Na penumbra quente do fim de tarde,
nossos corpos se encontram,
não como letras,
mas como gestos que ainda
não aprenderam a dizer.
é um fio de brasa,
uma faísca que cresce devagar
entre os vazios que a roupa deixa.
As mãos deslizam,
não para descobrir,
mas para lembrar,
como quem reconhece um caminho
já andado muitas vezes
no escuro.
Os gemidos não pedem lua,
são apenas ar saindo
de lugares onde a palavra não chega.
O beijo não encanta,
ele desmancha.
O tempo não passa,
ele deita ao nosso lado
e espera.
O desejo não fala,
ele respira fundo,
se espalha como sombra
em cada curva,
em cada pausa.
E o amor,
esse gesto antigo,
não se expande como um grito,
mas como um fogo que não queima,
apenas aquece
o que já está nu.
❦
Cléia Fialho

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