Quero tua boca faminta,
cavando o abismo dos meus segredos mais proibidos,
degustando a intimidade que pulsa apenas para te receber.
Deixa que este fogo nos devore sem clemência,
numa cadência de atrito e suor,
um ritmo lento que incendeia a pele,
e nos mergulha na selvageria pura da carne.
Cada estremecer que me arranca o fôlego é um verso gravado em espasmos,
uma métrica de prazer que se escreve na tua posse.
Cada onda líquida que sobe,
que inunda, que transborda,
é a nossa linguagem absoluta,
o idioma profano e urgente do gozo,
que dispensa o verbo e se faz sentir
em cada milímetro do nosso delírio.
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