Sim, meu homem. Sim! Me fode até que eu desapareça,
Até que o meu nome seja só um eco na garganta.
Quero que o meu corpo seja o mapa que te aqueça,
A tua única casa, a força que te levanta.
Vou gozar de novo em ti, por dentro e por fora,
Nos teus dedos, na tua boca, no limite do ar.
Tua carne me aperta, se contrai e chora,
E o nosso prazer é um rio que não sabe parar.
DRM
Quando acabarmos, deixa-me adormecer em ti,
Me cola à tua pele, não me soltes ainda.
O suor é o lençol do jardim que eu colhi,
E o sono que nos invade é a ave mais linda.
CF
Mas antes, um beijo: lento, molhado, profundo,
Com o gosto de nós dois na saliva pura.
Tua boca na minha esquecendo o mundo,
E o amanhã que não importa, feito de ternura.
DRM
Durmo em teu peito, através de ti, no infinito,
Tua respiração é o som que eu recito.
Amanhã, se houver amanhã, será a mesma seta:
A tua carne, a minha fome, a entrega completa.
CF
Te guardo nos meus braços enquanto a noite esfria,
Teu corpo relaxado ainda colado ao meu.
Amanhã renasceremos na mesma idolatria,
No pacto soberano que a nossa carne escolheu.
DRM
❦
Cléia Fialho & Don Juan DeMarco

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