No céu da tarde, a luz se fez segredo,
e o vento antigo murmurou no chão;
levando aos campos ermos a canção,
de um sonho em flor, tão frágil e tão cedo.
a voz da ausência e sua duração;
como se o tempo, em lenta procissão,
tecesse a dor no fio do arvoredo.
Mas veio a noite, e mansa, me dizia:
“Tudo o que perde um dia volta a ser”,
na paz serena de outra travessia.
Então guardei no escuro esse perder,
pois até a mágoa, em sua poesia,
aprende, ao fim, calada, a florescer.
❦
Cléia Fialho


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