🐾 "TOCA DA LEOA" 🐾 SENSUALIDADE & EROTISMO À FLOR DA POEISA 🐾
🌶️ CONTEÚDO ERÓTICO 🌶️ +18 🔞 🌶️

🐾 SE EU FOSSE FALAR EM POESIA E NAS MINHAS VONTADES 🐾 AFRODITE NEM EXISTIRIA E KAMA SUTRA SERIA BOBAGEM 🐾

domingo, 19 de julho de 2015

A BANHEIRA




O vapor sobe primeiro.

Antes de ti, antes de mim,
antes de qualquer gesto,
é o vapor que enche o quarto, embaça o espelho,
apaga o mundo lá fora como quem fecha uma porta
que ninguém mais vai abrir.

Estou na banheira.
De olhos fechados,
a nuca apoiada na borda, um braço caído para fora
como uma vírgula no meio de um poema
que ainda não acabou de ser escrito.

A água cobre-me até o peito.
Um dos meus joelhos emerge, ilha molhada,
brilhando à luz das velas, que acendi sem te contar.

Tu ficas à porta por um instante, apenas a olhar-me.
Porque há coisas que a pressa estraga,
e eu, assim, sou uma dessas coisas.

Abro um olho.
Sorrio devagar, sem levantar a cabeça.

— Vens ou ficas aí a contemplar?

Despes-te em silêncio.
A camisa, as calças,
tudo cai com o peso de quem sabe
que já não vai precisar
de armadura nenhuma nas próximas horas.

Entras na água.

Está quase quente demais, essa temperatura exata
em que a pele hesita antes de se render.
E tu rendes-te, como sempre te rendes
a qualquer coisa que venha de mim.

Sentas-te atrás de mim.
As minhas costas encontram o teu peito
com um encaixe que já não pede permissão.
Suspiro, um suspiro pequeno,
antigo, de quem finalmente chegou.

Pegas no sabão.
Fazes espuma nas mãos, devagar,
e começas pelos meus ombros.

Deslizas.

O sabão desenha caminhos
que os teus dedos apenas seguem:
a curva do meu pescoço,
a clavícula que sempre te pareceu
um verso mal terminado,
o vale entre os meus seios, onde a água se demora
como se também não quisesse sair dali.

Fecho os olhos outra vez.

A minha cabeça tomba para trás,
encontra o teu ombro, e fico assim,
molhada, inteira, acolhida
sem que ninguém precise dizer palavra alguma.

As tuas mãos descem.
Contornam os meus seios
sem pressa, sem destino,
como quem passeia por um lugar
que já conhece de cor,
mas nunca se cansa de visitar.

Continuas a descer.

Barriga. Ventre.

A água tem uma cumplicidade estranha:
esconde e revela ao mesmo tempo.

Solto um gemido baixo.

Um som abafado pela água,
capaz de fazer a superfície
estremecer em pequenos círculos.

— Assim... — sussurro,
e é a única palavra de que preciso.

A tua mão sai da água, sobe, encontra a minha nuca
e aproxima-me ainda mais, como se ainda fosse possível
estarmos mais perto.

Beijas o meu pescoço molhado.

O meu corpo começa a estremecer por dentro.
Sinto esse arrepio subir, percorrer-me lentamente
e instalar-se na respiração, como um pássaro
prestes a levantar voo.

— Espera... — digo.
E logo depois:
— Não esperes.

Rio baixinho, nesse riso rouco
que mistura emoção e entrega.

Abraças-me com mais força.
A água transborda em pequenas ondas, molha o chão,
apaga duas velas, e nenhum de nós percebe,
porque, naquele instante,
o mundo inteiro cabe no teu abraço.

Permaneço assim, encostada ao teu peito,
ouvindo apenas a minha respiração
encontrar novamente o ritmo das coisas simples.

Passamos muito tempo assim.

A água vai arrefecendo devagar, mas nenhum de nós quer sair.
Sair seria voltar ao mundo, e o mundo, agora,
parece um lugar completamente desnecessário.

Por fim,
sussurro junto ao teu braço:

— Ainda temos a cama.

E tu ris baixinho, molhado,
feliz de uma felicidade serena,
e respondes:

— Temos a cama.
Temos o chão.
Temos a noite inteira.

E o vapor, teimoso, continua a subir.





Cléia Fialho

Nenhum comentário:

Postar um comentário

🐾 OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
🐾 É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
🐾 FIQUE À VONTADE PARA COMENTAR OU FAZER UMA INTERAÇÃO NAS POESIAS
🐾 SERÁ UM IMENSO PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
🐾 VOLTE SEMPRE!

AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
🐾