Deixar mãos
Serpentearem pernas
Permitir que bocas
Marquem peles.
Onde o tato
Se torna língua
E a carne
Fala sem palavras,
Um nó vivo
Nas entrelinhas
Do silêncio
Que arde e sangra.
Não há dono,
Há apenas o fogo
Que consome
A distinção do eu.
Pele contra pele,
Mundo se apaga,
Sobram só os
Sussurros da carne.
Deixar mãos
Serem laços,
Pernas, cadeias,
Bocas, abismos.
Rasgar o tecido
Da razão frágil
Para que o instinto
Finalmente nos tome.
