TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quarta-feira, 26 de março de 2014

ESPESSO — LEITOSO



A luz ainda não passava da fresta — um fio pálido na parede, quase nada. Ela sentia-o dentro de si, duro, imóvel, o peso do corpo dele a ceder devagar sobre o seu ventre. Encostou os lábios ao ombro dele e sussurrou:

— Guardo-te dentro como quem colhe versos.

Ele tentou recuar, um movimento mínimo dos quadris, mas as coxas dela fecharam-se com força ao redor dele. Os músculos tensos cravaram-no no lugar. As unhas dela agarraram-lhe as omoplatas, a pele cedia sob a pressão.

A fresta de luz alargou-se na parede, um dedo de claridade a mais. Ela viu o tempo a mover-se e apertou as coxas com mais força ainda.

— Fecho as coxas para não te deixar sair.

Ela ergueu os quadris devagar, deixando-o quase sair — a glande repousava na entrada, o calor húmido a latejar contra os lábios. Ele arfou, as mãos calejadas a subirem-lhe pelas ancas. Ela mordeu o lábio inferior e desceu num só movimento, engolindo o membro inteiro, as paredes da vagina a apertarem-se ao redor da base.

— Escrevo-te no ventre — sussurrou, a voz trémula — poemas dispersos.

As mãos dele agarraram-lhe os quadris. Os dedos afundaram-se na carne macia, a pele branca a ceder sob a pressão. Ele gemeu, um som rouco e abafado contra o ombro dela. Ela recomeçou o movimento: subir até quase o perder, descer até o sentir a repartir-se lá no fundo. Os seios roçavam o peito dele, os mamilos duros a friccionarem a pele quente.

A fresta de luz cresceu e tocou o pé da cama, um aviso pálido. Ela apertou a vagina num espasmo involuntário ao redor do membro, sentindo cada veia, cada pulsação. Ele gemeu o nome dela.

— Sinto-te ainda em mim a repartir.

Ela deixou de recitar. As palavras partiram-se em sílabas soltas, sons que já não eram versos — apenas o ritmo do corpo a galgar o corpo dele. As coxas fechadas apertavam-lhe os quadris contra o colchão, e ela cavalgava-o com estocadas rápidas, a vagina a descer com força até a base do pau lhe bater nos lábios inchados. O som era molhado, um estalar repetido que enchia o quarto. 

Ele arqueou as costas por baixo dela, as mãos calejadas a paralisarem-se nos quadris dela, os dedos cravados na carne como se tivessem esquecido como se movem. Ela sentiu-o a engrossar ainda mais dentro de si, o membro a pulsar contra as paredes da vagina.

A fresta de luz alastrou-se sobre o lençol, um lençol pálido que tocava agora a curva do joelho dele. Ela gemeu e acelerou, o clitóris a roçar os ossos pélvicos dele a cada impacto, a lubrificação a escorrer pelos sacos, quente e espessa. As coxas dela fecharam-se num espasmo incontrolável, esmagando-lhe os quadris contra a cama. Ele não podia sair. Ela não o deixava. O prazer subiu em ondas, uma atrás da outra, e os corpos sincronizaram-se num ritmo cego.

Ele arqueou as costas até quase se erguer do colchão e enterrou o membro até ao fundo. Ela sentiu o primeiro jacto quente a explodir contra o colo do útero, depois outro, e outro — o sémen a encher-lhe a vagina em golfadas que a faziam tremer. 

A vagina contraiu-se em espasmos ao redor do membro, sugando-o para dentro, cada contração a puxar mais sémen. Ela soltou um gemido agudo e longo, a voz a quebrar-se no ar, o corpo a arquear-se para trás enquanto o orgasmo a percorria em choques elétricos. As mãos agarraram os lençóis em punhos cerrados, os nós dos dedos brancos.

A luz inundou o leito, quente e dourada, cobrindo-lhes os corpos nus. O sémen dele transbordou da vagina, espesso e leitoso, a escorrer pelas coxas dela em fios lentos que manchavam os lençóis revolvidos. Os corpos estremecem juntos, o membro ainda pulsando dentro dela, o sémen a escorrer pelas coxas.

O membro dele amolecia dentro dela, mas as coxas continuavam fechadas. O sémen ainda quente, retido, a escorrer devagar pela face interna das coxas. Ela não desapertava. Sentia-o a diminuir, a tornar-se macio, e mesmo assim mantinha-o preso — os músculos das coxas a tremer do esforço, a vagina ainda a latejar em pequenos espasmos ao redor da carne flácida.

— Fica — sussurrou ela, e não era um pedido.

A luz da fresta da janela alargava-se sobre o lençol, dourada e implacável, a marcar o avanço da manhã. Ela baixou os olhos para o próprio ventre, onde a pele ainda brilhava de suor, e começou a recitar. Os versos saíram baixos, arrastados, como se cada palavra custasse o peso de uma despedida. A mão dele pousou-lhe na anca, imóvel. Ele não tentou sair. Deixou-se reter, a respiração ainda rouca, os olhos pesados fixos no rosto dela.

Quando o último verso se calou, ele inclinou-se e beijou-lhe a testa. Os lábios demoraram-se na pele quente. Esperou.

As coxas dela abriram-se devagar, num abandono que doeu mais do que o aperto. O membro flácido escorregou para fora, e com ele o sémen — espesso, leitoso — a escorrer da vagina em fios lentos que manchavam os lençóis revolvidos. Ela virou o rosto para a parede. A luz do dia cobriu-lhe o ventre, iluminando as palavras que ele deixara escritas na pele com o suor e o sémen e o silêncio.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 20 de março de 2014

A CALIGRAFIA DO CORPO



A  boca encontrou a dela com fome antiga, os lábios a pressionarem-se num beijo que não pedia licença. A língua enrolou-se na sua, quente e insistente, e a saliva escorreu-lhe pelo queixo sem que nenhum dos dois se importasse. As mãos desceram-lhe pelas costas até encontrarem as nádegas, os dedos longos a afundarem-se na carne macia com a firmeza de quem já sabe exatamente onde apertar. 

Depois subiram devagar, percorrendo a coluna vértebra a vértebra como se cada osso fosse uma tecla de piano que os seus dedos conheciam de cor. Ela arqueou-se sob o toque, a respiração já falhada, e ele murmurou contra a sua boca que sabia aquele corpo de memória, que lhe conhecia cada curva, cada recuo, cada sítio onde a pele estremecia. Os dedos pararam na borda do sexo dela, sentindo o calor que irradiava da pele.

Os lábios desceram pelo pescoço dela, lambendo a pele salgada de suor, sentindo o pulsar acelerado sob a língua. Percorreu o esterno devagar, beijando cada centímetro até encontrar os seios. A boca envolveu o mamilo esquerdo, chupando-o com força, a língua a circundar a auréola até deixá-la brilhante de saliva. Ela gemeu, as costas a arquear-se, e ele passou ao outro seio com a mesma fome meticulosa. 

Depois desceu mais, a língua a traçar um caminho molhado pela barriga, contornando o umbigo, sentindo os músculos dela contraírem-se sob cada lambida. Os dedos abriram-lhe as coxas com suavidade, e a boca encontrou o sexo. A língua percorreu os grandes lábios de baixo para cima, num movimento lento e delirante, e o gosto a salgado único explodiu-lhe na boca. 

Ela soltou um gemido rouco e involuntário quando a língua alcançou o clitóris, lambendo-o em suave delicadeza, lambidelas lentas que a faziam tremer. As mãos dela agarraram-lhe os cabelos, os dedos a fecharem-se com força, empurrando-lhe a boca contra o sexo com urgência.

Os dedos longos deslizaram pela face interna da coxa dela, sentindo a pele quente e húmida de suor. A boca não abandonou o clitóris — a língua lambia-o em movimentos laterais rápidos, de um lado para o outro, enquanto a ponta dos dedos encontrava a entrada da vagina. Estava encharcada. Os fluidos escorriam-lhe pelos grandes lábios, e ele recolheu-os com a polpa dos dedos antes de os empurrar para dentro dela.

Dois dedos de uma só vez.

A Amante soltou um gemido rouco, as costas a arquear-se dos lençóis. Ele curvou os dedos para cima, procurando aquele ponto que conhecia de cor, e começou a bombear num ritmo rápido. Os fluidos vaginais lubrificavam-lhe os dedos, escorriam-lhe pela mão, pingavam para o períneo. A língua não parava — lambia o clitóris com movimentos laterais cada vez mais rápidos, a saliva a misturar-se com o gosto a salgado único que lhe enchia a boca.

Ela debateu-se sob ele.

Os quadris empurravam contra a sua cara, um ritmo descompassado e desesperado, o suor a escorrer pelas coxas que lhe apertavam as orelhas. Ele sentia os músculos dela a contraírem-se à volta dos dedos, a vagina a apertá-los em espasmos cada vez mais fortes. O polegar desceu até ao períneo e pressionou com firmeza, sincronizado com as bombadas dos dedos lá dentro.

— Assim... — ela arquejou, a voz a falhar num gemido. — Não pares...

Ele não parou. Os dedos tamborilavam dentro dela como se percorressem teclas de piano, cada curva, cada ponto de pressão uma nota que ele já sabia de cor. A língua lambia o clitóris sem tréguas, movimentos laterais rápidos que a faziam tremer dos pés à cabeça. Os quadris dela empurravam com mais força, o corpo a arquear-se, os dedos dela a puxarem-lhe os cabelos com violência.

O grito veio de repente.

Agudo, involuntário, rasgado da garganta. Os músculos vaginais apertaram-lhe os dedos em espasmos violentos, e ele sentiu os fluidos a jorrarem-lhe sobre a língua, sobre o queixo, quentes e abundantes. Ela gozava na sua boca, o corpo a sacudir-se em ondas, e ele lambeu tudo — cada jorro, cada gota, o salgado único que lhe escorria pela garganta.

A boca permaneceu colada ao sexo dela, lambendo os últimos espasmos do orgasmo enquanto a Amante respirava ofegante.

Ele subiu devagar. Os lábios pousaram na pele húmida do interior das coxas dela, beijos lentos que recolhiam o suor e os vestígios do prazer. Cada beijo era uma palavra que ele já sabia de cor, a caligrafia do corpo dela desenhada na sua boca. Subiu pelo ventre, os lábios a tocarem as sardas como se lesse braille, a língua a traçar o caminho entre as curvas suaves dos quadris. O corpo dela ainda tremia, pequenos espasmos que lhe percorriam os músculos.

Ela puxou-o para cima, as mãos nos ombros dele, e encontrou-lhe a boca. Beijou-o com a língua, provando-se a si mesma nos lábios dele — o salgado único que ainda lhe cobria o queixo e a boca. Gemeu dentro do beijo, os dedos a apertarem-lhe a nuca. — Prova-me — murmurou contra os lábios dele, a voz rouca e rendida. Ele deixou que a língua dela o lambesse, partilhando o gosto, a intimidade daquela degustação mútua.

Depois, enlaçaram-se. Os corpos colaram-se, peitos contra peito, as peles suadas e pegajosas a aderirem uma à outra. A respiração dele abrandou, sincronizada com a dela, os pulmões a encherem-se no mesmo ritmo. Os dedos dele voltaram a percorrer a pele da Amante como teclas de piano, agora num silêncio de repouso absoluto.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 12 de março de 2014

O CORPO QUE TE PERTENCE



A  luz dourada da rua entrava pela janela, pintando o quarto de sombras e brilhos húmidos. A chuva batia nos vidros, um tambor abafado que acompanhava a respiração lenta. Deitou-se de costas sobre os lençóis revolvidos, os olhos fechados, e abriu as mãos sobre o colchão. As rédeas caíram. O corpo estremeceu com o abandono.

— É teu — sussurrou para o vazio, para a presença que imaginava no escuro. — Este corpo é teu.

A mão direita subiu até ao peito nu, os dedos a deslizar sobre a pele suada como se fossem os dedos dele. A palma desceu devagar, contornando o umbigo, até pousar no baixo-ventre. Mordeu o lábio inferior. A respiração já não era lenta.

Os dedos roçaram o púbis e desceram, encontrando os grandes lábios já húmidos. Gemeu baixo. Imaginou a mão firme do Amante a abri-la, a tomar posse. Dois dedos deslizaram para dentro da própria vagina, e o gemido seguinte foi alto, quebrado, o corpo a arquear-se contra a palma. A entrada triunfal queimava-lhe a imaginação.

A porta abriu-se. O Amante entrou, os olhos fixos na mão que ainda tremia entre as pernas dela.

O Amante agarrou-lhe o pulso com firmeza e afastou-lhe a mão da cona molhada. Inclinou-se sobre ela, a boca a devorar-lhe os lábios com fome, a língua a invadir-lhe a boca enquanto os dedos dele substituíam os dela. Dois dedos grossos entraram-na de uma só vez, e o polegar roçou o clítoris inchado.

Ela gemeu contra a boca dele, as costas a arquear. Ele despiu-se rapidamente, a camisa a voar para o chão, as calças a cair. O caralho saltou livre, duro e grosso, a cabeça húmida a brilhar na luz dourada.

— É teu — sussurrou ela, abrindo as pernas completamente. — Este corpo é teu.

Ele ajoelhou-se entre as coxas dela. Os dedos continuavam a foder-lhe a cona devagar, o polegar a pressionar o clítoris em círculos. Ela agarrou-lhe os ombros, cravando as unhas na pele suada. Ele baixou a cabeça e passou a língua lenta e firme sobre o clítoris, saboreando os fluidos que escorriam. Ela gritou.

O Amante levantou-se, posicionou a cabeça do caralho na entrada da cona molhada e empurrou lentamente para dentro.

Ele empurrou lentamente para dentro. A cabeça do caralho abriu-a, cada centímetro a deslizar na cona molhada até a base lhe tocar o clítoris. Ela sentiu-se cheia, preenchida até ao fundo, os fluidos a escorrerem-lhe pelas coxas enquanto o corpo se ajustava à invasão. — Tão fundo — gemeu, as mãos a largarem os ombros dele para se abrirem sobre o colchão. As rédeas caíram. 

O Amante agarrou-lhe as ancas e começou a foder. O ritmo era duro, rápido, as bolas a baterem-lhe na pele húmida com um som molhado a cada estocada. A cama rangeu. O suor do peito dele gotejou-lhe sobre a barriga. Ela arqueou as costas, os dedos a agarrarem os lençóis revolvidos, a cona a apertar-se em espasmos involuntários ao redor do caralho. 

Ele levantou-lhe uma perna sobre o ombro e o ângulo mudou — mais fundo, mais intenso, a cabeça do pénis a roçar-lhe o ponto exato que lhe roubava o ar. Ela gritou. A mão dele deslizou-lhe pela coxa, os dedos a pressionarem-lhe o clítoris inchado enquanto continuava a bombar. 

O orgasmo rebentou-lhe no ventre, a cona a contrair-se em ondas violentas, um jato quente a libertar-se sobre o caralho e as bolas dele. — Agora — rosnou o Amante. Três estocadas brutais, profundas, e ele despejou-se dentro dela com um rugido. O sémen quente encheu-lhe o útero enquanto o pénis pulsava. Ele colapsou sobre ela, o caralho ainda a latejar lá dentro, o sémen a escorrer pela fenda da cona.

O Amante permaneceu sobre ela mais um minuto, a respiração pesada a abrandar contra o seu pescoço. O caralho, já mole, ainda estava enfiado na cona latejante, e cada pequeno movimento enviava um espasmo residual pelas coxas dela. Depois, com uma lentidão quase cerimoniosa, ele retirou-se. 

A fricção do pênis a deslizar para fora arrancou-lhe um gemido baixo, os lábios da cona a apertarem-se numa última contração antes de o libertarem. O sémen quente seguiu o movimento, uma golfada espessa a escorrer pela fenda e a formar uma poça morna nos lençóis entre as coxas abertas dela. O cheiro a sexo e suor pairava no ar parado do quarto.

Ela não se moveu. O corpo estava dormente, os músculos desfeitos, a pele a arrefecer sob a luz dourada da rua que entrava pela janela. A chuva tamborilava no vidro, um som distante e abafado. Os dedos dela, ainda agarrados aos lençóis revolvidos, abriram-se lentamente. As rédeas tinham caído e ela não fazia tenção de as levantar.

Puxou-o para si com os braços trémulos, envolvendo-lhe as costas largas e húmidas de suor. O peito dele comprimiu-se contra o dela, e ela sentiu o coração dele a bater, ainda acelerado, contra as suas costelas. O corpo dele era pesado, quente, e ela recebeu-o sem resistência, as coxas a fecharem-se lentamente ao redor da anca dele, aprisionando o calor que ainda pulsava entre as pernas. Um espasmo suave percorreu-lhe a barriga, um eco distante do orgasmo, e ela arqueou-se ligeiramente contra ele.

— Meu — murmurou ela, a voz rouca e quase inaudível.

Não era uma pergunta, nem um pedido. Era um facto. O corpo dela, desfeito e pleno, pertencia-lhe. Ele não respondeu com palavras. A mão dele subiu-lhe pela anca, os dedos a desenharem círculos lentos na pele molhada, e ela fechou os olhos. 

A respiração de ambos sincronizou-se, o peito a subir e a descer no mesmo ritmo preguiçoso. O sémen continuava a escorrer, uma humidade quente que se espalhava sob as nádegas dela, mas ela não se importou. Os lençóis estavam perdidos, revolvidos, manchados — como ela.

As mãos dela repousaram abertas e vazias nas costas do Amante, as rédeas largadas para sempre.




  Cléia Fialho

sábado, 8 de março de 2014

O BANHO QUE ARDE



Ela entrou na casa de banho a tremer, os braços cruzados sobre o peito, o cabelo escuro já húmido da condensação que escorria pelo vidro embaciado. Encostou a palma da mão contra a superfície fria e deixou-a lá, os dedos abertos, a marca da pele a imprimir-se no vapor.

— Está um frio de rachar — sussurrou, a voz entrecortada. — Prepara-me o banho. Preciso que me arrefeças.

Ele abriu as torneiras sem pressa, a água quente a jorrar contra o esmalte da banheira, mas os olhos escuros nunca deixaram os dela. Aproximou-se por detrás, o peito vestido de linho a encostar-se às costas dela, e envolveu-lhe o pescoço com uma mão grande e quente. Ela lançou a cabeça para trás, aninhando-a na curva do ombro dele, os olhos fundos a fecharem-se.

— Não é o frio — murmurou ela, a morder o lábio inferior. — Tenho no corpo a brasa de te sentir. Sempre que me tocas... entro em delírio.

Os dedos dele apertaram-lhe o pescoço e depois desceram, lentos, até agarrarem a barra da camisola dela.

Os dedos dele agarraram a barra da camisola e puxaram-na para cima, o tecido a roçar-lhe os mamilos já duros. Ela ergueu os braços, dócil, e a camisola caiu no chão de mosaico. A boca dele desceu ao ombro nu, beijou a clavícula, e as mãos grandes e quentes deslizaram pelas costas dela até soltarem o fecho do soutien. Quando o tecido cedeu, ele encheu as mãos com as mamas dela e beliscou-lhe os mamilos com a ponta dos dedos, arrancando-lhe um gemido entrecortado.

— Entra na água — ordenou ele, a voz grave e pausada contra a orelha dela.

Ela despiu as calças e a roupa interior com gestos trémulos e meteu-se na banheira. A água quente fechou-se sobre a pele arrepiada e ela suspirou, as pernas a abrirem-se devagar, os joelhos a romperem a superfície. Os olhos fundos cravaram-se nos dele. Estendeu a mão molhada e desabotoou-lhe as calças, os dedos a envolverem o caralho já tenso, a sentirem-no endurecer sob a palma. Ele gemeu, os dedos a apertarem-se na borda da banheira.

Despiu a camisa de linho e as calças e deslizou para dentro da água, o corpo a encaixar-se entre as coxas abertas dela. A boca dele fechou-se sobre a boca dela, as línguas a encontrarem-se com urgência, os dentes a roçarem o lábio inferior que ela mordia. Ele empurrou-a contra a borda da banheira, a água quente a escorrer pelos ombros dela, a mão dele a deslizar por debaixo da superfície até os dedos encontrarem a cona molhada.

Os dedos dele deslizaram por debaixo da água e abriram os grandes lábios da cona, a polpa dos dedos a afastar a carne molhada. Ela arquejou, as costas a colarem-se à borda fria da banheira, e sentiu a cabeça do caralho a pressionar a entrada. Ele empurrou num só movimento lento e fundo, o caralho a encher a vagina até ao fundo, a água a deslocar-se em ondas contra o peito dela. 

O gemido que lhe escapou foi agudo e involuntário, a ecoar no azulejo. — Tão quente — murmurou ele, a voz grave contra a orelha dela. — Tão apertada. Ela agarrou os bordos da banheira com as duas mãos, os nós dos dedos brancos, e ele começou a foder com empurrões rápidos e duros. O caralho entrava e saía da cona molhada com um som de chapada abafado pela água, os testículos a baterem no períneo dela a cada estocada. 

As mamas balançavam com o ritmo, os mamilos duros a roçarem o peito dele. A água quente transbordava pelas bordas da banheira, a escorrer pelo chão de azulejo. Ela mordeu o lábio inferior com força, os olhos fundos a revirarem, o corpo a arquear-se para o receber mais fundo. — Mais — sussurrou, a voz entrecortada. — Mais, por favor. 

Ele acelerou, os dedos a apertarem-lhe as ancas, o caralho a martelar a cona num ritmo que já não era controlado. O vidro embaciado tremia com o impacto dos corpos, a marca da mão dela ainda impressa na condensação. Ela sentiu o delírio a subir, a brasa no corpo a consumir-se, a cona a apertar o caralho em espasmos violentos. 

Gemeu alto, um som rouco e prolongado, os fluidos vaginais a misturarem-se com a água da banheira enquanto o corpo tremia em delírio colpúlsal. Ele empurrou uma última vez até ao fundo da vagina, o caralho a pulsar, e gozou com um grunhido — o esperma quente a jorrar dentro da cona dela e a escorrer pelo canal vaginal. 

A água a escorrer pelas costas de ambos, o vapor a subir do vidro embaciado. O esperma dele escorreu da cona dela para a água da banheira enquanto os dois ofegavam, agarrados um ao outro.

Ela encostou a cabeça no ombro dele, o corpo mole e finalmente quieto. O esperma ainda escorria entre as pernas, um fio morno a perder-se na água turva da banheira. Ele envolveu-a pelos ombros, o caralho mole a repousar contra a coxa dela, e beijou-lhe a testa com os lábios lentos.

— O frio já passou — murmurou, a voz grave e pausada.

Ela ergueu os olhos para o vidro embaciado. A marca da sua mão ainda lá estava, impressa na condensação, mas agora parecia diferente — já não era o gesto de um corpo a tremer de frio. Sorriu, os dedos a repousarem sobre o peito dele, e o vapor cobriu o vidro embaciado até que a marca se desfez. A água a escorrer pelas bordas da banheira era agora o único som.




  Cléia Fialho

terça-feira, 4 de março de 2014

O SEIOS Á MERCÊ



ELa montou-o devagar, os joelhos afundando no colchão, as coxas abertas sobre os quadris dele. A glande encostou na entrada molhada e ela desceu — um centímetro, depois outro — a vagina engolindo o pau com uma lentidão que fazia os dois prenderem a respiração. O suco escorreu pela base, quente, e ela sorriu ao vê-lo cerrar a mandíbula. As mãos dele agarraram-lhe os quadris, os dedos cravando na carne macia, mas ele não a puxou. Obedeceu. 

Ela desceu mais um centímetro, as paredes internas apertando o pau duro, a lubrificação pingando nas bolas dele. Inclinou-se para a frente, os seios cheios roçando o peito suado do homem, e murmurou com a voz ainda firme, o corpo já tremendo: — Saboreando a espera. Ele rosnou, os dedos apertando os quadris dela até deixar marcas roxas.

Ela quebrou o ritmo de uma vez. Os quadris desceram com força total, a vagina engolindo o pau até a base numa estocada que arrancou um grito rouco da garganta dele. Subiu e desceu outra vez, rápida, as coxas batendo nos quadris dele com um estalo molhado, o suco espirrando na pele suada dos dois. O gemido dela rompeu alto, incontrolável, a profundidade tomando-lhe o fôlego. 

Cavalgou mais rápido, sem freio, os seios cheios saltando a cada impacto. Arqueou as costas e empinou-os, as mãos erguendo a carne farta, os mamilos duros apontados para a boca dele como oferenda. Ele avançou. 
A boca quente fechou no seio esquerdo, os dentes cravando no mamilo com uma mordida brutal que a fez gritar. As mãos grosseiras puxaram os seios para cima, esticando a carne, apertando até doer. Ela gemeu, rendida. A boca dele fecha no seio oferecido, os dentes cravando na carne.

A boca dele não largou. Os dentes cravados no mamilo esquerdo puxaram, esticando a carne do seio até doer, a ponta da língua chicoteando o bico duro enquanto ela gemia alto, os quadris descendo com força no pau. Ele soltou o mamilo com um estalo molhado e avançou no direito. A boca quente abocanhou o seio inteiro, os dentes prendendo o mamilo, puxando para cima enquanto as mãos grosseiras apertavam a carne farta dos dois lados, os dedos afundando até deixar marcas vermelhas profundas.

Ela gritou. O ritmo dos quadris quebrou, as estocadas ficando descompassadas, o pau entrando torto, raspando as paredes da vagina, a glande batendo no colo do útero a cada descida bruta. A dor e o prazer se misturaram num gemido rouco que saiu da garganta dela sem controle. 

Cavalgou mais rápido, sem coordenação, as coxas tremendo, o suco escorrendo pelas bolas dele, os seios saltando na boca do homem enquanto ele mordia outra vez — a marca do terceiro dente cravando na carne macia, a ardência explodindo em ondas pelo corpo dela.

A vagina apertou. Os espasmos começaram profundos, as paredes contraindo ao redor do pau num aperto violento que o fez rosnar contra o seio dela. Ela gemeu alto, a voz quebrando num grito entrecortado, o orgasmo detonando do fundo da barriga, subindo pela espinha, explodindo atrás dos olhos. Os quadris travaram, o corpo arqueado, os seios ainda presos na boca dele, o suco jorrando quente sobre as bolas, sobre os lençóis.

Ele gozou com um rosnado grave. O pau pulsou dentro dela, os jatos de porra quente enchendo a vagina, uma, duas, três contrações, o líquido espesso escorrendo pela base do pau, vazando pela fenda enquanto ela ainda tremia. A porra escorre pela fenda dela enquanto o corpo ainda espasma, os seios cobertos de marcas de dentes vermelhas.

O corpo dela cedeu. Todo o peso, toda a tensão dos minutos anteriores, desabou sobre o peito dele num colapso lento. Os seios esmagaram-se contra o torso suado do homem, a carne macia achatada, os mamilos ainda duros roçando os pelos do peito dele. O pau amolecia dentro da vagina, mas ainda estava lá — a presença morna, pulsando fraco, a porra misturada ao suco dela vazando devagar pela fenda, escorrendo entre as coxas de ambos, grudando os corpos. 

Ela não se moveu. A respiração voltava aos poucos, o peito subindo e descendo contra o dele, os espasmos finais percorrendo as coxas em tremores pequenos, involuntários. A cabeça encontrou o encaixe entre o ombro e o pescoço do homem. O suor dele tinha gosto de sal quando os lábios dela tocaram a pele sem querer.

A mão dele subiu. Os dedos grossos, ainda trêmulos, percorreram as costas dela, a curva da cintura, até alcançar o seio. O polegar pousou sobre a marca — a pele inchada, quente, o relevo dos dentes ainda visível na auréola escura. 

Ele não apertou. Só traçou o contorno da mordida, devagar, como se lesse a marca com a ponta do dedo. Ela estremeceu. A ardência tinha baixado, mas o toque reacendeu a memória da dor — aquele instante em que os dentes cravaram e o prazer explodiu junto. O gemido que escapou dela foi quase um suspiro.

O quarto mergulhou no silêncio. A lâmpada amarela tremeluziu no canto, lançando sombras imóveis sobre os lençóis revolvidos. Os gritos de antes ainda ecoavam nas paredes, mas agora só a respiração pesada preenchia o ar — a dele, rouca, espaçada; a dela, mais curta, ainda buscando o ritmo normal. 

O calor dos corpos suados formava uma película úmida entre eles, os fluidos secando devagar sobre a pele. Lá fora, nenhum som. Dentro, só o polegar dele deslizando outra vez sobre a marca de dente no seio dela, circular, paciente. Ela fechou os olhos.




  Cléia Fialho

sábado, 1 de março de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SEIS MESES



Ela tentou virar-se de costas, o corpo a pedir tréguas, mas as mãos dele fecharam-se-lhe nos ombros e impediram o movimento. Os dedos calejados cravaram-se na pele macia, mantendo-a de bruços contra o colchão. Ele inclinou-se, o hálito quente a roçar-lhe a nuca, a barba por fazer a arranhar-lhe a orelha.

― Não te deixo descansar. Não hoje. Não agora.

A voz saiu rouca, um comando que lhe vibrou na espinha. Ela arqueou-se, instintiva, as ancas a empinarem-se como se o corpo soubesse o que vinha antes da mente ceder. Ele agarrou-lhe o queixo, virou-lhe o rosto e tomou-lhe a boca com uma fome de seis meses represada. Língua a invadir, saliva misturada, dentes a morder o lábio inferior. Ela gemeu para dentro dele, rendida. As mãos dele desceram, agarraram a roupa, puxaram com força até o tecido ceder e as ancas dela ficarem nuas e erguidas sob os dedos que já se abriam para as tomar.

O movimento foi brusco. As mãos calejadas viraram-na de bruços antes que ela pudesse protestar, o rosto afundado no colchão, o cabelo escuro espalhado. Ele agarrou-lhe as ancas com ambas as mãos, os dedos a afundarem-se na carne macia, e ergueu-as. 

Afastou-lhe as pernas com o joelho, abrindo-a. Abaixou a boca. A língua percorreu a curva da anca, mordeu a nádega, desceu até à fenda. Lambeu do clitóris à entrada, a saliva a escorrer. Ela gemeu, involuntária, as ancas a tremerem contra a boca dele. Os polegares espalharam-lhe as nádegas, abriram os lábios da concha. A língua penetrou, funda, e as ancas erguidas imploraram, pingando saliva e excitação.

A boca ainda lhe escorria da concha quando ele se ergueu atrás dela. Os joelhos afundaram no colchão, as mãos calejadas a agarrarem-lhe as ancas erguidas com força de quem não pede licença. O pau estava duro, pesado, a latejar contra a nádega dela enquanto ele se posicionava. 

A glande roçou os lábios molhados, a fenda aberta e a pingar da saliva e do líquido que ela já não controlava. Ele não avisou. Uma mão no quadril, a outra na base do pau, e empurrou. Uma estocada só, até ao fundo, a concha a abrir-se de repente para o receber inteiro.

Ela gritou contra o colchão, os dedos a agarrarem os lençóis. O corpo arqueou-se, as ancas erguidas a recuarem instintivamente para ele, e ele gemeu — um som rouco, gutural, que lhe saiu do peito como se tivesse acabado de matar a sede depois de seis meses no deserto. A concha apertou-o, quente, molhada, e ele não esperou que ela se adaptasse. Recuou as ancas e voltou a entrar, brutal, o som molhado do sexo a encher o quarto abafado.

— Assim — rosnou ele, a voz a tremer de prazer contido. — Assim, de quatro, como eu queria.

As estocadas começaram rápidas, fundas, o ritmo a construir-se em segundos. As ancas dele batiam contra as nádegas dela com um estalo seco e repetido, a pele suada a colar-se e a soltar-se a cada embate. O líquido vaginal escorria pelo pau, pelas coxas dela, e o som era obsceno — molhado, viscoso, a cada investida. 

Ele agarrou-lhe o cabelo escuro com uma mão, enrolou os dedos na raiz e puxou para trás. A cabeça dela ergueu-se, a coluna arqueou, e as ancas erguidas empinaram-se ainda mais, oferecendo a concha num ângulo que o fez entrar ainda mais fundo.

Ela gemia a cada estocada, sons entrecortados que saíam involuntários, a voz a falhar quando a glande batia no fundo. Ele largou-lhe o cabelo e agarrou-lhe as ancas com as duas mãos, os polegares a afundarem-se na carne macia, e fodeu-a com um ritmo que já não era controlado — era necessidade, fome, seis meses a saírem do corpo em cada investida. O suor escorria-lhe pelas costas, os testículos a baterem contra o clitóris dela a cada embate.

— Vai-te — ordenou ele, a voz rouca e tensa. — Vai-te agora.

E ela foi. O orgasmo rebentou num grito que lhe saiu da garganta como um soluço, a concha a apertar o pau em espasmos violentos, as paredes a contraírem-se e a puxarem-no para dentro. Ele gemeu, sentiu o aperto, e continuou a foder através do orgasmo dela, as estocadas agora erráticas, brutais. 

O líquido dela escorreu pelas coxas, pelo pau, e ele rugiu quando o próprio orgasmo o atingiu — um jorro quente e espesso que lhe encheu a concha em espasmos, a pulsar dentro dela enquanto as ancas dele batiam uma última vez contra as nádegas e paravam, enterrado até ao fundo.

Ela caiu de bruços, o corpo a tremer, a concha ainda a apertá-lo em espasmos fracos. Ele saiu devagar, o pau a escorregar da fenda molhada, e o esperma começou a escorrer — branco, espesso, a descer pelos lábios da concha e pelas coxas trémulas enquanto ela respirava ofegante, de bruços, rendida.

Ele deixou-se cair sobre as costas dela, o peito colado à pele suada, o peso do corpo a cobri-la por inteiro. As respirações de ambos acertaram o compasso, lentas, pesadas, o ar quente a sair-lhes das bocas em sincronia. A mão calejada subiu até à nuca dela e os lábios pousaram ali, um beijo lento, sem pressa, a urgência finalmente dissipada. 

Ela virou a cabeça de lado, os olhos fundos a encará-lo, rendidos, exaustos, sem uma palavra. Ele acariciou-lhe as ancas com toques leves, a ponta dos dedos a deslizar sobre a pele húmida, o esperma ainda a escorrer entre as coxas dela, morno e espesso. A mão pousou nas ancas erguidas, imóvel. Os dois ficaram quietos na escuridão.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A PROMESSA DO TEU CORPO



Os dedos dele entrelaçam-se nos dela e cravam os pulsos contra o colchão encharcado. O suor escorre entre as palmas, os polegares marcam a pele fina dos pulsos dela, e ele não desvia o olhar. O peito sobe e desce contra o dela, o peso do corpo a prendê-la inteira.

Ela arqueia as ancas devagar, a bacia a subir para o encontro da glande que roça os grandes lábios. O primeiro líquido escorre — a água escondida que ela ainda tenta reter — e espalma-se pela fenda quando a ponta do pau desliza, húmida, sem entrar.

Um gemido escapa-se-lhe. O primeiro verso ao ar, curto e entrecortado, ainda preso entre os dentes.

Ele sorri contra o pescoço dela, os lábios colados à pele quente, e empurra as ancas só um pouco. A glande abre a entrada molhada. Um centímetro. Ela solta um som que já não é gemido — é verso partido.

Ele não espera mais. As ancas recuam só o suficiente para a glande sair quase toda — só a ponta ainda dentro, a sentir o anel de músculo a apertar — e depois enterra até à base numa estocada seca que arranca um grito a ela e um grunhido a ele.

A cona aperta-o de imediato. As paredes quentes e molhadas contraem-se à volta do pau como se o corpo dela recusasse deixá-lo sair. Ele fica ali, enterrado até aos ovos, a sentir cada espasmo, cada pulsação minúscula que lhe sobe pela verga e lhe aperta a base.

— Assim… — ela geme, e a palavra sai partida, sílaba a sílaba, um verso ao ar que ainda não encontra a rima.

Ele começa a mover-se. As estocadas saem duras, ritmadas, os ovos a bater contra o períneo dela com um som húmido e pesado que se repete a cada investida. O lençol já não absorve mais nada — a água escondida dela escorre pela base do pau, desce pelos testículos, pinga para o colchão numa mancha escura que se alastra.

O prepúcio rasga para trás a cada entrada. A glande, exposta e inchada, esfrega o ponto G dela com batidas secas e repetidas, e a cada toque ela solta um som novo — um verso desordenado, rouco, que já não obedece a métrica nenhuma.

— Mais… mais fundo…

Ele obedece. As mãos descem para as ancas dela e cravam-se na carne, os dedos a deixar marcas vermelhas que hão de ficar roxas de manhã. Puxa-a contra cada estocada, acelera o ritmo até ser brutal e descompassado, o som de carne húmida a chocar a encher o quarto. O cu dela levanta do colchão a cada investida, engolindo o pau até aos ovos, e ele sente o líquido dela a jorrar em espasmos pela fenda, a encharcar-lhe os pêlos púbicos, a escorrer pelo rego do cu até ao lençol.

Ela crava as unhas nas costas dele. Arranha até sangrar, riscos finos que ardem com o suor, e as coxas tremem e fecham-se à volta dos rins dele como se o corpo inteiro dela fosse um nó a apertar.

O aperto da cona aumenta. As paredes contraem-se em espasmos involuntários, um ritmo que já não é o dele — é o dela, o corpo a tomar o controlo, a leitá-lo com cada convulsão molhada.

— Quase… — ele grunhe contra o pescoço dela. — Quase a chegar…

Ela solta um grito agudo — o último verso ao ar, alto e rouco, uma poesia que não precisa de palavras — e a cona aperta em convulsões molhadas que o puxam para dentro, que o seguram, que o ordenam.

O pau dele pulsa dentro dela e o primeiro jacto de leite quente bate no fundo da cona enquanto ela grita o seu nome.

O peso dele desaba sobre ela, o peito a achatar-lhe os seios, o coração a martelar contra as costelas como se ainda não tivesse percebido que o corpo já parou. O pau ainda enterrado, mole mas latejante, e cada pulsação ecoa nas paredes da cona que continuam a apertar — espasmos fracos, já sem força, mas teimosos, como se o corpo dela se recusasse a deixá-lo ir. Cada contração espreme o que resta dele lá dentro, um último fio de leite que escorre da glande e se perde na água escondida que ainda a inunda.

Ela afasta o cabelo húmido do rosto dele com dedos que tremem. Os fios escuros colam-se à testa suada, e ela beija-o ali, devagar, os lábios a pousar na pele quente como se fosse o único lugar do mundo onde ainda existe chão. O corpo dela treme — um cansaço que vem do fundo dos ossos, das coxas que arderam abertas, do ventre que ainda se contrai em ondas cada vez mais espaçadas.

Ele sente a mistura a escorrer pelos ovos. Leite branco e o líquido transparente dela, morno e espesso, a descer pelo saco até manchar o lençol. O pau escorrega para fora da cona — devagar, sem resistência, seguido por um fio grosso que liga a glande à fenda e se parte, pingando na mancha escura que já se alastra no tecido. As coxas dela tremem uma última vez, um espasmo que lhe sacode o corpo inteiro, e a água escondida e o leite escorrem pelo rego do cu até ao lençol encharcado.

Os dedos dela entrelaçam-se nos dele sobre o lençol molhado, e ele sussurra contra a testa suada que a promessa está cumprida.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A PELE SOB A CAMISA



Os dedos dele encontraram os ombros dela primeiro — firmes, quentes, cravando-se no tecido leve da camisa. Puxou o corpo dela contra o seu num só movimento, a respiração já curta, os olhos escuros fixos nos botões que o separavam da pele. O primeiro cedeu com um estalo seco. Os dedos tremiam — a urgência a trair o controlo que ele queria manter. O segundo botão abriu-se com menos resistência, o tecido a afastar-se, revelando a alça rendada do sutiã.

A boca dele desceu. Lábios entreabertos traçaram a curva do pescoço dela, a língua a provar o sal da pele, os dentes a mordiscar de leve o ponto onde o pulso batia acelerado. Ela inclinou a cabeça para trás, a garganta exposta, um suspiro entrecortado a escapar-lhe dos lábios. As mãos dela agarraram os ombros dele, unhas cravadas no tecido da camisa, as costas a arquear-se num convite involuntário.

O terceiro botão cedeu. Depois o quarto. A camisa aberta pendia-lhe dos cotovelos, o sutiã exposto sob a luz dourada do abajur.

A mão desceu do pescoço dela, os dedos a arrastarem-se pela clavícula exposta, pelo esterno, pela curva do peito ainda coberto pela renda. A palma espalmou-se sobre o ventre dela — firme, quente, a carne a contrair-se sob o toque. Ele sentiu o músculo estremecer, a respiração dela suspensa.

Os dedos agarraram a barra da saia leve e ergueram o tecido até à cintura. As coxas apareceram, a pele iluminada pelo abajur, e entre elas o algodão da calcinha escurecido pela humidade. A saia molhada nas escamas denunciava tudo — o cheiro, o calor, a evidência que não precisava de palavras.

Ela gemeu quando os dedos dele pressionaram a calcinha encharcada, o som abafado contra os dentes que mordiam o lábio. Os quadris arquearam-se, empurrando a vulva contra a mão dele, um movimento involuntário, desesperado. Os dedos afastaram a calcinha molhada para o lado, a pele nua da vulva exposta ao ar.

Os dedos ainda estavam molhados da calcinha dela quando ele a agarrou pelas coxas e a ergueu do chão. As costas dela bateram contra a parede com um baque surdo, o quadro a tremer, o abajur a oscilar no criado-mudo. A camisa aberta dele pendia dos ombros, os botões restantes a tilintarem contra o peito nu. A saia dela continuava enrolada na cintura, o tecido encharcado a colar-se à pele.

Ela envolveu as pernas na cintura dele, os calcanhares a cravar-se nas costas nuas, as coxas a apertarem-lhe os flancos. Ele não esperou. A mão desceu ao pau duro, guiou a glande até à entrada molhada dela e empurrou. Um golpe só, seco, até ao fundo. A buceta apertada engoliu-o inteiro, as paredes a contraírem-se num espasmo quente. Ela gritou — um som agudo que lhe rasgou a garganta e morreu contra o pescoço dele.

A umidade escorreu pela base do pau, pelas coxas dela, um fio quente que desceu até aos joelhos. Ele não deu pausa. Os quadris recuaram e avançaram outra vez, o pau a sair quase todo e a entrar de novo, o som de carne molhada a bater a encher o quarto. Rápido. Brutal. Os testículos batiam contra a bunda dela a cada estocada, o ritmo acelerado, sem trégua.

As unhas dela cravaram-se nas costas dele, arranhando a pele nua, deixando marcas vermelhas que ardiam com o suor. As costas dela arqueavam-se a cada investida, os seios ainda presos na renda do sutiã a roçarem o peito dele. Ele mordeu-lhe o pescoço — dentes na carne, língua no sulco entre o ombro e a orelha, o gosto salgado do suor dela na boca. O gemido dela saiu-lhe entrecortado, um som que se partia a cada estocada.

Os quadris dele empurravam com força, estocadas curtas e profundas, o pau enterrado até ao fundo. A saia molhada colava-se à barriga dele, o tecido a esfregar-se na pele a cada movimento. O cheiro a sexo subia, quente e denso, misturado com o suor dos dois corpos grudados.

Ela veio primeiro. A buceta apertou o pau dele em espasmos, contrações rápidas que o sugaram ainda mais fundo. Um líquido quente jorrou sobre a glande e escorreu pelas coxas dos dois. O gemido dela transformou-se num grito longo que lhe rasgou a garganta. Ele sentiu o orgasmo dela a pulsar à volta do pau e deixou-se ir — os jatos de porra quente a encherem-na por dentro, o pau a pulsar a cada jato, enterrado até à base. Um gemido rouco escapou-lhe contra a orelha dela.

A porra escorre pelas coxas dela quando ele finalmente para de se mover, os dois ofegantes contra a parede.

Os joelhos cederam ao mesmo tempo. Ele envolveu-a nos braços e deixou-se escorregar pela parede até ao chão, as costas nuas contra a tinta fria, ela aninhada contra o peito dele, o pau ainda enterrado, mole e quente. A respiração dos dois acalmou num ritmo único, os peitos a subir e descer colados. 

Ela afastou o cabelo escuro da testa com os dedos trémulos e ergueu o rosto para ele. Não disse nada. A mão pousou no peito dele, a palma aberta sobre o coração, sentindo cada batida a abrandar. A porra morna escorria-lhe entre as coxas, um fio lento que lhe descia pela pele e pingava no tapete. 

A saia, ainda enrolada na cintura, mantinha a humidade escura do tecido colada às ancas. Ao lado deles, a camisa jazia no chão, os botões espalhados como pequenas contas no tapete. Os dedos dela encontraram um e fecharam-se à volta dele, um sorriso cansado nos lábios.




  Cléia Fialho

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O GOSTO DA SAUDADE



Ela desceu devagar, os joelhos encontrando o chão frio do corredor, as rótulas pressionando a madeira gasta. O peso do corpo repousou ali, ancorado, e as mãos subiram lentas até pousarem nas coxas dele. A palma direita espalmou-se sobre o tecido da calça, sentindo o calor que irradiava do músculo tenso. 

Ele olhou-a de cima, a mão pesando no ombro dela antes de deslizar para a nuca, os dedos enterrando-se no cabelo escuro. Ela encostou a bochecha na coxa dele e sentiu o músculo estremecer sob a pele. Os dedos dele apertaram o cabelo dela e a coxa tremeu sob a bochecha.

Os dedos dela subiram até o cós da calça dele, a ponta do indicador encontrando o botão metálico. Desabotoou-o com uma lentidão que fez o estalo do metal ecoar no silêncio do corredor. O zíper desceu dente por dente, o som áspero preenchendo o espaço entre os corpos. As mãos dela agarraram o tecido nas coxas dele e puxaram para baixo, expondo a pele morena, o elástico da cueca, o osso do quadril saliente sob a carne.

Ela inclinou a cabeça e encostou a boca na linha do quadril. A língua saiu molhada, lenta, lambendo a pele salgada que a saudade guardou. A saliva brilhou sobre o osso, escorreu um fio fino que ela recolheu com a ponta da língua antes de descer. A boca percorreu a virilha, traçando a raiz do pau com a ponta molhada, sentindo a veia pulsar sob a pele quente.

Ele soltou um gemido rouco, involuntário, a glote queimando o nome dela antes de se perder num sopro. A mão esquerda fechou-se no ombro dela, os dedos cravando com força. Ela abriu mais a boca e a ponta da língua tocou a cabeça do pau. A coxa dele tremeu.

A boca desceu. Os lábios se abriram e o pau entrou — a cabeça primeiro, alargando a língua, depois a haste grossa deslizando até o fundo. A garganta se fechou ao redor dele e ela não recuou. Os lábios apertaram na base, a ponta do nariz encostando no osso do púbis, o cheiro dele enchendo os pulmões. A saliva escorreu pelo canto da boca, um fio grosso que pingou na coxa dela e brilhou sob a luz fraca do corredor.

Ela não tinha pressa. A língua massageava a parte de baixo do pau, a veia pulsando contra a ponta molhada enquanto sugava devagar. Subia e descia. Cada sugada arrancava um som diferente dele — um gemido rouco, uma sílaba quebrada, o nome dela mastigado entre os dentes. A glote dele ardia a cada vez que ela engolia o pau até o fundo e ficava lá, parada, a garganta contraindo ao redor da cabeça.

Os quadris dele avançaram. O pau bateu no fundo da garganta e ela engasgou, os olhos se estreitando, mas não tirou a boca. As mãos subiram e agarraram as coxas dele — os dedos cravando na carne morena, as unhas deixando meias-luas na pele. Ela freou o ritmo. Segurou as coxas com força e manteve a boca apertada, a sucção lenta, o vai-e-vem que ela controlava.

— Não aguento — a voz dele saiu rasgada, a glote ardendo, a ordem virada em súplica.

A coxa direita tremeu contra o ombro dela. O músculo saltou sob os dedos, incontrolável, e ela sentiu o tremor se espalhar pelo corpo dele. Ele tentou empurrar de novo e ela cravou mais fundo as unhas, prendendo-o no lugar. A boca acelerou. A língua achatou contra a parte de baixo do pau, a sucção ficou mais forte, os lábios deslizando com a saliva que escorria sem parar.

O gemido que ele soltou ardeu na glote. As cordas vocais rasgaram o som, um urro rouco que ecoou no corredor estreito, e o pau pulsou na boca dela. O primeiro jato de esperma atingiu a língua — quente, salgado, espesso. O segundo foi direto no fundo da garganta. Ela engoliu. 

A garganta contraiu ao redor da cabeça do pau e ele gemeu de novo, mais fraco, a voz destruída. O terceiro jato encheu a boca e ela engoliu outra vez, os lábios ainda apertados na base, os dedos ainda cravados nas coxas dele.

O joelho doía contra o chão frio do corredor. Ela não se moveu. A boca continuou sugando, devagar agora, recolhendo o que restava, a língua limpando a ponta enquanto o pau pulsava vazio. Ele soltou o último gemido rouco e o pau dele pulsou vazio na boca dela.

Ela soltou-o devagar, os lábios descolando da pele com um som molhado. A saliva e o esperma brilhavam na boca entreaberta. Passou o dorso da mão pelos lábios, limpando o que escorria, e o gesto foi lento, quase cerimonioso. Os olhos ainda fixos nele.

O joelho doía contra o chão frio do corredor quando ela se levantou. As pernas tremiam. A dormência subia pela coxa, mas ela não se apoiou em nada. Ficou de pé diante dele, o cabelo escuro caindo solto sobre os ombros, a respiração ainda funda.

Ele a puxou pela cintura. As mãos dele agarraram a curva das ancas com força, como se precisasse de um ponto fixo no mundo. Encostou a testa no ventre dela. A respiração ainda irregular, o peito subindo e descendo contra as coxas dela. O corpo dele tremia, mas agora era um tremor diferente — não de prazer, mas de rendição.

— Meu senhor — ela sussurrou.

E ele, com a testa ainda pressionada contra o ventre dela, sussurrou o nome dela pela primeira vez.




  Cléia Fialho