TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CARNE E AR — SOPRO E PELE



No leito calmo do rio,
a lua derrama seu corpo líquido.

Dois amantes se movem devagar,
desenhando sombras que se confundem
até serem uma só coisa
— carne e ar —  sopro e pele.

Os olhos se rasgam em faísca úmida,
as mãos descobrem territórios quentes
onde o silêncio arde.

Não há mundo.
Há apenas esse círculo de dança
onde o tempo tropeça e cai
no ritmo surdo de dois peitos colados.

O vento passa como um ladrão discreto,
rouba um suspiro,
devolve outro mais fundo.

A noite inteira se contrai em nossa boca
e exala.




  Cléia Fialho

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