mas várias verdades ao mesmo tempo,
tocando-se sem se anular.
E nesse mosaico instável,
nasce o convívio possível:
não perfeito,
mas humano.
Nota da autora:
Esta poesia cubista, nasce do esforço de ver o mundo por múltiplos ângulos ao mesmo tempo, sem buscar uma única verdade como centro. A proposta aqui não é apenas estética, mas também ética: fragmentar a ideia de tolerância para mostrá-la como convivência de diferenças que não se anulam.
A linguagem procura refletir essa quebra de linearidade, aproximando pensamentos que se sobrepõem, como formas que coexistem no mesmo espaço. Tolerar, neste sentido, não é apenas aceitar, mas reconhecer a complexidade do outro e permitir que ela exista sem simplificação.
É um convite ao olhar que não reduz — mas amplia.
Esta poesia cubista, nasce do esforço de ver o mundo por múltiplos ângulos ao mesmo tempo, sem buscar uma única verdade como centro. A proposta aqui não é apenas estética, mas também ética: fragmentar a ideia de tolerância para mostrá-la como convivência de diferenças que não se anulam.
A linguagem procura refletir essa quebra de linearidade, aproximando pensamentos que se sobrepõem, como formas que coexistem no mesmo espaço. Tolerar, neste sentido, não é apenas aceitar, mas reconhecer a complexidade do outro e permitir que ela exista sem simplificação.
É um convite ao olhar que não reduz — mas amplia.
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Cléia Fialho

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