O desejo desperta no silêncio do quarto
Como uma chama que busca o seu lugar,
Sinto a brisa que vem do teu olhar
E o meu peito se torna um campo aberto.
Tua voz é um rio que atravessa a noite,
A pele arde em antecipação,
Cada poro suspira pelo teu toque.
Tuas mãos são pétalas que descem devagar,
Mapeando curvas, caminhos sem fim,
O ar entre nós vibra como um acorde
Que nenhuma partitura jamais definiu.
Nossos suspiros se misturam ao escuro,
A boca encontra a boca em território proibido,
O tempo para, o mundo some,
E o quarto se torna um universo particular.
A lua espreita pela janela,
Inveja da dança que inventamos agora,
Corpos entrelaçados em fogo e em ritmo,
E o desejo — que não pede licença — nos devora.
❦
Cléia Fialho

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