Tu me tomas por trás, sem trégua,
rasgando qualquer pressa.
Tua mão aperta meu cabelo
e puxa meu rosto para o nada,
enquanto tua boca morde meu ombro
num tranco cru, sem piedade.
Minha pele escalda no atrito.
O calor do teu peito colado ao meu suor
deixa hematomas roxos e marcas fundas
para os dias seguintes —
uma assinatura de dentes e fogo
cravada na minha carne em brasa.
Nossa urgência rasga o silêncio do quarto.
O suor escorre e cola nossas costelas,
pesado, febril, empurrando o ar
para fora do meu peito.
Tuas mãos tateiam minha cintura
como garras famintas,
apertando até roxear,
marcando o território da nossa sanha.
Cada investida é um golpe cravado no escuro.
O atrito das coxas gera uma caligem que escalda,
respingos de saliva e calor puro,
uma fricção selvagem que faz a alma
estalar nos dentes.
Eu me curvo, arqueio as costas,
e meu gemido arranhado
raspa na tua garganta —
um som cru que nos empurra
ainda mais para o fundo do abismo,
onde a carne esquece o nome
e só sabe queimar.
