Não há nome para o que arde na pele,
apenas o suor frio que escorre
como promessa não cumprida.
O ar fica denso, espesso,
um véu de veludo que sufoca
e convida ao desespero doce.
Sinto a tua respiração perto,
um abismo aberto entre nós dois,
onde o tempo perde o sentido.
Os dedos buscam, erram, encontram,
traçam mapas de fogo na carne,
descobrem paisagens antigas.
Cada toque é uma pergunta
sem resposta possível,
cada beijo, um silêncio gritado.
A mente se dissolve em névoa,
ficando apenas o instinto puro,
a vontade de fundir-se, de sumir.
O mundo lá fora desmorona-se,
não há sol, nem noite, só isto:
o calor que nos consome e nos cria,
a fome que não se sacia,
o desejo que nos atravessa
como raio, como maré, como vida.
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