Dona do incêndio que racha a noite e não dá trégua,
eu te engulo em goles mudos e famintos,
devorando cada gota do teu segredo mais obsceno.
o teu relevo de carne,
atravessando léguas na pressa da tua pele arrepiada.
Te desabo no colchão, te domino por inteiro,
submergindo o teu corpo na umidade brutal
de lençóis ensopados pelo nosso próprio cio.
Sinto o tremor que nasce
na base da tua espinha e me convoca,
o encaixe bruto, milimétrico, que rouba o ar de nós dois.
Me afundo na tua imensidão sem pedir licença, sem freios,
esmagando qualquer distância
no atrito violento da nossa pele.
Teus dentes se cravam na minha carne,
marcando o território do delírio,
enquanto os meus dedos se afundam
nos teus quadris suados,
ditando o compasso selvagem que nos consome e nos rasga.
Somos duas feras presas no mesmo labirinto de luxúria.
E quando o ápice desaba feito um raio,
quebrando o mundo ao redor,
meu corpo explode e derrete dentro do teu abismo,
sugando o teu último gemido,
nos afogando na ressaca desse fogo eterno.
❦
Cléia Fialho

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