TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





terça-feira, 29 de abril de 2014

SELVAGEM NA CAMA



Ela apoia as mãos no lençol revolvido e arqueia as costas, oferecendo os quadris para trás. O corpo treme de antecipação, os seios cheios balançam com o movimento. A noite abafada cola os cabelos soltos na nuca suada.

Ele se ajoelha atrás dela e posiciona os joelhos entre suas coxas, forçando-as a se abrirem. As mãos largas deslizam pelos quadris dela e agarram a carne com força, deixando os dedos marcados na pele.

A mão esquerda sobe pelas costas e prende os cabelos dela na nuca. Ele puxa com firmeza, forçando o pescoço a arquear para trás. A mão direita se espalma na base da espinha, mantendo os quadris dela no lugar.

O ranger da cama começa com o primeiro impacto — a madeira batendo na parede quando ele empurra o pau na entrada molhada dela sem avisar, forçando a passagem.

Ele não espera. O pau entra até o fundo de uma só vez, forçando a passagem apertada e molhada, e o corpo dela estremece inteiro. A mão nos cabelos prende firme, mantendo o pescoço arqueado para trás, e ele começa a meter com estocadas curtas e duras, o quadril batendo contra a bunda dela com um som seco que se mistura ao ranger da cama.

Os seios cheios balançam para a frente a cada impacto, a carne macia chacoalhando no ritmo das estocadas. Ele aperta os dedos na carne dos quadris dela e puxa o corpo de encontro ao seu, enterrando o pau até a base, os ovos batendo contra a pele molhada. Ela solta um gemido rouco, as mãos agarrando o lençol revolvido.

A buceta chia a cada investida — sons molhados e chupados que enchem o quarto abafado. Os líquidos escorrem pela parte interna das coxas dela, grossos e quentes, pingando no lençol já manchado. Ele mete mais forte, o suor escorrendo pelo peito largo, a mandíbula travada.

O ranger da cama fica mais alto, a madeira batendo na parede em um ritmo irregular e brutal. Ela tenta firmar os joelhos, mas as estocadas a empurram para a frente, os seios balançando violentos de um lado para o outro. Ele solta os cabelos por um instante e agarra os quadris com as duas mãos, os polegares cavando a carne, e puxa o corpo dela contra cada investida com força redobrada.

A cabeça do pau bate no fundo e ela solta um gemido agudo, involuntário, as costas arqueando ainda mais. As pernas tremem. Ele não diminui o ritmo — continua metendo fundo, estocadas contínuas que fazem o corpo dela sacudir inteiro.

O tapa estala na nádega direita sem aviso. A carne chacoalha, a pele fica vermelha na hora, e ela grita — um som alto que ecoa pela noite quente. Ele mantém o ritmo, a mão voltando para o quadril, e mete com mais força ainda. Os ovos batem contra o clitóris a cada impacto frontal, o atrito molhado fazendo o abdômen dela contrair em espasmos.

Ele prende os cabelos dela de novo, puxando com força, e as costas arqueiam até doer. As estocadas ficam mais fundas, mais rápidas, o pau abrindo caminho na buceta inchada. Os gemidos dela saem altos e incontroláveis, ecoando pela noite junto com o ranger da cama — a madeira batendo na parede sem parar, marcando o ritmo da posse.

O rosnado dele vem grosso, a respiração pesada, e ele enterra o pau até o fundo. O esperma quente espirra em jatos longos contra as paredes internas da buceta, pulsando dentro dela, e ele mantém o quadril colado enquanto goza. O líquido branco vaza pela entrada apertada, escorrendo ao redor do pau ainda enterrado.

O corpo dela desaba sobre os cotovelos, o pau dele ainda enterrado e o esperma escorrendo pelas coxas dela.

Ela jaz de bruços, os braços estendidos à frente, os dedos deslizando sem força pelo lençol revolvido. O corpo ainda treme em ondas lentas, os músculos das coxas pulsando no vazio. Entre as pernas, o líquido quente escorre — o esperma dele desliza pelos lábios inchados, viscoso e branco, pingando no lençol manchado. Ela sente cada gota descendo pela pele sensível, o caminho úmido que serpenteia até o joelho. A respiração sai funda e irregular, o peito subindo e descendo contra o colchão.

O peso dele desaba sobre as costas dela. O corpo largo e suado a cobre por inteiro, o peito colado nas escápulas, o quadril ainda encaixado contra as nádegas. A respiração ofegante dele sopra quente na nuca dela, o coração batendo forte o suficiente para ela sentir as pancadas através das costelas. Ele não se mexe — só fica ali, o peso morto de um corpo exausto, o suor dos dois se misturando na pele quente.

O ranger da cama diminui. A madeira para de bater na parede, o último estalo abafado se perdendo no silêncio pesado que toma o quarto. Só a respiração dos dois preenche o ar abafado da noite. Lá fora, nenhum som. Dentro, o cheiro de sexo e suor gruda em tudo.

Ele levanta a cabeça devagar, os lábios roçando a nuca dela. O beijo é úmido e lento, a boca que desliza pela pele salgada. A voz sai rouca, um murmúrio baixo contra os cabelos desgrenhados:

— Ainda é minha.

Os dois corpos suados permanecem colados, imóveis, enquanto a noite quente os envolve.




  Cléia Fialho

sábado, 26 de abril de 2014

O CÚ QUE CHORA



Ela se ajoelhou na cama sem que ele dissesse nada. Os joelhos afundaram no colchão, as coxas se abriram devagar, e ela empinou o rabo — a curva das nádegas exposta sob a luz fraca do abajur, o cu apertado e escuro entre elas. Esperou. O silêncio dele atrás dela era mais pesado que qualquer ordem.

Ele apoiou uma mão no quadril dela e a manteve imóvel. Com a outra, despejou lubrificante nos dedos — ela ouviu o som viscoso, sentiu o cheiro, e mordeu o lábio inferior com força. A ponta do indicador encostou no anus. Frio. Ela prendeu a respiração.

O dedo empurrou. A resistência era real — o corpo dela não queria abrir, mas ela também não recuou. Ele girou a mão em movimentos lentos, forçando a entrada até a segunda falange, e ela agarrou o lençol com as duas mãos. Os nós dos dedos ficaram brancos. O esfíncter apertou o dedo dele como se quisesse expulsá-lo, e ela soltou um suspiro curto, mais desconforto que prazer.

— Tá doendo — ela sussurrou, mas não pediu para parar.

Ele não respondeu. Adicionou o segundo dedo. A pressão aumentou, a abertura forçada além do que parecia possível, e ela gemeu alto — um som involuntário que escapou antes que pudesse segurar. O lençol torcido nas mãos dela era a única âncora.

Ele retirou os dedos devagar. Ela sentiu o vazio latejar. Atrás dela, o som da glande sendo posicionada — quente, larga, parada exatamente na entrada do cu.

Ele empurrou. Uma estocada seca, até a base, sem aviso. A glande rompeu a resistência do esfíncter e o pau inteiro afundou no cu dela de uma vez. O gemido que saiu da garganta dela foi agudo, involuntário, quase um grito — dor pura rasgando o silêncio do quarto. 

Ela enterrou o rosto no lençol torcido, mordendo o tecido, as lágrimas quentes escorrendo pelo rosto. O corpo tremia. O cu apertava o pau dele num espasmo violento, tentando expulsar, mas ele não recuou. Ficou parado, as mãos calejadas cravadas no quadril dela, esperando o esfíncter ceder.

Ela soluçou contra o lençol. A dor latejava, mas ela não pediu para parar. Ele começou a bombear. Estocadas longas e profundas, o ritmo implacável, as bolas batendo na buceta molhada a cada impacto. O som era obsceno — o cu soltava um estalo molhado a cada investida, o lubrificante misturado ao suor escorrendo pela fenda das nádegas. 

Ela agarrou o lençol com força, os nós dos dedos brancos, e algo mudou. A dor cedeu. Um calor diferente subiu pela espinha. Ela empurrou o rabo de encontro à virilha dele, aprofundando a penetração, pedindo mais sem dizer uma palavra. Ele segurou o quadril dela com força, marcando a pele, e acelerou — estocadas curtas e violentas. 
Ela gemeu, mas agora era diferente. Ele aprofundou até as bolas e a voz baixa cortou o ar: — Vai gozar com o pau no cu?

A pergunta dele ainda vibrava no ar quando o corpo dela respondeu. O cu apertou o pau num espasmo, depois outro, e ela sentiu o orgasmo subir pelo ventre como uma onda quente. Gritou — um som rouco, animal, que saiu abafado contra o lençol. As pernas tremeram. 

A buceta latejou e o gozo escorreu pelas coxas, pingando no lençol torcido, manchando o tecido de molhado e sal. Ela apertou o pau dele com força, o esfíncter pulsando em contrações rápidas, e ouviu o gemido baixo que escapou da garganta dele.

Ele estocou uma vez. Duas. Três. Com força. As mãos calejadas cravaram no quadril dela e ele gemeu fundo, o corpo tenso, e então a porra quente espirrou dentro do cu dela. Ela sentiu cada jato — o líquido espesso enchendo o reto, o calor se espalhando lá dentro enquanto ele gemia e descarregava. 

As bolas batiam na buceta molhada, o som obsceno preenchendo o quarto. Ele ficou parado um instante, o pau ainda duro pulsando dentro dela, e depois se retirou devagar.

O esfíncter ficou aberto, o anel de carne latejando. A porra escorreu — grossa, branca, quente — do ânus pelo períneo até o lençol torcido. Ela ficou de bruços, o cu vazando porra, os dedos ainda agarrados ao lençol torcido.

O quarto estava em silêncio agora. Só a respiração dos dois, ainda pesada, e o cheiro de sexo e suor impregnado no ar. Ela continuava de bruços, o corpo mole contra o colchão, os dedos ainda enrolados no lençol torcido. A porra escorria devagar do cu — grossa e morna, descendo pelo períneo, pingando na poça que já se formava no lençol entre as pernas abertas. 

Ela não se mexeu. Sentia o esfíncter latejar, dolorido, ainda aberto, e a sensação do líquido escorrendo de dentro dela era o que a mantinha ancorada ali.

Ele se moveu ao lado dela. Sem pressa. O colchão afundou com o peso do corpo dele e então a mão calejada pousou na nuca dela — pesada, quente, imóvel. Segurou-a contra o travesseiro, os dedos firmes na pele suada. Não era força. Era posse. 

Ela sorriu contra o tecido amassado, o rosto meio escondido, o lábio inferior ainda marcado de sangue seco. O cu ardia, mas o vazio que doía antes — aquele vazio que ela carregava e não sabia nomear — estava preenchido. A porra dele dentro dela era a prova. O lençol torcido embaixo do corpo guardava a umidade dos dois. Ela fechou os olhos com a mão dele na nuca e a porra ainda vazando do cu.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 23 de abril de 2014

CINCO AO MESMO TEMPO



Ela estava de joelhos no colchão, o corpo magro tremendo de antecipação. Os cinco homens a cercavam, paus duros apontados para ela como promessas. Ela estendeu as mãos e puxou cada um para perto, sentindo o peso e o calor de cada pau contra a pele. O Homem da Bucetinha a empurrou de costas para ele e abriu suas pernas com os joelhos, a glande já esfregando na entrada molhada, espalhando o mel que escorria. 

Atrás, o Homem do Cuzinho cuspiu no buraco apertado e esfregou o cuspe com o polegar, alinhando a ponta. De frente, o Homem da Boca segurou o cabelo dela e encostou a glande nos lábios, forçando a abertura. Ela envolveu os outros dois paus com os dedos, apertando as bases. A glande do Homem da Bucetinha forçou a entrada e ela soltou um gemido alto.

O Homem da Bucetinha não esperou. Enterrou o pau grosso até o talo de uma vez, as bolas batendo na pele molhada dela com um estalo seco. Ela gritou, mas o som morreu na garganta quando ele puxou os quadris para trás e meteu de novo, mais fundo, abrindo caminho na carne apertada. O mel escorria pelas coxas dela, ensopando o colchão, e ele bombeava com estocadas rápidas, o ritmo bruto fazendo os seios dela balançarem.

Atrás, o Homem do Cuzinho cuspiu de novo no buraco apertado, a saliva fria escorrendo entre as nádegas. Ele apoiou a glande no anel resistente e empurrou. A cabeça entrou rasgando, e ela soltou um grito agudo, as unhas cravando no colchão. Ele não parou — foi enfiando o pau longo centímetro por centímetro, o cuspe servindo de lubrificante mínimo enquanto o buraco se abria à força. Ela chorou, lágrimas quentes descendo pelo rosto, mas o gemido que saiu depois era de gozo puro, misturado com a dor.

O Homem da Boca agarrou o cabelo dela com as duas mãos e enfiou o pau fundo na garganta, cortando o grito. Ela engasgou, a ponta batendo na entrada da garganta, e ele puxou para trás só para meter de novo, mais fundo, as veias saltadas roçando a língua. A saliva escorreu pelo canto da boca, descendo pelo queixo e pingando nos peitos, grossa e quente.

Com a mão esquerda, ela apertou o pau curvado do Homem da Mão Esquerda, os dedos fechando com força enquanto torcia na subida e na descida, acompanhando o ritmo das estocadas na bucetinha. A mão direita deslizava molhada de saliva pelo pau espesso do outro, da base até a glande, o homem empinando os quadris para bater na palma dela.

Os dois paus dentro dela — o grosso na bucetinha e o longo no cuzinho — esfregavam um no outro através da membrana fina. A pressão dupla criava uma dor dolorida e gostosa que subia pela espinha, e ela arqueou as costas, gemendo alto ao redor do pau na boca. O ritmo dos cinco paus sincronizou, e ela tremeu sem controle, presa entre a dor e o gozo.

O Homem da Bucetinha cravou as unhas nos quadris dela e meteu até o talo, o pau grosso abrindo a bucetinha encharcada. Ele gemeu alto, os olhos escuros fixos nela, e despejou a porra em jatos quentes no fundo do canal. O líquido branco e espesso encheu o útero, escorrendo pela fenda e ensopando o colchão. Ela sentiu o calor se espalhar por dentro, a bucetinha apertando o pau em espasmos.

O Homem do Cuzinho enterrou o pau longo até a base, o anel apertado resistindo antes de ceder. Ele cuspiu no buraco já arrombado e forçou mais fundo, despejando a porra no reto. O sêmen quente encheu o buraco dolorido, e ela gemeu rouca, o corpo tremendo. O anel pulsava ao redor da base, ordenhando cada gota.

O Homem da Boca puxou o pau da garganta dela com um som molhado. A saliva escorreu pelo queixo, grossa e quente, enquanto ele gemia e gozava na cara dela. Jatos de porra atingiram as bochechas, o nariz e a língua esticada. O leite branco escorreu pelo queixo, misturando-se com a saliva.

O Homem da Mão Esquerda gemeu e gozou na mão esquerda dela, a porra escorrendo entre os dedos e pingando no colchão. O Homem da Mão Direita empinou os quadris e gozou nos peitos dela, cobrindo os mamilos de porra branca e pegajosa.

Ela gozou com um grito rouco, a bucetinha e o cuzinho apertando os paus em convulsões. O corpo arqueou, os olhos reviraram, e a porra escorreu dos três buracos enquanto ela tremia no colchão, completamente preenchida e destruída.

Ela virou de barriga para baixo, o corpo afundando no colchão encharcado. O cuzinho latejava, o anel ainda aberto, pulsando no ritmo do coração. A bucetinha ardia, inchada e dolorida, cada batida interna um lembrete dos paus que a preencheram. 

A porra escorria dos dois buracos, morna e grossa, formando uma poça debaixo dos quadris. Ela passou o dedo na bucetinha inchada e sentiu o sêmen escorrendo pelo canal dolorido, o toque mínimo arrancando um gemido fraco. Tocou o cuzinho latejante com a ponta do dedo, sentindo o leite vazar pelo anel relaxado, o buraco ainda moldado ao pau longo. 

Lambeu os lábios cobertos de porra, o gosto salgado misturado com a saliva que ainda escorria do queixo. Os homens se vestiam em silêncio, olhando para o corpo destruído com satisfação. Ela fechou os olhos com um sorriso nos lábios cobertos de porra, o corpo dolorido e completamente satisfeito.




  Cléia Fialho

domingo, 20 de abril de 2014

O ENCONTRO DE FOGO



Ela sabia que ele viria antes dele bater à porta. Era uma certeza que nascia no fundo da barriga, quente e líquida, como o mel que escorre devagar por uma colher. Ela vestira a saia branca — sem nada por baixo — e o batom vermelho que ele dizia ser a cor do pecado. Não se arrependia de nada. Não queria arrependimento. Queria entrega.

Quando ele entrou, o olhar dele encontrou o dela como dois animais que reconhecem a presa antes do ataque. Ele fechou a porta devagar, sem pressa, como quem estica o momento antes de o partir. Não disse uma palavra. As palavras eram supérfluas entre eles.

Ele caminhou em direção a ela. Os passos eram lentos e firmes, cada um um golpe seco no silêncio do quarto. Ela não se mexeu. Queria sentir o peso da aproximação dele, o ar a mudar à medida que ele se tornava mais perto, mais real, mais quente. Quando ele parou à frente dela, a distância entre eles era de um fôlego. Ela sentiu o cheiro dele — a pele, o suor, o desejo que ele exalava sem esforço.

Ele ergueu a mão e tocou o cabelo dela com uma leveza que contrastava com a dureza do seu olhar. Os dedos deslizaram pelos fios, como quem toca seda, mas os olhos diziam outra coisa. Diziam "vou-te comer". Ela sorriu por dentro, porque era isso que ela queria: ser comida, devorada, reduzida a gozo e tremor.

Ele segurou o queixo dela e ergueu-lhe o rosto. O polegar roçou o lábio inferior — o batom vermelho manchou-lhe a pele. Ele olhou para a mancha como quem olha para uma assinatura. E depois, sem aviso, beijou-a. O beijo não era suave. Era fome. Uma fome que tinha sido guardada durante dias, semanas, uma vida inteira. Ele mordeu o lábio dela e ela sentiu o gosto do seu próprio sangue misturado com o batom. Não recuou. Aproximou-se mais.

A mão dele desceu pela sua nuca, depois pelo ombro, depois pela curva da cintura. Ele apertou a saia branca contra a pele dela, como se quisesse rasgá-la com os dedos, mas não o fez — ainda não. Queria prolongar a tortura. Queria vê-la implorar sem ouvir uma palavra.

Ele virou-a de costas contra a parede. As mãos dele pressionaram os pulsos dela contra o gesso frio, e ela sentiu o contraste entre o frio do ladrilho e o calor do corpo dele colado ao seu. A mão dele desceu pela barriga dela, traçando círculos lentos à volta do umbigo, até encontrar o centro da saia. Ela prendeu a respiração quando os dedos dele roçaram a pele nua, a humidade que já escorria pelas suas coxas. Ele não precisou de palavras para saber que ela estava pronta.

Ele ajoelhou-se. Sim. O homem que parecia invencível ajoelhou-se diante dela. As mãos dele subiram lentamente pelas suas pernas, empurrando a saia branca até à cintura, expondo-a por inteiro. Ela olhou para baixo e viu os olhos dele a fixarem o seu centro molhado, brilhante, aberto. Ele não hesitou. Levou a boca até lá e bebeu-a.

O choque fez com que ela arqueasse as costas contra a parede. A língua dele não pedia, não perguntava. Tomava. Cada movimento da língua era uma ordem, cada sucção era um golpe, e ela sentia o gozo subir como uma maré que não podia controlar. Os dedos dela enterraram-se nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, querendo mais, pedindo mais sem dizer uma palavra.

Ele parou quando ela estava prestes a chegar. Afastou-se lentamente, com os lábios molhados e os olhos brilhantes de um brilho cruel. Ela gemeu — não de dor, mas de frustração. E ele sorriu. Aquele sorriso era uma promessa. Ela sabia o que vinha a seguir.

Ele levantou-se e despiu-a com os olhos antes de a despir com as mãos. A saia branca caiu ao chão como uma pétala. Ela ficou nua diante dele, exposta e sem defesa. Ele não disse nada. Só olhou. Demorou-se em cada curva, em cada sombra, em cada lugar onde a pele era mais sensível. E depois, devagar, despiu-se também.

O corpo dele era o que ela imaginava — firme, quente, marcado por cicatrizes invisíveis que só os olhos dela conseguiam ver. A ereção dele era dura e incontornável, e ela desejou-a mais do que qualquer palavra jamais poderia dizer.

Ele aproximou-se dela. As mãos dele seguraram as suas coxas e levantaram-na contra a parede. As pernas dela enrolaram-se à volta da cintura dele, e ele entrou nela num movimento lento, profundo, inteiro. Ela prendeu a respiração. Sentiu-o preencher todos os espaços vazios do seu corpo, como se ele tivesse sido feito para a encaixar.

O ritmo começou devagar — uma dança de respirações e pausas. Mas o desejo crescia, e ele acelerou. O som da pele contra a pele encheu o quarto, misturado com os gemidos abafados dela e a respiração rouca dele. Ela não queria que parasse. Queria que ele a partisse, a arrebatasse, a levasse até onde ninguém mais a levara.

Ele mordeu o ombro dela enquanto as mãos apertavam a sua anca com violência doce. A dor e o prazer confundiram-se num fio ténue, e ela já não sabia onde começava um e acabava o outro. Só sabia que o gozo se aproximava, veloz e inevitável, como um comboio que não pode ser travado.

— Vem — sussurrou ele, finalmente quebrando o silêncio.

Ela olhou para ele. Os olhos dele estavam tão fundos que ela se podia afogar neles. E ela veio. O gozo abriu-se-lhe como uma flor de fogo, percorrendo cada nervo, cada músculo, cada poro. Ela gritou o nome dele sem vergonha, sem pudor, porque naquele momento só existiam eles e o som molhado dos seus corpos a colidirem.

Ele seguiu-a momentos depois, apertando-a contra a parede enquanto o próprio gozo o dominava. A respiração dele era irregular, os músculos contraídos, os dedos cravados na pele dela como se ela fosse a única coisa que o mantinha ancorado ao mundo.

O silêncio voltou, mas não era vazio. Era um silêncio cheio de pulsação, de suor, de peles coladas. Ele não a largou. Ela não o soltou. Ficaram assim, por minutos que pareciam horas, até que a respiração de ambos se acalmou.

Foi então que ela sussurrou, com a boca encostada ao ouvido dele:

— Ainda não acabou.

Ela sentiu-o endurecer novamente contra ela. E soube, com uma certeza que não precisava de provas, que a noite ainda ia ser longa.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 17 de abril de 2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

TÃO TUA EM TI



A  luz da rua entrava pela janela e recortava o corpo dela na cama, um retângulo pálido sobre a curva da anca. Ele estava de pé à beira do colchão, os ombros largos contra a penumbra, e ela sentiu o peso do olhar dele antes mesmo de ouvir a voz.

— Vem.

Não era um pedido. Ela ergueu-se devagar, o cabelo escuro solto sobre os ombros, e foi ter com ele. As mãos dele fecharam-se na cintura dela por cima do tecido fino da camisola, os dedos a enterrarem-se na carne macia.

— Sou tão Tua em Ti tão Meu — murmurou ela, os olhos fundos cravados nos dele.

Ele puxou-a contra o peito. O calor do corpo dele atravessou o algodão e ela sentiu a rigidez das ancas dele a pressionar o ventre, dura e quente, uma fome que não pedia licença. A respiração dela partiu-se num soluço baixo.

Os lábios encontraram-se. A boca dele cobriu a dela com uma lentidão faminta, a língua a invadir-lhe a boca, quente e molhada. A saliva trocou-se entre as línguas, o ritmo lento mas carregado de fome, e ela gemeu contra os dentes dele enquanto as coxas lhe tremiam.

Ele afastou-se o suficiente para murmurar contra a boca dela:

— Vou fazer-te minha.

As mãos dele desceram para a barra da camisola.

As mãos dele puxaram a camisola sobre a cabeça dela num gesto seco, o algodão a roçar-lhe os mamilos já duros. Os seios nus ficaram expostos no retângulo de luz da rua, a carne pálida recortada contra a penumbra. Ele olhou-a em silêncio, a mandíbula endurecida. Ela deixou-se escorregar para o chão, os joelhos contra o soalho frio, e os lábios soberbos envolveram a glande quente. 

A saliva lambusou a pele tensa enquanto a língua rodeava a ponta inchada, lenta e reverente. Ele agarrou-lhe o cabelo escuro e puxou-a para cima, empurrando-a para a cama. Abriu-lhe as coxas com as mãos firmes e a língua dele lambusou a concha molhada, separando os grandes lábios. 

Ela gemeu, as coxas a tremerem. Os dedos dele entraram-na, dois, o líquido vaginal a lambusar-lhe os nós dos dedos enquanto a língua circundava o clítoris. Ela arqueou as costas e agarrou os lençóis.

Ele puxou-a para a beira da cama e virou-a de costas num só movimento. A luz da rua cortou-lhe a curva da anca, a carne nua a brilhar de suor. Ela sentiu a glande quente a pressionar a entrada e arqueou as costas. Ele enterrou-se de um golpe até ao fundo e ela gritou — um som rouco que lhe saiu da garganta sem pedir licença. O líquido vaginal lambusou a base do pénis, misturado com o pré-sémen que escorria pela fenda.

— Assim — murmurou ele, a mandíbula dura. — Assim é que eu te quero.

As estocadas vieram duras e rápidas, o ritmo implacável. A cada investida a base do pénis batia no clítoris e ela gemia alto, as coxas a tremerem descontroladas. O som da carne molhada enchia o quarto — chape, chape, chape — e o líquido dela escorria pela fenda, lambusando os testículos dele a cada impacto. Ele agarrou-lhe as ancas com os dedos a marcarem a pele e puxou-a contra si, o pénis a raspar a parede frontal da vagina.

— Vira-te — ordenou ele, com a voz baixa e rouca. — Monta-me.

Ela obedeceu, as pernas ainda a tremerem. Sentou-se sobre ele e deixou o pénis enterrar-se até ao fundo. As ancas dela rodaram, desceram, o líquido vaginal a lambusar a base grossa. Os seios saltavam ao ritmo das estocadas que ela impunha agora, o cabelo escuro a colar-se aos ombros. Ele levou o polegar ao clítoris e esfregou em círculos rápidos. A respiração dela partiu-se. A vagina apertou o pénis num espasmo.

— Vou-me — gemeu ela, a voz entrecortada. — Vou-me, vou-me…

O orgasmo rebentou. A vagina espasmou e apertou o pénis, o líquido a jorrar sobre a base e os testículos. Ela gritou, o corpo a tremer todo. Ele gemeu grave e as estocadas curtas bombaram o sémen contra o colo do útero, quente e fundo. O sémen transbordou e escorreu pela fenda. Os corpos colados, o sémen a escorrer, ela sussurrou «fodemos» contra o peito dele.

Ela deixou o corpo amolecer sobre o dele. Com um movimento lento, deslizou o pénis mole para fora e o sémen escorreu da vagina, quente e espesso, a descer-lhe pelas coxas. O líquido dela ainda brilhava na pele de ambos, misturado com o sémen que transbordara.

Tu puxou-a para o peito, os braços a envolverem-na com força. Beijou-lhe a testa, os lábios a pousarem na pele molhada de suor. Os corpos colados, o peito dele contra as costas dela, as respirações a abrandarem juntas. O suor colava as peles, os líquidos dos dois a secarem lentamente entre as coxas e sobre o ventre.

Ela fechou os olhos. Sentia o coração dele a bater contra as omoplatas, o calor do sémen a escorrer ainda, a posse consumada em cada poro.

— Fazer amor é a imensidão do sexo — sussurrou ela, a voz rouca e rendida.

Tu apertou-a contra si, a mandíbula ainda dura, as mãos a percorrerem-lhe as costas. Não respondeu com palavras. Só a prendeu mais fundo, os corpos a encaixarem-se como se fossem um só.

Ela fechou os olhos contra o peito dele, a luz da rua a recortar os dois corpos como um só.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 26 de março de 2014

ESPESSO — LEITOSO



A luz ainda não passava da fresta — um fio pálido na parede, quase nada. Ela sentia-o dentro de si, duro, imóvel, o peso do corpo dele a ceder devagar sobre o seu ventre. Encostou os lábios ao ombro dele e sussurrou:

— Guardo-te dentro como quem colhe versos.

Ele tentou recuar, um movimento mínimo dos quadris, mas as coxas dela fecharam-se com força ao redor dele. Os músculos tensos cravaram-no no lugar. As unhas dela agarraram-lhe as omoplatas, a pele cedia sob a pressão.

A fresta de luz alargou-se na parede, um dedo de claridade a mais. Ela viu o tempo a mover-se e apertou as coxas com mais força ainda.

— Fecho as coxas para não te deixar sair.

Ela ergueu os quadris devagar, deixando-o quase sair — a glande repousava na entrada, o calor húmido a latejar contra os lábios. Ele arfou, as mãos calejadas a subirem-lhe pelas ancas. Ela mordeu o lábio inferior e desceu num só movimento, engolindo o membro inteiro, as paredes da vagina a apertarem-se ao redor da base.

— Escrevo-te no ventre — sussurrou, a voz trémula — poemas dispersos.

As mãos dele agarraram-lhe os quadris. Os dedos afundaram-se na carne macia, a pele branca a ceder sob a pressão. Ele gemeu, um som rouco e abafado contra o ombro dela. Ela recomeçou o movimento: subir até quase o perder, descer até o sentir a repartir-se lá no fundo. Os seios roçavam o peito dele, os mamilos duros a friccionarem a pele quente.

A fresta de luz cresceu e tocou o pé da cama, um aviso pálido. Ela apertou a vagina num espasmo involuntário ao redor do membro, sentindo cada veia, cada pulsação. Ele gemeu o nome dela.

— Sinto-te ainda em mim a repartir.

Ela deixou de recitar. As palavras partiram-se em sílabas soltas, sons que já não eram versos — apenas o ritmo do corpo a galgar o corpo dele. As coxas fechadas apertavam-lhe os quadris contra o colchão, e ela cavalgava-o com estocadas rápidas, a vagina a descer com força até a base do pau lhe bater nos lábios inchados. O som era molhado, um estalar repetido que enchia o quarto. 

Ele arqueou as costas por baixo dela, as mãos calejadas a paralisarem-se nos quadris dela, os dedos cravados na carne como se tivessem esquecido como se movem. Ela sentiu-o a engrossar ainda mais dentro de si, o membro a pulsar contra as paredes da vagina.

A fresta de luz alastrou-se sobre o lençol, um lençol pálido que tocava agora a curva do joelho dele. Ela gemeu e acelerou, o clitóris a roçar os ossos pélvicos dele a cada impacto, a lubrificação a escorrer pelos sacos, quente e espessa. As coxas dela fecharam-se num espasmo incontrolável, esmagando-lhe os quadris contra a cama. Ele não podia sair. Ela não o deixava. O prazer subiu em ondas, uma atrás da outra, e os corpos sincronizaram-se num ritmo cego.

Ele arqueou as costas até quase se erguer do colchão e enterrou o membro até ao fundo. Ela sentiu o primeiro jacto quente a explodir contra o colo do útero, depois outro, e outro — o sémen a encher-lhe a vagina em golfadas que a faziam tremer. 

A vagina contraiu-se em espasmos ao redor do membro, sugando-o para dentro, cada contração a puxar mais sémen. Ela soltou um gemido agudo e longo, a voz a quebrar-se no ar, o corpo a arquear-se para trás enquanto o orgasmo a percorria em choques elétricos. As mãos agarraram os lençóis em punhos cerrados, os nós dos dedos brancos.

A luz inundou o leito, quente e dourada, cobrindo-lhes os corpos nus. O sémen dele transbordou da vagina, espesso e leitoso, a escorrer pelas coxas dela em fios lentos que manchavam os lençóis revolvidos. Os corpos estremecem juntos, o membro ainda pulsando dentro dela, o sémen a escorrer pelas coxas.

O membro dele amolecia dentro dela, mas as coxas continuavam fechadas. O sémen ainda quente, retido, a escorrer devagar pela face interna das coxas. Ela não desapertava. Sentia-o a diminuir, a tornar-se macio, e mesmo assim mantinha-o preso — os músculos das coxas a tremer do esforço, a vagina ainda a latejar em pequenos espasmos ao redor da carne flácida.

— Fica — sussurrou ela, e não era um pedido.

A luz da fresta da janela alargava-se sobre o lençol, dourada e implacável, a marcar o avanço da manhã. Ela baixou os olhos para o próprio ventre, onde a pele ainda brilhava de suor, e começou a recitar. Os versos saíram baixos, arrastados, como se cada palavra custasse o peso de uma despedida. A mão dele pousou-lhe na anca, imóvel. Ele não tentou sair. Deixou-se reter, a respiração ainda rouca, os olhos pesados fixos no rosto dela.

Quando o último verso se calou, ele inclinou-se e beijou-lhe a testa. Os lábios demoraram-se na pele quente. Esperou.

As coxas dela abriram-se devagar, num abandono que doeu mais do que o aperto. O membro flácido escorregou para fora, e com ele o sémen — espesso, leitoso — a escorrer da vagina em fios lentos que manchavam os lençóis revolvidos. Ela virou o rosto para a parede. A luz do dia cobriu-lhe o ventre, iluminando as palavras que ele deixara escritas na pele com o suor e o sémen e o silêncio.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 20 de março de 2014

A CALIGRAFIA DO CORPO



A  boca encontrou a dela com fome antiga, os lábios a pressionarem-se num beijo que não pedia licença. A língua enrolou-se na sua, quente e insistente, e a saliva escorreu-lhe pelo queixo sem que nenhum dos dois se importasse. As mãos desceram-lhe pelas costas até encontrarem as nádegas, os dedos longos a afundarem-se na carne macia com a firmeza de quem já sabe exatamente onde apertar. 

Depois subiram devagar, percorrendo a coluna vértebra a vértebra como se cada osso fosse uma tecla de piano que os seus dedos conheciam de cor. Ela arqueou-se sob o toque, a respiração já falhada, e ele murmurou contra a sua boca que sabia aquele corpo de memória, que lhe conhecia cada curva, cada recuo, cada sítio onde a pele estremecia. Os dedos pararam na borda do sexo dela, sentindo o calor que irradiava da pele.

Os lábios desceram pelo pescoço dela, lambendo a pele salgada de suor, sentindo o pulsar acelerado sob a língua. Percorreu o esterno devagar, beijando cada centímetro até encontrar os seios. A boca envolveu o mamilo esquerdo, chupando-o com força, a língua a circundar a auréola até deixá-la brilhante de saliva. Ela gemeu, as costas a arquear-se, e ele passou ao outro seio com a mesma fome meticulosa. 

Depois desceu mais, a língua a traçar um caminho molhado pela barriga, contornando o umbigo, sentindo os músculos dela contraírem-se sob cada lambida. Os dedos abriram-lhe as coxas com suavidade, e a boca encontrou o sexo. A língua percorreu os grandes lábios de baixo para cima, num movimento lento e delirante, e o gosto a salgado único explodiu-lhe na boca. 

Ela soltou um gemido rouco e involuntário quando a língua alcançou o clitóris, lambendo-o em suave delicadeza, lambidelas lentas que a faziam tremer. As mãos dela agarraram-lhe os cabelos, os dedos a fecharem-se com força, empurrando-lhe a boca contra o sexo com urgência.

Os dedos longos deslizaram pela face interna da coxa dela, sentindo a pele quente e húmida de suor. A boca não abandonou o clitóris — a língua lambia-o em movimentos laterais rápidos, de um lado para o outro, enquanto a ponta dos dedos encontrava a entrada da vagina. Estava encharcada. Os fluidos escorriam-lhe pelos grandes lábios, e ele recolheu-os com a polpa dos dedos antes de os empurrar para dentro dela.

Dois dedos de uma só vez.

A Amante soltou um gemido rouco, as costas a arquear-se dos lençóis. Ele curvou os dedos para cima, procurando aquele ponto que conhecia de cor, e começou a bombear num ritmo rápido. Os fluidos vaginais lubrificavam-lhe os dedos, escorriam-lhe pela mão, pingavam para o períneo. A língua não parava — lambia o clitóris com movimentos laterais cada vez mais rápidos, a saliva a misturar-se com o gosto a salgado único que lhe enchia a boca.

Ela debateu-se sob ele.

Os quadris empurravam contra a sua cara, um ritmo descompassado e desesperado, o suor a escorrer pelas coxas que lhe apertavam as orelhas. Ele sentia os músculos dela a contraírem-se à volta dos dedos, a vagina a apertá-los em espasmos cada vez mais fortes. O polegar desceu até ao períneo e pressionou com firmeza, sincronizado com as bombadas dos dedos lá dentro.

— Assim... — ela arquejou, a voz a falhar num gemido. — Não pares...

Ele não parou. Os dedos tamborilavam dentro dela como se percorressem teclas de piano, cada curva, cada ponto de pressão uma nota que ele já sabia de cor. A língua lambia o clitóris sem tréguas, movimentos laterais rápidos que a faziam tremer dos pés à cabeça. Os quadris dela empurravam com mais força, o corpo a arquear-se, os dedos dela a puxarem-lhe os cabelos com violência.

O grito veio de repente.

Agudo, involuntário, rasgado da garganta. Os músculos vaginais apertaram-lhe os dedos em espasmos violentos, e ele sentiu os fluidos a jorrarem-lhe sobre a língua, sobre o queixo, quentes e abundantes. Ela gozava na sua boca, o corpo a sacudir-se em ondas, e ele lambeu tudo — cada jorro, cada gota, o salgado único que lhe escorria pela garganta.

A boca permaneceu colada ao sexo dela, lambendo os últimos espasmos do orgasmo enquanto a Amante respirava ofegante.

Ele subiu devagar. Os lábios pousaram na pele húmida do interior das coxas dela, beijos lentos que recolhiam o suor e os vestígios do prazer. Cada beijo era uma palavra que ele já sabia de cor, a caligrafia do corpo dela desenhada na sua boca. Subiu pelo ventre, os lábios a tocarem as sardas como se lesse braille, a língua a traçar o caminho entre as curvas suaves dos quadris. O corpo dela ainda tremia, pequenos espasmos que lhe percorriam os músculos.

Ela puxou-o para cima, as mãos nos ombros dele, e encontrou-lhe a boca. Beijou-o com a língua, provando-se a si mesma nos lábios dele — o salgado único que ainda lhe cobria o queixo e a boca. Gemeu dentro do beijo, os dedos a apertarem-lhe a nuca. — Prova-me — murmurou contra os lábios dele, a voz rouca e rendida. Ele deixou que a língua dela o lambesse, partilhando o gosto, a intimidade daquela degustação mútua.

Depois, enlaçaram-se. Os corpos colaram-se, peitos contra peito, as peles suadas e pegajosas a aderirem uma à outra. A respiração dele abrandou, sincronizada com a dela, os pulmões a encherem-se no mesmo ritmo. Os dedos dele voltaram a percorrer a pele da Amante como teclas de piano, agora num silêncio de repouso absoluto.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 12 de março de 2014

O CORPO QUE TE PERTENCE



A  luz dourada da rua entrava pela janela, pintando o quarto de sombras e brilhos húmidos. A chuva batia nos vidros, um tambor abafado que acompanhava a respiração lenta. Deitou-se de costas sobre os lençóis revolvidos, os olhos fechados, e abriu as mãos sobre o colchão. As rédeas caíram. O corpo estremeceu com o abandono.

— É teu — sussurrou para o vazio, para a presença que imaginava no escuro. — Este corpo é teu.

A mão direita subiu até ao peito nu, os dedos a deslizar sobre a pele suada como se fossem os dedos dele. A palma desceu devagar, contornando o umbigo, até pousar no baixo-ventre. Mordeu o lábio inferior. A respiração já não era lenta.

Os dedos roçaram o púbis e desceram, encontrando os grandes lábios já húmidos. Gemeu baixo. Imaginou a mão firme do Amante a abri-la, a tomar posse. Dois dedos deslizaram para dentro da própria vagina, e o gemido seguinte foi alto, quebrado, o corpo a arquear-se contra a palma. A entrada triunfal queimava-lhe a imaginação.

A porta abriu-se. O Amante entrou, os olhos fixos na mão que ainda tremia entre as pernas dela.

O Amante agarrou-lhe o pulso com firmeza e afastou-lhe a mão da cona molhada. Inclinou-se sobre ela, a boca a devorar-lhe os lábios com fome, a língua a invadir-lhe a boca enquanto os dedos dele substituíam os dela. Dois dedos grossos entraram-na de uma só vez, e o polegar roçou o clítoris inchado.

Ela gemeu contra a boca dele, as costas a arquear. Ele despiu-se rapidamente, a camisa a voar para o chão, as calças a cair. O caralho saltou livre, duro e grosso, a cabeça húmida a brilhar na luz dourada.

— É teu — sussurrou ela, abrindo as pernas completamente. — Este corpo é teu.

Ele ajoelhou-se entre as coxas dela. Os dedos continuavam a foder-lhe a cona devagar, o polegar a pressionar o clítoris em círculos. Ela agarrou-lhe os ombros, cravando as unhas na pele suada. Ele baixou a cabeça e passou a língua lenta e firme sobre o clítoris, saboreando os fluidos que escorriam. Ela gritou.

O Amante levantou-se, posicionou a cabeça do caralho na entrada da cona molhada e empurrou lentamente para dentro.

Ele empurrou lentamente para dentro. A cabeça do caralho abriu-a, cada centímetro a deslizar na cona molhada até a base lhe tocar o clítoris. Ela sentiu-se cheia, preenchida até ao fundo, os fluidos a escorrerem-lhe pelas coxas enquanto o corpo se ajustava à invasão. — Tão fundo — gemeu, as mãos a largarem os ombros dele para se abrirem sobre o colchão. As rédeas caíram. 

O Amante agarrou-lhe as ancas e começou a foder. O ritmo era duro, rápido, as bolas a baterem-lhe na pele húmida com um som molhado a cada estocada. A cama rangeu. O suor do peito dele gotejou-lhe sobre a barriga. Ela arqueou as costas, os dedos a agarrarem os lençóis revolvidos, a cona a apertar-se em espasmos involuntários ao redor do caralho. 

Ele levantou-lhe uma perna sobre o ombro e o ângulo mudou — mais fundo, mais intenso, a cabeça do pénis a roçar-lhe o ponto exato que lhe roubava o ar. Ela gritou. A mão dele deslizou-lhe pela coxa, os dedos a pressionarem-lhe o clítoris inchado enquanto continuava a bombar. 

O orgasmo rebentou-lhe no ventre, a cona a contrair-se em ondas violentas, um jato quente a libertar-se sobre o caralho e as bolas dele. — Agora — rosnou o Amante. Três estocadas brutais, profundas, e ele despejou-se dentro dela com um rugido. O sémen quente encheu-lhe o útero enquanto o pénis pulsava. Ele colapsou sobre ela, o caralho ainda a latejar lá dentro, o sémen a escorrer pela fenda da cona.

O Amante permaneceu sobre ela mais um minuto, a respiração pesada a abrandar contra o seu pescoço. O caralho, já mole, ainda estava enfiado na cona latejante, e cada pequeno movimento enviava um espasmo residual pelas coxas dela. Depois, com uma lentidão quase cerimoniosa, ele retirou-se. 

A fricção do pênis a deslizar para fora arrancou-lhe um gemido baixo, os lábios da cona a apertarem-se numa última contração antes de o libertarem. O sémen quente seguiu o movimento, uma golfada espessa a escorrer pela fenda e a formar uma poça morna nos lençóis entre as coxas abertas dela. O cheiro a sexo e suor pairava no ar parado do quarto.

Ela não se moveu. O corpo estava dormente, os músculos desfeitos, a pele a arrefecer sob a luz dourada da rua que entrava pela janela. A chuva tamborilava no vidro, um som distante e abafado. Os dedos dela, ainda agarrados aos lençóis revolvidos, abriram-se lentamente. As rédeas tinham caído e ela não fazia tenção de as levantar.

Puxou-o para si com os braços trémulos, envolvendo-lhe as costas largas e húmidas de suor. O peito dele comprimiu-se contra o dela, e ela sentiu o coração dele a bater, ainda acelerado, contra as suas costelas. O corpo dele era pesado, quente, e ela recebeu-o sem resistência, as coxas a fecharem-se lentamente ao redor da anca dele, aprisionando o calor que ainda pulsava entre as pernas. Um espasmo suave percorreu-lhe a barriga, um eco distante do orgasmo, e ela arqueou-se ligeiramente contra ele.

— Meu — murmurou ela, a voz rouca e quase inaudível.

Não era uma pergunta, nem um pedido. Era um facto. O corpo dela, desfeito e pleno, pertencia-lhe. Ele não respondeu com palavras. A mão dele subiu-lhe pela anca, os dedos a desenharem círculos lentos na pele molhada, e ela fechou os olhos. 

A respiração de ambos sincronizou-se, o peito a subir e a descer no mesmo ritmo preguiçoso. O sémen continuava a escorrer, uma humidade quente que se espalhava sob as nádegas dela, mas ela não se importou. Os lençóis estavam perdidos, revolvidos, manchados — como ela.

As mãos dela repousaram abertas e vazias nas costas do Amante, as rédeas largadas para sempre.




  Cléia Fialho

sábado, 8 de março de 2014

O BANHO QUE ARDE



Ela entrou na casa de banho a tremer, os braços cruzados sobre o peito, o cabelo escuro já húmido da condensação que escorria pelo vidro embaciado. Encostou a palma da mão contra a superfície fria e deixou-a lá, os dedos abertos, a marca da pele a imprimir-se no vapor.

— Está um frio de rachar — sussurrou, a voz entrecortada. — Prepara-me o banho. Preciso que me arrefeças.

Ele abriu as torneiras sem pressa, a água quente a jorrar contra o esmalte da banheira, mas os olhos escuros nunca deixaram os dela. Aproximou-se por detrás, o peito vestido de linho a encostar-se às costas dela, e envolveu-lhe o pescoço com uma mão grande e quente. Ela lançou a cabeça para trás, aninhando-a na curva do ombro dele, os olhos fundos a fecharem-se.

— Não é o frio — murmurou ela, a morder o lábio inferior. — Tenho no corpo a brasa de te sentir. Sempre que me tocas... entro em delírio.

Os dedos dele apertaram-lhe o pescoço e depois desceram, lentos, até agarrarem a barra da camisola dela.

Os dedos dele agarraram a barra da camisola e puxaram-na para cima, o tecido a roçar-lhe os mamilos já duros. Ela ergueu os braços, dócil, e a camisola caiu no chão de mosaico. A boca dele desceu ao ombro nu, beijou a clavícula, e as mãos grandes e quentes deslizaram pelas costas dela até soltarem o fecho do soutien. Quando o tecido cedeu, ele encheu as mãos com as mamas dela e beliscou-lhe os mamilos com a ponta dos dedos, arrancando-lhe um gemido entrecortado.

— Entra na água — ordenou ele, a voz grave e pausada contra a orelha dela.

Ela despiu as calças e a roupa interior com gestos trémulos e meteu-se na banheira. A água quente fechou-se sobre a pele arrepiada e ela suspirou, as pernas a abrirem-se devagar, os joelhos a romperem a superfície. Os olhos fundos cravaram-se nos dele. Estendeu a mão molhada e desabotoou-lhe as calças, os dedos a envolverem o caralho já tenso, a sentirem-no endurecer sob a palma. Ele gemeu, os dedos a apertarem-se na borda da banheira.

Despiu a camisa de linho e as calças e deslizou para dentro da água, o corpo a encaixar-se entre as coxas abertas dela. A boca dele fechou-se sobre a boca dela, as línguas a encontrarem-se com urgência, os dentes a roçarem o lábio inferior que ela mordia. Ele empurrou-a contra a borda da banheira, a água quente a escorrer pelos ombros dela, a mão dele a deslizar por debaixo da superfície até os dedos encontrarem a cona molhada.

Os dedos dele deslizaram por debaixo da água e abriram os grandes lábios da cona, a polpa dos dedos a afastar a carne molhada. Ela arquejou, as costas a colarem-se à borda fria da banheira, e sentiu a cabeça do caralho a pressionar a entrada. Ele empurrou num só movimento lento e fundo, o caralho a encher a vagina até ao fundo, a água a deslocar-se em ondas contra o peito dela. 

O gemido que lhe escapou foi agudo e involuntário, a ecoar no azulejo. — Tão quente — murmurou ele, a voz grave contra a orelha dela. — Tão apertada. Ela agarrou os bordos da banheira com as duas mãos, os nós dos dedos brancos, e ele começou a foder com empurrões rápidos e duros. O caralho entrava e saía da cona molhada com um som de chapada abafado pela água, os testículos a baterem no períneo dela a cada estocada. 

As mamas balançavam com o ritmo, os mamilos duros a roçarem o peito dele. A água quente transbordava pelas bordas da banheira, a escorrer pelo chão de azulejo. Ela mordeu o lábio inferior com força, os olhos fundos a revirarem, o corpo a arquear-se para o receber mais fundo. — Mais — sussurrou, a voz entrecortada. — Mais, por favor. 

Ele acelerou, os dedos a apertarem-lhe as ancas, o caralho a martelar a cona num ritmo que já não era controlado. O vidro embaciado tremia com o impacto dos corpos, a marca da mão dela ainda impressa na condensação. Ela sentiu o delírio a subir, a brasa no corpo a consumir-se, a cona a apertar o caralho em espasmos violentos. 

Gemeu alto, um som rouco e prolongado, os fluidos vaginais a misturarem-se com a água da banheira enquanto o corpo tremia em delírio colpúlsal. Ele empurrou uma última vez até ao fundo da vagina, o caralho a pulsar, e gozou com um grunhido — o esperma quente a jorrar dentro da cona dela e a escorrer pelo canal vaginal. 

A água a escorrer pelas costas de ambos, o vapor a subir do vidro embaciado. O esperma dele escorreu da cona dela para a água da banheira enquanto os dois ofegavam, agarrados um ao outro.

Ela encostou a cabeça no ombro dele, o corpo mole e finalmente quieto. O esperma ainda escorria entre as pernas, um fio morno a perder-se na água turva da banheira. Ele envolveu-a pelos ombros, o caralho mole a repousar contra a coxa dela, e beijou-lhe a testa com os lábios lentos.

— O frio já passou — murmurou, a voz grave e pausada.

Ela ergueu os olhos para o vidro embaciado. A marca da sua mão ainda lá estava, impressa na condensação, mas agora parecia diferente — já não era o gesto de um corpo a tremer de frio. Sorriu, os dedos a repousarem sobre o peito dele, e o vapor cobriu o vidro embaciado até que a marca se desfez. A água a escorrer pelas bordas da banheira era agora o único som.




  Cléia Fialho