Tuas mãos descem ferozes pelo meu ventre,
acendendo rastros de chama
em cada poro da minha pele sensível e exposta.
Eu me abro,
arqueio sob o teu corpo e sinto teu desejo
entrar fundo e devagar,
rasgando o silêncio em gemidos roucos e profundos.
Gozamos juntos em explosão final,
corpos trêmulos e colapsados,
saciados e eternos no lençol quente e encharcado.
Mas a fome não dorme.
A tua boca desce voraz até meu sexo ainda pulsante,
a língua provoca o centro de tudo,
e eu grito outra vez,
sem controle.
Tuas mãos apertam meus quadris,
me posicionam para receber-te de novo.
Entras com força,
o ritmo é brutal,
ininterrupto,
e eu aperto as unhas nas tuas costas
enquanto o novo orgasmo rasga minha garganta.
Colapsamos juntos,
ofegantes,
cansados,
grudados pelo suor da noite inteira.
Teu hálito quente contra meu pescoço
acende novo fogo lento,
o suor esfriando entre nossos ventres colados.
A madrugada nos encontra entrelaçados,
dedos traçando mapas furtivos
na pele ainda trêmula.
Sinto o teu desejo despertar novamente
contra minha coxa,
e sorrio no escuro,
pronta para ser devorada mais uma vez.
❦
Cléia Fialho

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