Não é amor — é fome.
Fome antiga, animal,
que me sobe pelas coxas
quando escuto teu nome.
sem promessa, sem porquê —
quero a curva da tua nuca
mordida contra a parede,
quero o gemido rouco
que só eu sei arrancar,
quero a tua sede na minha,
água em água a se derramar.
Despe-me devagar,
como quem lê um segredo,
letra por letra, botão
por botão, medo por medo.
Deixa a luz acesa —
quero ver o teu rosto
no exato instante
em que o corpo te trai
e te entregas, inteiro,
ao que a boca calou.
Depois, quando o silêncio
descer sobre nós dois
como um lençol molhado,
não digas nada. — Fica.
Fica com a mão pousada
onde o desejo ainda pulsa,
onde a pele lembra
que foi tua — e será,
todas as vezes
em que a noite pedir.
❦
Cléia Fialho

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