TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

REFLEXO DO FOGO




Seus olhos são o reflexo do fogo
que queima dentro de mim, incandescente.
Mas o fogo não fica só no olhar,
desce, espalha-se, concentra-se

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DESÇES E NÃO PARAS



Desces pela curva
do meu pescoço tenso
mordendo cada centímetro
que pulsa e chama
não com a boca de quem beija,
com a boca de quem devora
e deixa marcas
para lembrar depois.

Tuas mãos traçam fronteiras
que se perdem na minha pele,
não são fronteiras,
são aberturas,
são dedos que deslizam
pelo meu peito abaixo
e encontram o centro
onde a minha respiração falha
e teu membro se ergue
implorando ser tocado.

Enquanto o lençol enrola
e sufoca nossos gritos roucos,
eu sufoco de outro jeito,
sentando devagar,
sentando depressa,
fazendo o colchão gemer
mais alto que a minha boca.

O meu pescoço arqueia,
tuas unhas cravam,
o lençol se torce
e nós dois,
enrolados na escuridão,
só existimos na fricção,
na entrada,
no bater de pele
que não quer ser brando,
que quer ser ferimento
de prazer,
que quer ser o instante
em que tu me enches
e eu me esvazio
e me encho de novo.

A tua língua que desceu do meu pescoço
agora lambe o suor
entre os meus seios,
agora circunda
o meu umbigo,
agora não para,
agora me toma pela cintura
e me puxa mais para dentro,
até que não haja mais onde ir,
só o ir repetido,
só o fogo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CHAMA E DESEJO



Cada toque teu incendeia minha pele,
percorre meus contornos como brasa viva,
desenha mapas ardentes onde antes havia gelo,
e me despe camada por camada, lenta, faminta.

Tuas mãos são línguas de fogo sobre meus quadris,
descem pelo meu ventre como rio de mel escaldante,
e eu me curvo, arqueio, gemido rouco no silêncio,
carne trêmula pedindo mais, sempre mais, sem trégua.

Teus lábios dançantes prometem tempestades,
mordem meu pescoço com fome antiga,
sussurram versos molhados dentro do meu ouvido,
e o vento leva embora toda vergonha, toda pressa.

Os corpos suados se entrelaçam como raízes profundas,
sonhos vibrantes explodem em espasmos de luz,
teu peito contra o meu, coração cravado no coração,
e neste doce momento eterno, gozamos o mundo inteiro.




  Cléia Fialho

domingo, 22 de fevereiro de 2015

CADA MORDIDA UM MAPA



Cada mordida um mapa, cada toque um grito abafado
na minha boca que te engole, nos teus dedos que me abrem.
Não há mundo diferente senão esse quarto escuro e úmido
onde o tempo desacelera e o suor escreve o destino
em traços salgados pelo teu peito, pelo meu ventre,
pela curva das minhas coxas que se afastam sem vergonha.

Onde o tempo desacelera e o suor escreve o destino,
eu escrevo com a língua o caminho que leva à tua cintura,
e tu escreves com o membro que me encontra,
que me invade,
que faz do meu corpo o único livro que queres ler.

Nossas línguas dançam e tateiam o limite da lucidez,
mas a lucidez já foi embora.
Perdendo a forma, encontrando a fome,
eu sou só boca, só sexo, só abertura.
Tu és só empurrão, só embate, só suor.

A noite é longa e o pecado é feito para ser repetido,
então repete,
me fode de novo,
me deixa sem ar outra vez.
Até que a carne não saiba mais 
onde ela termina e onde eu começo,
até que eu não seja mais eu,
até que eu seja só o espasmo,
só o nome arrancado da tua boca,
só o nós que derrete no lençol.




  Cléia Fialho

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A LÍNGUA DESLIZA




A língua desliza, tímida no primeiro toque,
depois voraz, faminta, 
devorando cada milímetro de pele.
Explora o mapa do desejo sem pressa,

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O JARDIM DAS PROMESSAS



O cheiro de terra úmida e jasmim a envolveu assim que atravessou a última folhagem. Ele estava lá, encostado no banco de pedra, os ombros largos recortados contra o luar fraco. Não disse nada — só a olhou com aquela firmeza calma que fazia o ar faltar.

Ela deu dois passos e Ele se moveu. Em silêncio, a encurralou contra a pedra fria. Os quadris dele pressionaram seu ventre, o tecido áspero da calça esfregando na pele nua das coxas por baixo do vestido. A mão calejada deslizou pela lateral da coxa dela, apertando devagar, ainda por cima da roupa.

Ela mordeu o lábio inferior, a voz baixa e ofegante: — A gente não devia estar aqui.

Ele roçou os lábios na orelha dela, a respiração quente. — Mas você veio.

A mão subiu até o rosto dela, o polegar firme no queixo. — Agora você é minha.

A mão calejada ainda segurava o queixo dela quando Ele inclinou o rosto e tomou sua boca. Não foi um beijo de pedido — foi invasão. A língua empurrou entre os lábios dela, molhada, urgente, preenchendo cada canto. Ela gemeu contra a boca dele, os dedos se fechando no tecido da camisa.

Puxou para cima. Ele ergueu os braços e ela arrancou a camisa, deixando cair no chão de terra. O peito dele subia e descia rápido, os ombros largos banhados pelo luar.

Ele não esperou. As mãos desceram pelo corpo dela e agarraram a barra do vestido, subindo o tecido até a cintura. Os dedos encontraram o elástico da calcinha e puxaram para baixo, devagar, até os joelhos. O ar frio da noite tocou a pele exposta.

Ela levou as mãos ao cós da calça dele. Desabotoou. O zíper cedeu com um ruído seco. Quando enfiou a mão por dentro da cueca e envolveu os dedos ao redor do pau, sentiu o calor pulsando contra a palma — duro, rígido, vivo.

Ele soltou um som grave, a boca descendo para o pescoço dela. Chupou a pele, a língua pressionando, os dentes roçando até deixar uma marca escura. Ela apertou o pau com mais força, sentindo cada batida.

Ele a empurrou para trás. O pau pulsou na mão dela enquanto as costas nuas tocavam a pedra fria.

As costas dela bateram na pedra fria. Ele não deu tempo para o choque — os joelhos dele abriram as coxas dela, forçando as pernas para os lados até a pele esticar. O vestido amassado na cintura. A calcinha ainda pendurada num tornozelo. O pau duro apontava para o ventre dela, a glande molhada de pré-gozo brilhando sob o luar.

Ele desceu. A boca encontrou a buceta antes que ela pudesse respirar.

A língua larga lambeu do clitóris até a entrada, abrindo os lábios molhados, recolhendo o mel que já escorria. Ela arqueou as costas, a nuca raspando na pedra. Ele gemeu contra a carne, a saliva misturada ao gosto dela escorrendo pelo queixo. Os dedos entraram — dois de uma vez, empurrando fundo enquanto a boca chupava o clitóris com força. O som molhado ecoou entre as folhas. Obsceno. Alto. Ela soltou um gemido involuntário, as unhas cravando nas costas largas, o quadril empurrando contra o rosto dele.

— Não para — a voz saiu ofegante, quebrada.

Ele não parou. Lambeu, chupou, enfiou os dedos mais fundo, a palma batendo no monte de vênus a cada estocada. Ela sentiu o orgasmo subir, as coxas tremendo, mas ele tirou a boca antes do clímax. Levantou-se. O pau pulsava, a glande roxa e inchada. Posicionou na entrada, o mel dela lambuzando a cabeça.

Uma estocada seca. Até o fundo.

Ela gritou. O pau a preencheu inteira, a base batendo no clitóris, o mel espirrando. Ele não esperou — as estocadas vieram rápidas, duras, os quadris batendo nas nádegas dela com som de carne chacoalhando. O banco de pedra rangeu sob o peso dos dois corpos suados. Ela agarrou os ombros dele, as pernas enroscadas na cintura, a buceta apertando o pau a cada investida.

— Vou gozar — ela gemeu, a voz estrangulada. — Vou gozar, vou...

O orgasmo explodiu. O corpo espasmou, a buceta contraiu em ondas ao redor do pau, o líquido quente escorrendo pela fenda e ensopando a pedra. Ela gritou o nome dele, as unhas rasgando a pele das costas.

Ele empurrou fundo uma última vez. Gemeu grave, os dentes cerrados, e gozou. A porra quente jorrou dentro, enchendo o útero, pulsando em jatos que ela sentiu até o fundo do ventre. Ele ficou enterrado, o peito subindo e descendo, o pau ainda duro latejando dentro dela.

A porra dele vazou pela buceta e gotejou no banco de pedra frio.

Ela deixou a cabeça pousar no peito dele, o coração ainda martelando sob a pele quente e suada. Os dedos dela deslizaram devagar pelo esterno, contornando os músculos tensos que aos poucos relaxavam. Ele beijou a testa dela, os lábios demorando na pele úmida, e puxou-a mais para perto com o braço firme na cintura. As pontas dos dedos dele percorreram as costas nuas dela em carícias lentas, quase distraídas, desenhando círculos na pele arrepiada. 

— Não vou mais fugir disso — ela sussurrou, a voz ainda trêmula. Ele não respondeu com palavras, só apertou o abraço. A respiração dos dois foi acalmando, os peitos subindo e descendo juntos. Ela fechou os olhos no peito dele, o banco de pedra frio sob eles, o jardim escondido guardando o que enfim pertence a ambos.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PINCELADAS DE FOGO E SÚPLICAS



Teus dedos, 
como pincéis vorazes em minha pele,
Reescrevem 
a cartografia do meu desejo proibido.
Cada toque, 
uma nota que vibra no âmago,
Desenhando, 
na tela do meu corpo, 
o mapa do prazer.

Não são cores apenas, 
é fogo que se espalha,
Uma febre que transborda, 
pintando as horas com fricção e sede.
Sinto o rastro da tua língua, 
o desenho do teu fôlego,
Enquanto a paixão se expande, 
indomável, invasiva.

Somos tinta e tela, 
somos o traço e o delírio,
Explodindo em matizes profundas 
de um gozo que não pede licença,
Mas exige cada milímetro do meu ser.
A intensidade é nossa única lei,
Um turbilhão de carne e respiração,
Onde a nudez se faz arte,
E o tempo para, 
rendido sob a maestria 
de tuas mãos que me possuem.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

ENTRE LÁBIOS E LÍNGUA EXPLÍCITOS



Devagar, minha língua desliza 
e penetra fundo,
Saboreia cada dobra úmida, 
cada fio tenso e duro,
Sonda o calor pulsante que se abre,
Mergulha no crepúsculo molhado, 
quente e escuro.

Meus lábios se abrem famintos, 
vorazes e sujos,
Beijam a carne viva, a pele estremecida e nua,
Lambem o suor salgado 
do desejo explícito e suado,
Mordiscam o ponto exato
 onde a loucura explode.

Cada movimento de língua 
é linguagem primitiva e crua,
Cada toque acende 
um fogo selvagem e voraz,
A luxúriaé incontrolável 
O desejo guia cada gesto obsceno,.

A boca devora a carne, 
o mundo inteiro desaparece,
Só existe o gosto, 
o calor intenso, 
a entrega total .
Língua e lábios fundidos 
na carne aberta,
Onde o prazer grita alto 
e me consome por completo.




  Cléia Fialho

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CARRASCO DO MEU DELÍRIO



Escolho-te como vítima do meu vício mais cru,
para que ardas comigo no abismo 
onde o prazer não tem fundo.
Transformo tua boca em punhal que me atravessa devagar,
matando-me de gozo em mordidas 
que deixam marca na carne.

Tua língua desce feroz 
e traça versos obscenos na minha pele,
enquanto eu arqueio e ofereço o pescoço, o ventre, a fenda.
Faço-te dono dos meus gritos quebrados,
carrasco dos meus arqueamentos,
executor dos suspiros que guardei trancados no peito.

És o sacerdote da minha fome enterrada,
e eu abro as coxas como altar vivo,
onde o suor é incenso,
onde cada estocada é prece profana,
onde cada gozo é absolvição selvagem.

Penetras-me fundo e sem perdão,
a carne se abre em fogo,
os fluidos escorrem em rios,
e eu morro de prazer em teus braços.
Não há redenção.

Apenas nós dois,
destruídos e eternos no inferno particular
que inventamos com línguas, dentes e sexo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

TEMPESTADE VISCERAL



Cada estocada tua é raio que me parte ao meio
Cada gemido meu é trovão que sacode o teto escuro.
É vertigem, é naufrágio, 
é minha carne naufragando em ti.
Tua língua é raiz que me abre, 
teu gozo é flor que me colhe

E no pecado profundo da penetração encontro absolvição selvagem.
Somos cena proibida,
filme secreto, estreia de fogo sem aplausos,
Apenas suor e escuridão 
e o som úmido de nossas peles colidindo.
Cada estocada é blasfêmia, 
cada gozo é eternidade,

É incêndio, é infinito, 
é espelho que nos duplica em labirinto de prazer.
Risco e fuga, 
constelação e eclipse, 
universo inteiro nascendo entre minhas coxas.
É viagem sem volta, 
destino certo, 
chegada de corpos trêmulos e destruídos.
Cada beijo é ressaca que me afoga, 
cada gozo é mergulho profundo no teu abismo.

Minha boca é poesia que se desfaz, 
tua chupada é confissão, minha entrega é eternidade.
Tormenta, delírio, 
tempestade viva, 
banquete e festim de nós.
Não há fim. 
Apenas capítulo novo. 
Apenas nós.




  Cléia Fialho

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O ÚLTIMO ANDAR



A porta se fechou com um estalo seco. Ela parou no centro do quarto, os olhos castanhos percorrendo a cama desfeita, a luz dourada do abajur escorrendo pelos lençóis como mel. Ele deu um passo. Ela recuou um, as costas quase tocando a parede. Ele parou, encostou na porta, as mãos grandes e imóveis ao lado do corpo. 

Os olhos escuros dele não piscavam. Ela mordeu o lábio inferior até a carne empalidecer sob o batom vermelho, mas não desviou o olhar. A luz do abajur banhava o rosto dele, deixando a mandíbula definida em meia sombra. Ele avançou devagar, as mãos ainda paradas, e a eletricidade entre eles zumbia no ar parado do quarto.

Ele avançou sem aviso. As mãos grandes agarraram a blusa dela e puxaram com força — o tecido cedeu, os botões saltaram no carpete, e o ar frio do quarto bateu nos seios nus. Ela tentou cobri-los, os braços cruzados sobre o peito, mas ele segurou os pulsos dela e os afastou, firmes, contra o colchão.

— Não.

A boca dele desceu. Abocanhou o mamilo esquerdo com força, a língua áspera girando em círculos lentos. Ela soltou um gemido involuntário, as costas arqueando contra a cama. A luz do abajur banhava os dois, dourada e quente, revelando cada centímetro de pele que ela queria esconder.

As mãos dele deslizaram pelas coxas dela, empurrando a saia para cima. Os dedos encontraram a calcinha — o tecido já úmido, grudado na pele. Ele sustentou o olhar enquanto rasgava a lateral com um puxão seco. O som do tecido cedendo encheu o quarto.

Dois dedos entraram de uma vez. Fundo. O ritmo foi implacável desde o primeiro instante, a palma da mão batendo no clitóris a cada estocada. O líquido escorreu pelos dedos dele, quente, descendo pelos nós dos dedos enquanto ela gemia de boca aberta contra o travesseiro.

Ele se afastou, os dedos ainda molhados, e desabotoou a calça.

— Agora você vai tomar tudo.

Ele a virou de bruços com um único movimento, a mão espalmada entre as omoplatas empurrando o peito dela contra os lençóis. O joelho dele abriu as coxas dela, brutais, e ela ficou de quatro, os seios balançando, o rosto meio afundado no travesseiro. A cabeça do pau encostou na entrada molhada — e ele entrou. 

Uma estocada seca até o fundo, o quadril batendo na bunda dela com um estalo que ecoou no quarto. Ela gritou abafada, os dedos agarrando o lençol. Ele não deu pausa. O ritmo veio brutal, profundo, o saco batendo na carne molhada a cada investida, o som obsceno da buceta encharcada engolindo o pau repetidamente.

Ela tentou rastejar para longe, os joelhos escorregando no colchão, mas ele agarrou os quadris dela com as duas mãos e puxou de volta, cravando os dedos na carne macia. — Fica. A voz dele saiu grave, perto da nuca dela. A mão subiu pelas costas, agarrou o cabelo escuro na raiz e puxou a cabeça para trás, forçando as costas a arquearem num ângulo impossível. Ele continuou fodendo sem pausa, o quadril martelando, o líquido dela escorrendo pelas coxas em fios quentes. A luz do abajur banhava os corpos suados, dourada, implacável, revelando cada tremor.

O polegar dele deslizou molhado pela fenda até o ânus e pressionou. Entrou devagar, a resistência cedendo, e ela gemeu alto, o corpo inteiro tremendo. As estocadas na buceta e no cu ficaram sincronizadas, o pau e o dedo invadindo juntos, e ela gritou — um som rouco, descontrolado, que ela não reconheceu como seu. — Implora. 

A ordem veio contra a orelha dela, a respiração quente. Ela mordeu o lábio até doer, mas a pressão aumentou, o ritmo acelerou, e a palavra escapou: — Por favor... por favor, mais... Ele recompensou com mais força, o quadril castigando, o dedo enfiado até o fundo.

Ela desabou de bruços, as pernas moles. Ele a virou de costas com um tapa na coxa, abriu as pernas dela com os joelhos e enterrou o pau de novo, o ritmo ainda mais duro. O suor pingava do peito dele no ventre dela. A mão livre subiu e apertou a garganta, os dedos pressionando os lados, limitando o ar enquanto ele estocava fundo. Ela gemeu com a voz falhando, os olhos revirando. A buceta apertou em espasmos, contraindo no pau dele, e o orgasmo veio em ondas — o líquido quente escorrendo na base da pica, molhando os lençóis.

Ele estocou três vezes sem controle, o corpo tenso, e puxou o pau para fora. O sêmen jorrou espesso sobre o ventre e os seios dela, branco, quente, escorrendo pela pele marcada. A luz do abajur incidia sobre os corpos imóveis, dourada e silenciosa. O sêmen escorre pelo ventre dela enquanto ofega, olhos fechados, corpo ainda tremendo.

O sêmen esfriava no ventre, uma camada que endurecia sobre a pele ainda quente. Ela não moveu um músculo para limpá-lo. A luz do abajur dourava a mancha branca espalhada sobre os seios e a barriga, e ela deixou que ficasse ali — prova, marca, resto. Ele se deitou ao lado, o peito subindo e descendo pesado, e puxou o corpo suado dela contra o dele. O braço dele a envolveu pela cintura, os dedos afundando na carne mole da lateral. 

Ela sentiu o cheiro dele — sal, sexo, o almíscar que impregnava o travesseiro. O ar que ela prendera a noite inteira escapou num sopro longo, e a mão dela subiu devagar até encontrar a dele sobre sua barriga. Os dedos se entrelaçaram frouxos. Ele passou o indicador pelo sêmen no ventre dela e espalhou o líquido morno num círculo lento sobre a pele, o toque leve, quase uma carícia — o contrário exato da violência de minutos antes. Ela fechou os olhos e murmurou "Eu não peço" — mas sua mão apertou a dele.




  Cléia Fialho

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ENTRE LENÇÓIS MOLHADOS



O suor escorre,
o tecido gruda em minha pele,
teu cheiro me enlouquece,
meus gemidos se espalham pelo quarto.

Teus dedos me penetram,
tua boca me suga,
meu ventre explode em ondas,
meus gemidos se tornam música profana.

Os lençóis se tornam mar,
nossos corpos, barcos à deriva,
navegando em ondas de prazer.
Cada toque é tempestade,
cada beijo é naufrágio,
cada gozo é ressaca que nos arrasta.

E quando finalmente nos afogamos,
não há volta,
apenas o mergulho profundo
no oceano da luxúria.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

VARANDA PROIBIDA



A noite nos cobre,
o vento acaricia minha pele,
mas é tua língua que me devora.

Me abro inteira,
te recebo sem pudor,
meus gritos se misturam ao silêncio da rua,
pecado exposto, prazer sem fronteiras.

O risco nos excita,
a varanda é altar,
nossos corpos, oferenda.
Cada gemido é confissão,
cada estocada é blasfêmia,
cada gozo é absolvição.

E quando explodimos juntos,
a cidade dorme,
mas nós queimamos,
selvagens, insanos,
devorados pelo próprio desejo.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ABISMO DO ÊXTASE



Não há tempo, não há espaço,
apenas nós, devorados pela luxúria.
Teus estocadas me rasgam,
meus gemidos me libertam,
meu corpo se entrega sem medo.

Explodimos juntos,
lágrimas e suor se confundem,
não há começo nem fim,
apenas fogo, apenas loucura,
apenas nós dois,
perdidos no abismo do prazer.

O chão desaparece,
o teto se dissolve,
o mundo se apaga.
Somos só nós,
dois corpos fundidos,
dois instintos sem fronteiras,
dois animais em cio,
devorados pelo próprio delírio.

E quando finalmente nos desfazemos,
não resta nada além da certeza:
somos luxúria, somos pecado,
somos eternidade em carne viva.




  Cléia Fialho