A saliva é a primeira ponte,
um fio transparente de desejo que não se rompe,
traçando o mapa entre a minha boca e a tua
numa cartografia de urgência e sede.
uma trilha que a língua desenha sem pressa,
unindo nossas rotas num só caminho
onde a pele deixa de ser limite para ser destino.
Não há distância que resista a esse percurso,
são carícias que se encadeiam
como se o mundo dependesse apenas desse toque,
desse encontro úmido que nos ancora
em um porto que construímos no calor do agora.
Nesta troca constante, sou fonte, sou rio, sou sede,
saboreando o mistério que habita o teu lábio
e que me devolves, em um ciclo que não se esgota.
Não é apenas beijo; é o ardor que nos guia,
o combustível que mantém a chama acesa,
consumindo o tempo,
madrugada adentro,
enquanto nos devoramos.
❦
Cléia Fialho

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