Sob o brilho da lua, que observa indiferente,
a pele descobre o seu próprio mapa.
Um toque — sutil, quase um sussurro —
desperta o mistério que habita o teu corpo
O desejo não pede licença; ele escorre.
Gota a gota, a essência se revela,
uma umidade que é linguagem,
enquanto o coração dita o ritmo
no pulsar descompassado da intimidade.
— Sinto cada milímetro do que você é.
Sou o território que você explora
— sem mapas.
Em pleno éter da nossa entrega,
o mundo lá fora se torna silêncio.
Despidos de qualquer armadura,
nossos corpos se entrelaçam —
transformando a carne em nota,
o movimento em melodia,
e o nosso ato, finalmente, em uma canção
que só nós sabemos entoar.
❦
Cléia Fialho

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