O desejo desce denso, ocupando os espaços,
anunciado pelo calor brutal do teu olhar.
Quando finalmente nossos corpos se chocam,
o tempo perde a pressa e se dissolve
A umidade da tua boca traça mapas impossíveis
sobre a minha pele que não para de tremer.
O quarto é preenchido pela linguagem do instinto,
um alfabeto de gemidos curtos e respiração pesada,
enquanto os lençóis se amassam
sob o peso do nosso caos.
Neste emaranhado de pernas, mãos e suor,
o atrito dita o ritmo da nossa gravidade.
Orbitamos o limite da lucidez,
cegos para tudo que existe além desta cama,
suspensos no próprio êxtase.
Que essa urgência não encontre fim tão cedo.
Nessa embriaguez úmida e sem defesas,
eu abandono qualquer amarra
que me prenda ao chão,
ofereço a minha carne
e apenas deixo que me devores por inteira.
❦
Cléia Fialho

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