A luz dourada da rua entrava pela janela, pintando o quarto de sombras e brilhos húmidos. A chuva batia nos vidros, um tambor abafado que acompanhava a respiração lenta. Deitou-se de costas sobre os lençóis revolvidos, os olhos fechados, e abriu as mãos sobre o colchão. As rédeas caíram. O corpo estremeceu com o abandono.
— É teu — sussurrou para o vazio, para a presença que imaginava no escuro. — Este corpo é teu.
A mão direita subiu até ao peito nu, os dedos a deslizar sobre a pele suada como se fossem os dedos dele. A palma desceu devagar, contornando o umbigo, até pousar no baixo-ventre. Mordeu o lábio inferior. A respiração já não era lenta.
Os dedos roçaram o púbis e desceram, encontrando os grandes lábios já húmidos. Gemeu baixo. Imaginou a mão firme do Amante a abri-la, a tomar posse. Dois dedos deslizaram para dentro da própria vagina, e o gemido seguinte foi alto, quebrado, o corpo a arquear-se contra a palma. A entrada triunfal queimava-lhe a imaginação.
A porta abriu-se. O Amante entrou, os olhos fixos na mão que ainda tremia entre as pernas dela.
O Amante agarrou-lhe o pulso com firmeza e afastou-lhe a mão da cona molhada. Inclinou-se sobre ela, a boca a devorar-lhe os lábios com fome, a língua a invadir-lhe a boca enquanto os dedos dele substituíam os dela. Dois dedos grossos entraram-na de uma só vez, e o polegar roçou o clítoris inchado.
Ela gemeu contra a boca dele, as costas a arquear. Ele despiu-se rapidamente, a camisa a voar para o chão, as calças a cair. O caralho saltou livre, duro e grosso, a cabeça húmida a brilhar na luz dourada.
— É teu — sussurrou ela, abrindo as pernas completamente. — Este corpo é teu.
Ele ajoelhou-se entre as coxas dela. Os dedos continuavam a foder-lhe a cona devagar, o polegar a pressionar o clítoris em círculos. Ela agarrou-lhe os ombros, cravando as unhas na pele suada. Ele baixou a cabeça e passou a língua lenta e firme sobre o clítoris, saboreando os fluidos que escorriam. Ela gritou.
O Amante levantou-se, posicionou a cabeça do caralho na entrada da cona molhada e empurrou lentamente para dentro.
Ele empurrou lentamente para dentro. A cabeça do caralho abriu-a, cada centímetro a deslizar na cona molhada até a base lhe tocar o clítoris. Ela sentiu-se cheia, preenchida até ao fundo, os fluidos a escorrerem-lhe pelas coxas enquanto o corpo se ajustava à invasão. — Tão fundo — gemeu, as mãos a largarem os ombros dele para se abrirem sobre o colchão. As rédeas caíram.
O Amante agarrou-lhe as ancas e começou a foder. O ritmo era duro, rápido, as bolas a baterem-lhe na pele húmida com um som molhado a cada estocada. A cama rangeu. O suor do peito dele gotejou-lhe sobre a barriga. Ela arqueou as costas, os dedos a agarrarem os lençóis revolvidos, a cona a apertar-se em espasmos involuntários ao redor do caralho.
Ele levantou-lhe uma perna sobre o ombro e o ângulo mudou — mais fundo, mais intenso, a cabeça do pénis a roçar-lhe o ponto exato que lhe roubava o ar. Ela gritou. A mão dele deslizou-lhe pela coxa, os dedos a pressionarem-lhe o clítoris inchado enquanto continuava a bombar.
O orgasmo rebentou-lhe no ventre, a cona a contrair-se em ondas violentas, um jato quente a libertar-se sobre o caralho e as bolas dele. — Agora — rosnou o Amante. Três estocadas brutais, profundas, e ele despejou-se dentro dela com um rugido. O sémen quente encheu-lhe o útero enquanto o pénis pulsava. Ele colapsou sobre ela, o caralho ainda a latejar lá dentro, o sémen a escorrer pela fenda da cona.
O Amante permaneceu sobre ela mais um minuto, a respiração pesada a abrandar contra o seu pescoço. O caralho, já mole, ainda estava enfiado na cona latejante, e cada pequeno movimento enviava um espasmo residual pelas coxas dela. Depois, com uma lentidão quase cerimoniosa, ele retirou-se.
A fricção do pênis a deslizar para fora arrancou-lhe um gemido baixo, os lábios da cona a apertarem-se numa última contração antes de o libertarem. O sémen quente seguiu o movimento, uma golfada espessa a escorrer pela fenda e a formar uma poça morna nos lençóis entre as coxas abertas dela. O cheiro a sexo e suor pairava no ar parado do quarto.
Ela não se moveu. O corpo estava dormente, os músculos desfeitos, a pele a arrefecer sob a luz dourada da rua que entrava pela janela. A chuva tamborilava no vidro, um som distante e abafado. Os dedos dela, ainda agarrados aos lençóis revolvidos, abriram-se lentamente. As rédeas tinham caído e ela não fazia tenção de as levantar.
Puxou-o para si com os braços trémulos, envolvendo-lhe as costas largas e húmidas de suor. O peito dele comprimiu-se contra o dela, e ela sentiu o coração dele a bater, ainda acelerado, contra as suas costelas. O corpo dele era pesado, quente, e ela recebeu-o sem resistência, as coxas a fecharem-se lentamente ao redor da anca dele, aprisionando o calor que ainda pulsava entre as pernas. Um espasmo suave percorreu-lhe a barriga, um eco distante do orgasmo, e ela arqueou-se ligeiramente contra ele.
— Meu — murmurou ela, a voz rouca e quase inaudível.
Não era uma pergunta, nem um pedido. Era um facto. O corpo dela, desfeito e pleno, pertencia-lhe. Ele não respondeu com palavras. A mão dele subiu-lhe pela anca, os dedos a desenharem círculos lentos na pele molhada, e ela fechou os olhos.
A respiração de ambos sincronizou-se, o peito a subir e a descer no mesmo ritmo preguiçoso. O sémen continuava a escorrer, uma humidade quente que se espalhava sob as nádegas dela, mas ela não se importou. Os lençóis estavam perdidos, revolvidos, manchados — como ela.
As mãos dela repousaram abertas e vazias nas costas do Amante, as rédeas largadas para sempre.
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