Teu corpo é mar em noite de verão,
onde naufraga a fome do meu peito;
desliza a mão no cetim do teu leito,
e acende em brasa a minha escuridão.
teu seio em flor, teu ventre em doce jeito;
és o pecado exato, o verso feito
de carne, sal, suspiro e confissão.
Percorro-te devagar, sem pressa alguma,
colhendo em ti o mel que a pele exuma,
enquanto a lua espia e se consome.
Envolves-me nas coxas como espuma,
e em meio ao fogo que nos dois resume,
grito o silêncio bruto do meu nome.
❦
Cléia Fialho


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