O movimento é um compasso que a pele dita,
um encaixe preciso onde o desejo,
enfim, se reconhece.
Já não há divisões, apenas o fluxo
O prazer se escreve sem a necessidade de grafia:
cada suspiro é uma nota,
cada contração, uma estrofe que se desprende
no ar denso da alcova.
É uma cartografia desenhada pelo calor,
onde as mãos esculpem, sem hesitar,
as curvas da tua entrega.
Tudo o que chamávamos de limite se desfaz,
derretido pela temperatura do que sinto por ti.
Nesta viagem noturna,
o silêncio não é ausência de som,
mas a tradução mais pura da luxúria.
O desejo, livre de contornos ou nomes,
respira no espaço que criamos
e pulsa, vivo, na pele que agora,
finalmente, se traduz em mim.
❦
Cléia Fialho

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