As mãos mapeiam o relevo,
explorando cada curva
como quem lê um texto antigo,
em uma prosa que se faz no toque.
e o que se diz entre eles
são fragmentos de um segredo
que só o corpo entende.
Os sentidos despertam
no limite da provocação,
confissões feitas de marcas
e fôlego suspenso.
Corpos, agora umidade e calor,
encontram o ritmo da entrega,
uma dança sem coreografia
onde se perdem os mapas.
O silêncio estilhaça-se em som,
gemidos que escapam como o avanço da maré
sobre uma costa que não quer resistência.
Não existe cronologia aqui,
apenas a pulsação do instante
e a pele,
que se torna o único idioma possível
para traduzir o que acontece entre nós.
❦
Cléia Fialho

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