A ALMOFADA ÚMIDA
Fico imóvel.
O corpo não me obedece, está desfeito, os músculos ainda a pulsarem em ecos do espasmo que passou.
Sinto o líquido morno a escorrer-me pela face interna das coxas, espesso e branco, a pingar gota a gota no lençol em brasas que me queima a pele.
A almofada úmida está colada à minha face, o tecido frio de saliva e lágrimas contra a bochecha, e eu respiro por entre os lábios entreabertos, o ar quente a embaciar o algodão molhado.
A tua respiração pesada bate-me na nuca, um sopro quente e ritmado que me arrepia os pelinhos do pescoço.
Não dizes nada.
Não precisas.
Os teus dedos largam-me os quadris e sobem-me pelas costas suadas, as pontas a deslizarem sobre a minha pele molhada com uma lentidão que me faz arquear a espinha.
Afagas-me como quem acaricia uma brasa ainda viva, os dedos a espalharem o suor e a deixarem rastos de fogo.
O silêncio enche-se de calor, do cheiro a sexo e a suor que impregna o ar, e eu sinto os teus dedos a descerem-me pela coluna, vértebra a vértebra, até deslizarem pela minha fenda encharcada.
Os teus dedos largam-me as costas e tu agarras-me os quadris com as duas mãos, os polegares a cavarem-me a carne suada. Empurras-me contra o colchão, o meu ventre a achatar-se no lençol em brasas, e eu sinto o peso do teu corpo a cobrir-me por inteiro.
A cabeça do teu pénis roça-me a entrada, quente e rija, e tu não esperas, cravas-te em mim num empurrão lento e fundo que me arranca um gemido rouco.
A almofada húmida abafa o som, os meus dentes cravados no tecido molhado de saliva.
O meu corpo estremece sob o teu peso, as costas arqueadas, as coxas ainda pegajosas do sémen que escorreu.
As tuas ancas suadas batem contra as minhas nádegas com um som molhado e pesado, e tu fodes-me com estocadas profundas que fazem o lençol ranger.
A tua mão sobe-me pelas costas suadas e agarra-me os cabelos pela raiz, os dedos a enrolarem-se nas mechas molhadas. Puxas-me a cabeça para trás com um esticão seco, o meu pescoço a arquear-se, a garganta exposta ao ar quente do quarto. Um gemido escapa-se-me dos lábios entreabertos, agudo e partido, enquanto as tuas ancas não param, o teu pénis entra-me até aos testículos com cada estocada, a pele dos teus quadris a bater contra as minhas nádegas com um estalo molhado e repetido. O som enche o quarto, carne contra carne encharcada de suor e fluidos.
Largas-me o cabelo e as duas mãos cravam-se nos meus quadris, os dedos a afundarem-se na carne como garras.
Fodes-me com uma fúria que me faz perder o ar, cada investida mais funda, mais rápida, o teu pénis a bombar dentro de mim e a empurrar para fora o sémen anterior, sinto-o a escorrer-me pelas coxas em fios quentes e grossos, a misturar-se com o novo prazer que me sobe pelo ventre.
Espalmo o rosto na almofada húmida e grito, um som rouco e despedaçado que o tecido molhado abafa, os dentes cravados no algodão encharcado de saliva e suor.
O meu corpo começa a convulsionar-se sob o teu peso, as costas arqueadas, as coxas a tremerem descontroladas.
O clímax devora-me em espasmos violentos, a minha vagina a contrair-se em apertos ritmados à volta do teu pénis, a puxá-lo mais fundo, a sugar cada centímetro.
Geme um som gutural contra a minha nuca, as tuas ancas a baterem com força uma, duas, três vezes, e o teu sémen quente jorra-me dentro e escorre para fora, a misturar-se com o resto, a poça no colchão a crescer debaixo de nós.
O meu corpo desaba em convulsões sobre o lençol em brasas.
Desabas sobre mim com todo o teu peso, o peito colado às minhas costas, o coração a martelar contra as minhas omoplatas num ritmo que ainda não abrandou.
O teu pénis continua enterrado dentro de mim, amolecido mas ainda quente, pulsando de leve a cada batida do teu sangue.
Não sais.
Ficas.
O teu corpo pesado esmaga-me contra o colchão encharcado e eu não quero fugir, quero ser esmagada, quero que cada centímetro da tua pele sue sobre a minha, que os teus ossos se imprimam nos meus.
A respiração vai-se acalmando aos poucos.
O teu hálito quente na minha nuca torna-se mais lento, mais fundo, e eu sinto cada expiração como uma pequena onda de calor que me percorre a espinha.
Os teus lábios não se descolam da minha pele, estão pousados ali, imóveis, como se o simples contacto fosse a única âncora que te mantém consciente.
Entre as minhas coxas, o sémen escorre.
Sinto-o descer pela virilha em fios lentos e mornos, a traçar caminhos preguiçosos sobre a pele arrepiada.
Passa pela fenda, contorna a curva da nádega, goteja no lençol que já não absorve mais nada.
A poça debaixo de nós é morna e espessa, uma mistura de ti e de mim que o tecido encharcado já não consegue engolir.
O cheiro sobe, salgado, ácido, nosso, e impregna-se no ar parado do quarto.
Os lençóis em brasas queimam-me a pele.
Cada prega do tecido molhado é uma pequena labareda contra as minhas coxas, contra o ventre, contra os seios esmagados no colchão.
A almofada úmida ainda guarda a marca dos meus dentes, o algodão frio de saliva onde afoguei os gritos.
Viro o rosto de lado e o tecido molhado cola-se-me à bochecha, fresco por um instante antes de aquecer de novo com o calor da minha pele.
O teu peso não alivia.
Continuas em cima de mim, o pénis a escorregar devagar para fora com a gravidade e o relaxamento dos músculos, e o sémen que estava retido sai atrás dele numa golfada morna que me escorre pela coxa até ao joelho.
Não tens pressa.
Eu também não.
O fogo arde em brasas lentas sob os corpos exaustos.
❦
Cléia Fialho

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