O ar condensa ao peso do desejo,
Teus dedos traçam rotas na penumbra,
A chama que o silêncio nos vislumbra
Encontra em cada vulto o seu lampejo.
A pulsação do tempo nos deslumbra,
Enquanto a noite em nós se desmorona,
No vão do afeto onde me entrevejo.
O toque é verbo, a entrega é o movimento,
O corpo é verso livre e divagante,
No gozo que se faz puro aquecimento.
Revela-se a vontade, o instante,
Perdidos nesse fogo que é sustento,
Do amor que queima, mudo e delirante.
❦
Cléia Fialho


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