TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









quinta-feira, 23 de setembro de 2021

PELE CONTRA PELE


Deixar mãos
Serpentearem pernas
Permitir que bocas
Marquem peles.

Onde o tato
Se torna língua
E a carne
Fala sem palavras,

Um nó vivo
Nas entrelinhas
Do silêncio
Que arde e sangra.

Não há dono,
Há apenas o fogo
Que consome
A distinção do eu.

Pele contra pele,
Mundo se apaga,
Sobram só os
Sussurros da carne.

Deixar mãos
Serem laços,
Pernas, cadeias,
Bocas, abismos.

Rasgar o tecido
Da razão frágil
Para que o instinto
Finalmente nos tome.




  Cléia Fialho