Quero cair onde a calma se desfaz
Nesse querer que escorre mel na pele
Sob o brilho que queima descendo do céu
Onde a vontade se torna grito e sussurro nos lençóis
Onde o toque é linguagem e o olhar é comando
Tua boca — um mapa proibido que eu desço
Minhas mãos avessando fronteiras
de um corpo que se arqueia
Não há mais silêncio onde o suor fala
Cada músculo teso um verso que eu recito
A pressa do meu sangue em tua curva
O abismo e a vontade — um único grito
Deixa a luz cair sobre nós dois trêmulos
Enquanto a voz deixa de pedir e ordena
Aqui ninguém busca calma
Aqui o fim é só o começo de um arder que não cessa.
❦
Cléia Fialho

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