O sussurro do vento não é doce,
é o teu hálito quente no meu pescoço,
a língua deslizando onde a pele se eriça,
transporta anseios que a carne engrandece,
quando os dedos apertam e o ventre se abre.
Na tormenta é que o amor se tece,
no bater desenfreado,
no embate que soa como trovão baixo,
na cama que range e não se queixa.
A suavidade fiel de um toque implorado
Não imploro — Exijo.
Puxo o teu cabelo para mais perto,
guio a tua boca para o centro da tempestade,
e o toque deixa de ser suave
para ser possessão.
Em cada silêncio — o eco
é o gemido preso na garganta,
é o som úmido da língua,
é o estalo da pele que cede
e celebra a ferida do prazer.
Por entre as paredes,
o prazer faz morada.
O que habita aqui é o fogo,
é o corpo debruçado,
é o travesseiro mordido,
é o suor escorrendo
nas costas arqueadas,
é o cheiro de nós dois
impregnado no ar
e em cada fenda.
Aqui mora o devorar.
❦
Cléia Fialho

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