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sábado, 9 de maio de 2015

OS LENÇÕES EM BRASA -Capítulo II




A ALMOFADA ÚMIDA

Fico imóvel. 
O corpo não me obedece, está desfeito, os músculos ainda a pulsarem em ecos do espasmo que passou. 
Sinto o líquido morno a escorrer-me pela face interna das coxas, espesso e branco, a pingar gota a gota no lençol em brasas que me queima a pele. 
A almofada úmida está colada à minha face, o tecido frio de saliva e lágrimas contra a bochecha, e eu respiro por entre os lábios entreabertos, o ar quente a embaciar o algodão molhado. 
A tua respiração pesada bate-me na nuca, um sopro quente e ritmado que me arrepia os pelinhos do pescoço. 
Não dizes nada. 
Não precisas. 
Os teus dedos largam-me os quadris e sobem-me pelas costas suadas, as pontas a deslizarem sobre a minha pele molhada com uma lentidão que me faz arquear a espinha. 
Afagas-me como quem acaricia uma brasa ainda viva, os dedos a espalharem o suor e a deixarem rastos de fogo. 
O silêncio enche-se de calor, do cheiro a sexo e a suor que impregna o ar, e eu sinto os teus dedos a descerem-me pela coluna, vértebra a vértebra, até deslizarem pela minha fenda encharcada.

Os teus dedos largam-me as costas e tu agarras-me os quadris com as duas mãos, os polegares a cavarem-me a carne suada. Empurras-me contra o colchão, o meu ventre a achatar-se no lençol em brasas, e eu sinto o peso do teu corpo a cobrir-me por inteiro. 
A cabeça do teu pénis roça-me a entrada, quente e rija, e tu não esperas, cravas-te em mim num empurrão lento e fundo que me arranca um gemido rouco. 
A almofada húmida abafa o som, os meus dentes cravados no tecido molhado de saliva. 
O meu corpo estremece sob o teu peso, as costas arqueadas, as coxas ainda pegajosas do sémen que escorreu. 
As tuas ancas suadas batem contra as minhas nádegas com um som molhado e pesado, e tu fodes-me com estocadas profundas que fazem o lençol ranger.

A tua mão sobe-me pelas costas suadas e agarra-me os cabelos pela raiz, os dedos a enrolarem-se nas mechas molhadas. Puxas-me a cabeça para trás com um esticão seco, o meu pescoço a arquear-se, a garganta exposta ao ar quente do quarto. Um gemido escapa-se-me dos lábios entreabertos, agudo e partido, enquanto as tuas ancas não param, o teu pénis entra-me até aos testículos com cada estocada, a pele dos teus quadris a bater contra as minhas nádegas com um estalo molhado e repetido. O som enche o quarto, carne contra carne encharcada de suor e fluidos.

Largas-me o cabelo e as duas mãos cravam-se nos meus quadris, os dedos a afundarem-se na carne como garras. 
Fodes-me com uma fúria que me faz perder o ar, cada investida mais funda, mais rápida, o teu pénis a bombar dentro de mim e a empurrar para fora o sémen anterior, sinto-o a escorrer-me pelas coxas em fios quentes e grossos, a misturar-se com o novo prazer que me sobe pelo ventre. 
Espalmo o rosto na almofada húmida e grito, um som rouco e despedaçado que o tecido molhado abafa, os dentes cravados no algodão encharcado de saliva e suor.

O meu corpo começa a convulsionar-se sob o teu peso, as costas arqueadas, as coxas a tremerem descontroladas. 
O clímax devora-me em espasmos violentos, a minha vagina a contrair-se em apertos ritmados à volta do teu pénis, a puxá-lo mais fundo, a sugar cada centímetro. 
Geme um som gutural contra a minha nuca, as tuas ancas a baterem com força uma, duas, três vezes, e o teu sémen quente jorra-me dentro e escorre para fora, a misturar-se com o resto, a poça no colchão a crescer debaixo de nós. 
O meu corpo desaba em convulsões sobre o lençol em brasas.

Desabas sobre mim com todo o teu peso, o peito colado às minhas costas, o coração a martelar contra as minhas omoplatas num ritmo que ainda não abrandou. 
O teu pénis continua enterrado dentro de mim, amolecido mas ainda quente, pulsando de leve a cada batida do teu sangue. 
Não sais. 
Ficas. 
O teu corpo pesado esmaga-me contra o colchão encharcado e eu não quero fugir, quero ser esmagada, quero que cada centímetro da tua pele sue sobre a minha, que os teus ossos se imprimam nos meus.

A respiração vai-se acalmando aos poucos. 
O teu hálito quente na minha nuca torna-se mais lento, mais fundo, e eu sinto cada expiração como uma pequena onda de calor que me percorre a espinha. 
Os teus lábios não se descolam da minha pele, estão pousados ali, imóveis, como se o simples contacto fosse a única âncora que te mantém consciente.

Entre as minhas coxas, o sémen escorre. 
Sinto-o descer pela virilha em fios lentos e mornos, a traçar caminhos preguiçosos sobre a pele arrepiada. 
Passa pela fenda, contorna a curva da nádega, goteja no lençol que já não absorve mais nada. 
A poça debaixo de nós é morna e espessa, uma mistura de ti e de mim que o tecido encharcado já não consegue engolir. 
O cheiro sobe, salgado, ácido, nosso, e impregna-se no ar parado do quarto.

Os lençóis em brasas queimam-me a pele. 
Cada prega do tecido molhado é uma pequena labareda contra as minhas coxas, contra o ventre, contra os seios esmagados no colchão. 
A almofada úmida ainda guarda a marca dos meus dentes, o algodão frio de saliva onde afoguei os gritos. 
Viro o rosto de lado e o tecido molhado cola-se-me à bochecha, fresco por um instante antes de aquecer de novo com o calor da minha pele.

O teu peso não alivia. 
Continuas em cima de mim, o pénis a escorregar devagar para fora com a gravidade e o relaxamento dos músculos, e o sémen que estava retido sai atrás dele numa golfada morna que me escorre pela coxa até ao joelho. 
Não tens pressa. 
Eu também não. 
O fogo arde em brasas lentas sob os corpos exaustos.




Cléia Fialho

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