A mão repousa sobre a folha branca
O mundo espera o gesto da vontade
A tinta corre como um rio que manca
Em busca da profunda claridade.
Nas cicatrizes do tempo esquecido
A voz que vibra na vã segurança
De ser por outro alguém compreendido.
O verbo nasce em chama silenciosa
Vence o deserto da página vazia
É a semente que a mente generosa
Planta no solo da própria agonia.
Não é apenas letra sobre o vácuo
É o registro de um ser que ainda sente
Erguendo muros de um antigo ábaco
Para medir o que corre na frente.
Que a pena corte o véu da escuridão
E deixe o rastro do que foi verdade
Pois cada letra é um pedaço do chão
Onde a humanidade é edificada.
❦
Cléia Fialho


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