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domingo, 20 de abril de 2014

O ENCONTRO DE FOGO




Ela sabia que ele viria antes dele bater à porta. Era uma certeza que nascia no fundo da barriga, quente e líquida, como o mel que escorre devagar por uma colher. Ela vestira a saia branca — sem nada por baixo — e o batom vermelho que ele dizia ser a cor do pecado. Não se arrependia de nada. Não queria arrependimento. Queria entrega.

Quando ele entrou, o olhar dele encontrou o dela como dois animais que reconhecem a presa antes do ataque. Ele fechou a porta devagar, sem pressa, como quem estica o momento antes de o partir. Não disse uma palavra. As palavras eram supérfluas entre eles.

Ele caminhou em direção a ela. Os passos eram lentos e firmes, cada um um golpe seco no silêncio do quarto. Ela não se mexeu. Queria sentir o peso da aproximação dele, o ar a mudar à medida que ele se tornava mais perto, mais real, mais quente. Quando ele parou à frente dela, a distância entre eles era de um fôlego. Ela sentiu o cheiro dele — a pele, o suor, o desejo que ele exalava sem esforço.

Ele ergueu a mão e tocou o cabelo dela com uma leveza que contrastava com a dureza do seu olhar. Os dedos deslizaram pelos fios, como quem toca seda, mas os olhos diziam outra coisa. Diziam "vou-te comer". Ela sorriu por dentro, porque era isso que ela queria: ser comida, devorada, reduzida a gozo e tremor.

Ele segurou o queixo dela e ergueu-lhe o rosto. O polegar roçou o lábio inferior — o batom vermelho manchou-lhe a pele. Ele olhou para a mancha como quem olha para uma assinatura. E depois, sem aviso, beijou-a. O beijo não era suave. Era fome. Uma fome que tinha sido guardada durante dias, semanas, uma vida inteira. Ele mordeu o lábio dela e ela sentiu o gosto do seu próprio sangue misturado com o batom. Não recuou. Aproximou-se mais.

A mão dele desceu pela sua nuca, depois pelo ombro, depois pela curva da cintura. Ele apertou a saia branca contra a pele dela, como se quisesse rasgá-la com os dedos, mas não o fez — ainda não. Queria prolongar a tortura. Queria vê-la implorar sem ouvir uma palavra.

Ele virou-a de costas contra a parede. As mãos dele pressionaram os pulsos dela contra o gesso frio, e ela sentiu o contraste entre o frio do ladrilho e o calor do corpo dele colado ao seu. A mão dele desceu pela barriga dela, traçando círculos lentos à volta do umbigo, até encontrar o centro da saia. Ela prendeu a respiração quando os dedos dele roçaram a pele nua, a humidade que já escorria pelas suas coxas. Ele não precisou de palavras para saber que ela estava pronta.

Ele ajoelhou-se. Sim. O homem que parecia invencível ajoelhou-se diante dela. As mãos dele subiram lentamente pelas suas pernas, empurrando a saia branca até à cintura, expondo-a por inteiro. Ela olhou para baixo e viu os olhos dele a fixarem o seu centro molhado, brilhante, aberto. Ele não hesitou. Levou a boca até lá e bebeu-a.

O choque fez com que ela arqueasse as costas contra a parede. A língua dele não pedia, não perguntava. Tomava. Cada movimento da língua era uma ordem, cada sucção era um golpe, e ela sentia o gozo subir como uma maré que não podia controlar. Os dedos dela enterraram-se nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, querendo mais, pedindo mais sem dizer uma palavra.

Ele parou quando ela estava prestes a chegar. Afastou-se lentamente, com os lábios molhados e os olhos brilhantes de um brilho cruel. Ela gemeu — não de dor, mas de frustração. E ele sorriu. Aquele sorriso era uma promessa. Ela sabia o que vinha a seguir.

Ele levantou-se e despiu-a com os olhos antes de a despir com as mãos. A saia branca caiu ao chão como uma pétala. Ela ficou nua diante dele, exposta e sem defesa. Ele não disse nada. Só olhou. Demorou-se em cada curva, em cada sombra, em cada lugar onde a pele era mais sensível. E depois, devagar, despiu-se também.

O corpo dele era o que ela imaginava — firme, quente, marcado por cicatrizes invisíveis que só os olhos dela conseguiam ver. A ereção dele era dura e incontornável, e ela desejou-a mais do que qualquer palavra jamais poderia dizer.

Ele aproximou-se dela. As mãos dele seguraram as suas coxas e levantaram-na contra a parede. As pernas dela enrolaram-se à volta da cintura dele, e ele entrou nela num movimento lento, profundo, inteiro. Ela prendeu a respiração. Sentiu-o preencher todos os espaços vazios do seu corpo, como se ele tivesse sido feito para a encaixar.

O ritmo começou devagar — uma dança de respirações e pausas. Mas o desejo crescia, e ele acelerou. O som da pele contra a pele encheu o quarto, misturado com os gemidos abafados dela e a respiração rouca dele. Ela não queria que parasse. Queria que ele a partisse, a arrebatasse, a levasse até onde ninguém mais a levara.

Ele mordeu o ombro dela enquanto as mãos apertavam a sua anca com violência doce. A dor e o prazer confundiram-se num fio ténue, e ela já não sabia onde começava um e acabava o outro. Só sabia que o gozo se aproximava, veloz e inevitável, como um comboio que não pode ser travado.

— Vem — sussurrou ele, finalmente quebrando o silêncio.

Ela olhou para ele. Os olhos dele estavam tão fundos que ela se podia afogar neles. E ela veio. O gozo abriu-se-lhe como uma flor de fogo, percorrendo cada nervo, cada músculo, cada poro. Ela gritou o nome dele sem vergonha, sem pudor, porque naquele momento só existiam eles e o som molhado dos seus corpos a colidirem.

Ele seguiu-a momentos depois, apertando-a contra a parede enquanto o próprio gozo o dominava. A respiração dele era irregular, os músculos contraídos, os dedos cravados na pele dela como se ela fosse a única coisa que o mantinha ancorado ao mundo.

O silêncio voltou, mas não era vazio. Era um silêncio cheio de pulsação, de suor, de peles coladas. Ele não a largou. Ela não o soltou. Ficaram assim, por minutos que pareciam horas, até que a respiração de ambos se acalmou.

Foi então que ela sussurrou, com a boca encostada ao ouvido dele:

— Ainda não acabou.

Ela sentiu-o endurecer novamente contra ela. E soube, com uma certeza que não precisava de provas, que a noite ainda ia ser longa.






Cléia Fialho

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