O corpo se curva,
um arco que busca a própria flecha,
uma rendição que não é derrota,
mas o ponto mais alto
de uma entrega sem reservas.
a pele não apenas sente: ela traduz.
Não somos mais indivíduos,
somos o movimento, o atrito,
o desenrolar das serpentes
que se entrelaçam no escuro,
ignorando qualquer lei que não seja a nossa.
Cada fibra vibra em uma frequência
que só nós compreendemos,
uma eletricidade que arrepia
e reconstrói o que somos.
O tempo, esse cronômetro
que insiste em medir o mundo,
aqui se perde, se emaranha,
torna-se inútil diante
do absoluto que nos habita.
E no fim deste enlace,
quando o fôlego é um sussurro
que preenche o quarto,
fica a marca de algo que
não se dissolve com a luz:
o instante em que o amor
deixou de ser palavra
para se tornar a nossa única,
inegável e eterna morada.
❦
Cléia Fialho

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