A ponta dos dedos mapeia cada centímetro,
um traçado que busca pulsação.
Sinto o calor que emana da tua pele
e o mundo, lá fora,
Teu corpo é um texto
que desvendo à luz da penumbra,
escrita de desejo sobre o lençol desarrumado.
Não há pressa na leitura desta geografia,
apenas a entrega da minha sede à tua fonte,
o deslizar lento que transforma silêncio em ritmo.
O ar entre nós torna-se denso, quase sólido,
enquanto teus gestos me puxam para essa vertigem
onde o tempo esquece de girar.
Cada toque é uma palavra que não se diz,
mas que se sente, clara, na curva do quadril,
na marca que fica, na chama que nos habita.
Sou o leitor atento da tua nudez,
deixando-me naufragar nesta arte que criamos,
onde amar-te é o único idioma que me resta,
e a tua entrega, a resposta que me completa.
❦
Cléia Fialho

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