Na penumbra em que o tempo se desfaz,
teu olhar me desnuda sem tocar-me;
basta um sopro teu para incendiar-me,
basta um gesto e o desejo se refaz.
o sabor proibido de entregar-me;
teu quadril é maré que sabe amar-me
em ondas que não cessam nunca mais.
Mordes-me o pescoço em brasa lenta,
e a pele, arrepiada, se apresenta
qual mapa aberto à tua exploração.
Somos dois corpos que a noite alimenta,
dois versos que uma sílaba ausenta,
unidos no compasso da paixão.
❦
Cléia Fialho


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