Desejo tuas mãos
percorrendo lentamente
cada silêncio da minha pele,
cada estremecer escondido
em mim.
Não sei esquecer.
Enquanto o tempo tenta apagar,
meu corpo recorda
o calor do teu alento
junto ao meu ouvido,
como um sussurro
que ainda vive.
Olho para ti
e te vejo diferente,
como se o amor
tivesse aberto novas janelas
dentro dos meus olhos.
Teu suor deslizava
sobre a pele morena
e minha sede aumentava
na distância mínima
entre teus braços e os meus.
“Agora…”
gritavam minhas mãos.
“Agora…”
implorava minha pele em febre.
Meu corpo ardia por ti
como chama indomável
na primeira noite
em que descobri
o mistério do desejo.
E foi assim…
entre o céu e o mar,
entre o pecado e a inocência,
que senti nascer
o amor verdadeiro
dentro de mim.
❦
Cléia Fialho




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