O convite chegou em papel espesso, perfumado de mistério. Nenhuma assinatura. Apenas a data, o local — um palácio antigo à beira de um lago negro como veludo — e uma única instrução escrita em caligrafia firme:
Venha mascarada. Confie em mim.
Ela sabia que era dele. Sempre soube.
Desde o instante em que aprendera a reconhecer, no próprio corpo, aquele arrepio manso que não pedia defesa, mas entrega.
Na noite marcada, o palácio ardia em luzes âmbar. Candelabros multiplicavam sombras nas paredes douradas, e a música — lenta, quase indecente — serpenteava entre colunas de mármore. Homens e mulheres ocultavam os rostos sob máscaras ricamente adornadas, como se ali todos pudessem ser quem realmente eram, livres do peso dos nomes.
Ela entrou vestida de seda escura, decote contido, mas perigoso. A máscara lhe cobria os olhos, e isso a tornava ainda mais vulnerável… e mais desejável.
Sentiu-o antes de vê-lo.
A presença dele não precisava de rosto. Era comando silencioso. Quando sua mão tocou a curva nua de suas costas, ela estremeceu — não por surpresa, mas por reconhecimento.
— Finalmente — murmurou ele, junto ao seu ouvido. A voz era baixa, segura, irrecusável.
Ele não perguntou se ela queria dançar. Apenas a conduziu.
E ela foi.
No centro do salão, giravam lentamente, como se o mundo tivesse diminuído o ritmo apenas para eles. Cada passo guiado por ele era um lembrete: ali, naquela noite, ela não precisava decidir. Bastava sentir. Bastava obedecer ao fluxo invisível que a puxava para dentro de si mesma.
A submissão não lhe era humilhação.
Era repouso.
Quando ele deslizou os dedos até seu pulso, apertando-o de leve, o gesto foi suficiente para que ela compreendesse: não era posse — era pacto. Um acordo silencioso entre desejo e confiança.
— Esta noite, você é minha — disse ele, não como ameaça, mas como promessa.
Ela baixou a cabeça. Um gesto mínimo. Definitivo.
O salão parecia respirar com eles. Olhares curiosos, invejosos, famintos. Mas nada os tocava. A luxúria ali não era vulgar — era densa, quase sagrada. Um excesso elegante, um pecado vestido de ouro.
Ele a levou para um salão menor, afastado, onde cortinas pesadas filtravam a luz e o silêncio era espesso. Retirou-lhe a máscara com delicadeza cerimoniosa, como quem desvela um segredo antigo.
— Confia? — perguntou.
Ela não respondeu com palavras. Apenas fechou os olhos.
E foi nesse gesto simples que se entregou inteira — não ao corpo dele, mas ao domínio que ele exercia com calma, respeito e desejo contido. Um domínio que não exigia, apenas chamava.
Lá fora, o baile continuava.
Mas para ela, o mundo já havia se rendido.
E naquela rendição suave, encontrou não a perda de si,
mas a mais intensa forma de liberdade e luxúria.
(continua...)




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