Alcovas
abrigam a alma
quando o corpo aprende a falar em silêncio.
Na penumbra que respira desejos,
teu perfume inaugura o instante —
acalmado alvorecer, alada,
minha fome desperta sem pressa.
Teus gestos, suaves e firmes,
amparam amorosa a alcova,
onde a boca ensaia promessas
e a pele escuta antes de tocar.
Há um tremor antigo
após árduo anúncio do querer,
como se o desejo precisasse
ser nomeado para existir.
E então, inteira,
a acolhedora alcova se fecha em nós,
cúmplice, quente, profunda,
enquanto o tempo perde o rumo.
E ali, nus de defesas,
dois corpos se esquecem do mundo
enquanto o prazer
respira dentro do outro.
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