TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









sábado, 18 de abril de 2015

MINHA PELE ESCALDA NO ATRITO



Tu me tomas por trás, sem trégua,  
rasgando qualquer pressa.  

Tua mão aperta meu cabelo  
e puxa meu rosto para o nada,  
enquanto tua boca morde meu ombro  
num tranco cru, sem piedade.  

Minha pele escalda no atrito.  
O calor do teu peito colado ao meu suor  
deixa hematomas roxos e marcas fundas  
para os dias seguintes —  
uma assinatura de dentes e fogo  
cravada na minha carne em brasa.  

Nossa urgência rasga o silêncio do quarto.  
O suor escorre e cola nossas costelas,  
pesado, febril, empurrando o ar  
para fora do meu peito.  

Tuas mãos tateiam minha cintura  
como garras famintas,  
apertando até roxear,  
marcando o território da nossa sanha.  

Cada investida é um golpe cravado no escuro.  
O atrito das coxas gera uma caligem que escalda,  
respingos de saliva e calor puro,  
uma fricção selvagem que faz a alma  
estalar nos dentes.  

Eu me curvo, arqueio as costas,  
e meu gemido arranhado  
raspa na tua garganta —  
um som cru que nos empurra  
ainda mais para o fundo do abismo,  
onde a carne esquece o nome  
e só sabe queimar.




  Cléia Fialho