TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PISCINA À MEIA NOITE



O hotel dormia.

Descia as escadas para a piscina descalça, com uma toalha ao ombro e o biquíni preto por baixo do roupão. Era meia-noite e vinte, o corredor deserto, a única luz vinha dos apliques baixos que desenhavam sombras compridas no chão de pedra.

A piscina era exterior — rectangular, longa, iluminada por baixo com aquele azul-turquesa que faz a água parecer líquida demais para ser verdade. Não havia ninguém. Só o cheiro a cloro, a jasmim, e o zumbido baixo dos filtros.
Deixei o roupão cair.
Estava a entrar pela escada quando o vi.

Estava no fundo da piscina — no lado profundo, encostado à parede, apenas a cabeça de fora. O cabelo escuro colado ao rosto, os olhos a brilharem à luz azul. Não sei quanto tempo levava ali. Não sei se me estava a ver descer as escadas ou se só me viu agora.

Ficámos os dois parados. A olhar-nos.
— *Desculpa* — disse ele, com um sorriso lento. — *Pensei que estava sozinho.*
— *Eu também.*

Não saí. Ele também não. Nadei devagar até ao meio da piscina, sentindo a água fria fechar-se à volta das minhas coxas, do meu ventre, dos meus seios por cima do biquíni. Ele deslizou pela parede e veio na minha direcção, também devagar, como um animal que não quer assustar a presa.

Parou a um braço de distância.
— *Como te chamas?*
— *Não interessa.*
Sorriu. Reconheceu a regra.

A água entre nós baloiçava em círculos preguiçosos. Ele estava tão perto que eu sentia o calor do corpo dele apesar da água fria. E o olhar dele — Deus, o olhar dele a descer-me pelo pescoço, pela clavícula molhada, pelo decote do biquíni onde a água me pingava.
Deu mais um passo. A mão dele encontrou-me a cintura debaixo de água.
Não me afastei.
A boca dele desceu sobre a minha — molhada, salgada de cloro — e beijou-me devagar, provando-me sem pressa nenhuma. As minhas mãos subiram-lhe pelo peito nu. Duro. Quente apesar da água.

Empurrou-me com gentileza até que as minhas costas encontraram a parede da piscina. O rebordo de pedra fria contra os meus ombros, a água a lamber-me o pescoço, e o corpo dele contra o meu à frente, quente e sólido.
As mãos dele subiram-me pelas costas. Encontraram o fecho do biquíni. Desapertaram-no com uma facilidade que me fez rir baixinho contra a boca dele. A parte de cima flutuou-nos entre os corpos e ele afastou-a com uma mão, atirou-a para a borda da piscina — e a boca dele desceu-me imediatamente sobre o seio molhado.

Gemi. O som ecoou no pátio deserto.
Ele chupou-me devagar, mordeu-me com cuidado, e a mão dele desceu-me pela barriga por baixo da água, encontrou o elástico do fio da parte de baixo, puxou-o para o lado. Os dedos encontraram-me.

— *AFF* — murmurou contra o meu peito. — *E ainda te queixas do frio da água.*

Ri baixinho, mas o riso morreu-me na garganta quando dois dedos dele deslizaram para dentro de mim. Debaixo de água, o toque era estranho, mais lento, mais amortecido — e ao mesmo tempo mais obsceno, porque ele mexia-se dentro de mim com uma calma cruel enquanto olhava para a minha cara.

— *Alguém pode aparecer* — sussurrei.
— *Que apareça.*

Puxou-me a parte de baixo do biquíni pelas pernas. Atirou-a para junto da parte de cima. Estava nua no meio da piscina de um hotel, iluminada por baixo pela luz azul-turquesa, e ele levantou-me pelas coxas contra a parede. As minhas pernas envolveram-lhe a cintura.
Baixou o calção sem sair de mim.
E entrou.
Fundo. Debaixo de água, a sensação era diferente — a água ajudava-nos a mover, tornava tudo mais leve e mais lento e infinitamente mais erótico. Eu segurava-me à borda da piscina atrás de mim, ele segurava-me as ancas, e movia-se dentro de mim num ritmo que fazia pequenas ondas espalharem-se à nossa volta.

Beijou-me para me calar os gemidos. A minha boca engoliu-lhe os dele. Sabia a cloro, a vinho, a homem.
Movia-se mais rápido. A água agitava-se. Uma das mãos dele soltou-me a anca e desceu entre os nossos corpos, encontrou-me outra vez, esfregou-me no ritmo exacto em que se enterrava em mim.
Foi demais.
Vim contra a boca dele, tremendo debaixo de água, apertando-me à volta dele em espasmos que a água amplificava. Ele gemeu contra os meus lábios e veio logo a seguir, empurrando-se fundo uma última vez, os dedos cravados na minha pele por baixo da água.
Ficámos ali. Encostados. A respirar. A luz azul a desenhar-nos ondulações no rosto.

Beijou-me a têmpora.
— *Que quarto?* — perguntou.
Sorri.
— *408.*
— *Vou lá ter em dez minutos.*
Saí primeiro. Deixei o biquíni onde estava. Subi enrolada na toalha, com a pele a arder debaixo do algodão.
Dez minutos depois, bateram-me à porta.
E não dormi.




  Cléia Fialho

domingo, 30 de agosto de 2015

SABOR DE TI



Beijando aquilo que tens de mais doce,
Os lábios se entregam, em suave toque,
És a tentação que a alma me oferece,
No gesto em que o meu corpo provoque.

Em teu sabor, meu ser encontra a calma,
Como néctar que o coração encanta,
E nesse beijo, tudo se faz em alma,
Em cada carícia, o amor se agiganta.

Beijo-te, e o tempo se desfaz em dança,
Em cada verso, a paixão se revela,
És o aroma que na boca descansa,

És luz que em minha noite se constela,
És o porto da minha doce esperança,
Sou tua no beijo, no verso, na aquarela.




  Cléia Fialho

sábado, 29 de agosto de 2015

CAMINHOS PARA O DESEJO




— Há palavras que não se limitam ao papel.

— Elas deslizam pela pele da memória,
despertam sentidos,
abrem caminhos para o desejo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O AMOR CHEGA SEM PEDIR LICENÇA



O amor chega sem pedir licença.
Toma conta dos meus dias,
atravessa meus silêncios,
acende lugares
que eu nem sabia existir.


Teus beijos repousam em mim
como quem conhece
o caminho da paz.

Quando estamos perto,
o mundo perde a importância.
Só existe o calor da tua presença,
o encontro dos nossos gestos,
a vontade de permanecer.

Há um fogo tranquilo
que nasce dos teus olhos
e desperta em mim
o desejo de viver cada instante.

Quero dividir contigo
os amanheceres,
as noites demoradas,
os sonhos que ainda não têm nome.

Carrego esse sentimento
como quem protege um horizonte.
Em ti,
meu coração encontra abrigo.

Meu corpo reconhece tua ausência
antes mesmo que ela aconteça,
e minha alma segue na direção da tua,
como se sempre soubesse
onde pertence.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

terça-feira, 25 de agosto de 2015

PERMANEÇA SILÊNCIOSO E INTEIRO




Nas trilhas da vida,
deixo palavras espalhadas
como quem semeia lembranças.

Escrevo para que o mundo saiba

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

O AMOR QUE PULSA DENTRO DA GENTE



As tuas mãos quentes me apertando,
Sinto o calor que delas irradia.
Um gesto terno, amoroso e cativante,
Que acalenta meu coração com alegria.

Nelas encontro um abraço acolhedor,
Um toque suave, cheio de carinho.
A força do teu afeto, meu amor,
É como um bálsamo, um doce vinho.

E assim, juntos, vamos caminhando,
Segurando nossas mãos firmemente.
É na união que encontramos o ampliando,
O amor que pulsa dentro da gente.




  Cléia Fialho

sábado, 22 de agosto de 2015

MARÉ DE TI



Teu corpo é a maré que me arrasta e me afoga,
Onde a água invade a praia e a possui devagar;
Teu gemido — licor que meu ventre interroga,
Tua boca, sacrilégio que me faz blasfemar.

Nas noites em que a lua desperta e nos desnuda,
Transbordamos desejo em cada arqueio, em cada osso;
Sobre o lençol amarrotado, minha fome não muda,
Suor que escorre entre as coxas, salgado, obsceno, nosso.

São teus lábios cardume que me percorre a pele,
Matam a sede antiga que só a tua saliva sela,
Provando à alma que gozo também é oração.

É o teu corpo — corola aberta, se entrega e revele —
Derrama em mim o mel de uma febre que apela,
Água quente onde navega, insaciável, meu tesão.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A VARANDA



Fazia trinta e dois graus à meia-noite.
O calor que não deixa dormir, que faz o corpo pedir vinho gelado, janelas abertas e roupa nenhuma. Estávamos os dois na varanda do meu quinto andar — ele de calções, sem camisa, eu com uma camisa larga dele por cima da pele nua e nada por baixo.

O prédio da frente estava a três metros. Perto demais. Sempre foi.

— Aquela luz acesa é do velho do 4º — sussurrei, apontando com o copo. — Aquele que me olha sempre no elevador.
Ele sorriu, encostado ao ferro da varanda.

— Deve estar a olhar agora.
— Deve.

Bebeu um gole de vinho. Olhou-me de cima a baixo. E aquele olhar dele — lento, escuro, o mesmo que me despia todas as noites — fez-me apertar as coxas uma contra a outra sem pensar.
Ele reparou. Claro que reparou.

— Vem cá.
Fui.

Encostou-me ao ferro da varanda, de frente para o prédio da frente, com as suas mãos pousadas nas minhas ancas por trás. O peito dele quente contra as minhas costas, a respiração dele no meu pescoço, e a luz do 4º andar mesmo em frente aos meus olhos.

— Ele vai ver— sussurrei.
— Que veja.

A boca dele desceu-me pelo pescoço. Uma das mãos subiu-me por dentro da camisa, encontrou-me o seio nu, apertou. O mamilo endureceu-lhe contra a palma e eu deixei escapar um gemido pequeno que se foi perder no ar quente da noite.
A outra mão dele desceu.

Muito devagar, subiu-me a barra da camisa. Só um pouco. O suficiente para que se visse. O suficiente para que qualquer um a olhar de uma janela em frente entendesse o que estava a acontecer.

— Abre as pernas — sussurrou-me ao ouvido.
Abri.

Os dedos dele encontraram-me. Já estava molhada — molhada desde a segunda taça de vinho, molhada desde que ele tinha tirado a camisa — e ele gemeu baixinho contra o meu pescoço quando sentiu.

— Toda a gente vai perceber — disse. — Toda a gente que estiver a olhar.

Olhei para o prédio da frente. A luz do 4º andar continuava acesa. E no 6º, agora, tinha-se acendido outra. Uma silhueta atrás do cortinado.
O meu ventre apertou-se todo. Não sabia se era vergonha ou desejo. Provavelmente as duas coisas.

Os dedos dele mexiam-se dentro de mim num ritmo lento e cruel, o polegar em círculos exactos por cima, e eu tinha de me segurar ao ferro da varanda para não cair. As minhas ancas mexiam-se sozinhas contra a mão dele. A camisa aberta ao vento morno, os seios expostos à noite de Lisboa, e uma janela em frente onde alguém, com toda a certeza, estava a olhar.

— Não pares — gemi.
— Não paro. Mas quero-te de outra forma.

Virou-me. Encostou-me as costas ao ferro da varanda. Ajoelhou-se aos meus pés na varanda em plena vista de quem quisesse ver, levantou-me a camisa e a boca dele encontrou-me ali, quente, obscena, sem paciência.
Tive de morder o pulso.

A língua dele traçava-me em círculos lentos, depois rápidos, depois fundos — e eu já não sabia onde estava, se na varanda ou no céu ou em nenhum lugar. Uma das minhas mãos agarrou-lhe o cabelo. Puxei. Ele gemeu contra mim e a vibração fez-me arquear as costas contra o ferro quente.

Senti a onda a subir depressa.
— Espera — arfei. — Quero-te dentro.

Levantou-se. Baixou os calções num só gesto. Levantou-me uma perna, encaixou-a na anca dele, e entrou em mim ali mesmo — de pé, contra o ferro da varanda, com meia Lisboa a ver.
Gritei baixinho. Ele tapou-me a boca com a mão, sorrindo.

— Ssshhh.

Moveu-se fundo, lento primeiro, depois cada vez mais rápido. O ferro quente contra as minhas costas, o corpo dele a queimar contra o meu à frente, e a certeza — a certeza deliciosa, obscena, imparável — de que estávamos a ser vistos.
Olhei por cima do ombro dele. A silhueta do 6º andar continuava lá, imóvel atrás do cortinado.
Isso fez-me vir.

Vim com um gemido abafado contra a mão dele, tremendo inteira contra o ferro, e ele veio logo a seguir, mordendo-me o ombro para não gritar, empurrando-se dentro de mim uma última vez enquanto tremia todo.
Ficámos ali um instante. Ofegantes. Suados. O calor da noite colado à pele.

Ele afastou-se devagar. Compôs-me a camisa com uma ternura estranha para o que tinha acabado de fazer. Beijou-me a testa.

— Achas que ele viu?— sussurrei.
Olhou para o prédio da frente. Sorriu.

— Ele e mais três.
Ri contra o peito dele.
E servi mais vinho.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

ENTRELAÇOS DE SENTIDOS



Nos sussurros da noite,
teus lábios são melodia,
tocam-me suavemente,
com a delicadeza 
de um vento noturno.

Teu olhar, faíscas de fogo,
acende labaredas em meu ser,
esculpindo desejos ocultos,
em cada curva do meu sonho.

No abraço do silêncio,
nossas almas dançam,
num balé de suspiros,
onde o tempo se desfaz.

Teu perfume, um jardim secreto,
embriaga, enlaça, envolve,
numa dança de pétalas,
que floresce em minha pele.

E assim, em versos e toques,
tecemos a sinfonia dos sentidos,
num poema onde somos eternos,
e o desejo é o nosso amor.




  Cléia Fialho

terça-feira, 18 de agosto de 2015

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

CADA GOLE UM DESEJO



Nos labirintos do toque,   
os sentidos dançam,   
despertam sussurros,   
na brisa suave da pele,   
um convite ao desconhecido. 

A ousadia flui,   
como vinho tinto   
derramado em taças,   
cada gota uma promessa,   
cada gole um desejo. 

Teus olhos fixos,   
claros como a manhã,   
desnudam segredos   
que, pulseando, se entrelaçam   
nas sombras de um abraço. 

A música da noite   
embala nossos ritmos,   
corações descompassados   
​​encontram a melodia,   
uma sinfonia íntima. 

E ao final do caminho,   
é na entrega que se encontra   
a verdadeira essência,   
a poesia da carne,   
a arte de ser e sentir.




  Cléia Fialho

domingo, 16 de agosto de 2015

QUARTO 47



Vi-o ao balcão do bar do hotel.

Estava sozinha em Lisboa, numa viagem de trabalho que já tinha acabado, com um voo às sete da manhã e uma cama de hotel que não me apetecia nada. Desci ao bar por causa do tédio. E ali estava ele — de fato escuro, gravata desapertada, um whisky à frente e um livro que fingia ler.
Sentei-me dois bancos ao lado. Pedi um gin.
Ele olhou-me pelo canto do olho. Sorriu meio de lado.

— *Também não consegues dormir?*
— *Não tentei.*
— *Boa política.*

Sorri. Bebemos em silêncio uns segundos. Ele olhava-me no espelho atrás do balcão — os olhos escuros, o queixo áspero de fim de dia, o tipo de homem que não pergunta nome à primeira porque sabe que nome não interessa.

— *Estou no 47* — disse, sem se virar. — *Se te apetecer subir.*

Não respondi. Terminei o gin. Levantei-me. E fui até ao elevador sem olhar para trás — mas sabia que ele vinha atrás, ouvia-lhe os passos no mármore, e o corpo inteiro já me formigava antes de o elevador se abrir.
Entrámos. As portas fecharam.
Ele não me tocou logo. Ficou encostado à parede oposta, a olhar-me de cima a baixo com uma lentidão que me fez arrepiar. Como se me estivesse a despir com os olhos antes de o fazer com as mãos.

— *Como te chamas?* — perguntei.
— *Interessa?*
— *Não.*
Sorriu. Chegámos ao quarto andar.

Entrámos no 47. Ele fechou a porta com o pé e nesse mesmo segundo empurrou-me contra ela. A boca dele encontrou a minha com uma fome de estranho — sem carinho, sem história, só fome — e eu abri-a de imediato, deixei-o entrar, mordi-o de volta.
As mãos dele arrancaram-me o vestido pelos ombros. Caiu-me até à cintura. Ele afastou-se um segundo só para olhar — os meus seios nus, o soutien preto ainda meio subido — e o olhar dele fez-me arder mais do que qualquer toque.

— *Uiuiuiui* — murmurou.

Voltou. A boca dele caiu-me no seio, chupou-me com uma força que me fez gemer alto, e a mão dele subiu-me por baixo do vestido até encontrar a renda. Não a tirou — rasgou-a. Ouvi o tecido a ceder e o meu ventre apertou-se todo.

— *Vais pagar-me isso* — sussurrei.
— *Pago tudo o que quiseres.*

Empurrou-me até à cama. Caí de costas. Ele arrancou a gravata, a camisa, o cinto, tudo numa pressa que me fez rir e gemer ao mesmo tempo. Quando ficou nu, ajoelhou-se aos pés da cama e puxou-me pelas ancas até me ter à beira do colchão.

Abriu-me as pernas com as mãos.
E a boca dele encontrou-me — quente, molhada, sem paciência nenhuma. A língua dele traçou-me devagar, depois rápido, depois fundo, alternando ritmos até eu não saber mais o que fazer com o corpo. Enterrei-lhe os dedos no cabelo. Puxei. Ele gemeu contra mim e a vibração fez-me arquear a coluna toda para fora do colchão.

— *Espera* — arfei. — *Espera, quero-te dentro.*

Subiu por cima de mim. Ainda com o meu gosto na boca, beijou-me — obsceno, molhado — e entrou em mim de uma só vez, fundo, até ao fim.
Gritei.
Não me importei. Não conhecia ninguém neste hotel, não conhecia ninguém nesta cidade, não conhecia sequer o nome do homem que estava dentro de mim.

Ele começou a mover-se — devagar primeiro, deixando-me sentir cada centímetro, e depois cada vez mais rápido, cada vez mais fundo. Levantou-me uma perna, pô-la sobre o ombro dele, e o ângulo mudou tudo. Senti-o tocar-me num sítio que me fez ver preto por trás dos olhos.

— *Assim* — gemi. — *Assim, não pares.*

Não parou. Uma mão dele encontrou-me entre os corpos, o polegar a esfregar-me no ritmo exacto em que se movia, e eu senti a onda a subir depressa, imparável, brutal.

— *Vou vir.*
— *Vem para mim.*
Vim.

Vim a arranhar-lhe as costas, a apertar-me à volta dele em espasmos que me fizeram gemer sem parar, e ele gemeu contra o meu pescoço — um gemido rouco, animal — e empurrou-se três, quatro vezes mais fundo antes de tremer inteiro sobre mim e vir com um palavrão sussurrado ao meu ouvido.
Ficámos ali, ofegantes, colados pela transpiração.
Beijou-me a curva do ombro. Um beijo estranhamente doce para dois estranhos.

— *Ficas?* — perguntou.
Olhei o relógio. Cinco horas até ao voo.
— *Fico até ao segundo round.*
Riu contra a minha pele.
— *Isso dá para três.*
E deu.

De manhã, saí sem o acordar. Não deixei bilhete. Não perguntei o nome.
Algumas noites são só isto — e é perfeito assim.




  Cléia Fialho